11 de julho de 2026
Esportes

Marilson dos Santos critica falta de investimento no esporte

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.
Marilson fez "esquenta" com corredores inscritos no Circuito Banco do Brasil, que ocorre, a partir das 7h, no próximo domingo (11)

Ex-fundista brasileiro que carrega no currículo três vitórias na tradicional Corrida de São Silvestre e o bicampeonato na Maratona de Nova York, Marilson dos Santos esteve em Bauru no último domingo (4) para divulgar a etapa bauruense do Circuito Banco do Brasil de Corrida, que ocorre no próximo domingo. Depois de uma sessão autógrafos e antes de participar de uma corrida leve na avenida Getúlio Vargas para "esquentar" os participantes que já se inscreveram na competição, o maratonista concedeu entrevista exclusiva ao JC, em que criticou a falta de investimentos no esporte.

Também demonstrou certa apreensão sobre o rumo das políticas de incentivo a partir da provável fusão do Ministério do Esporte à Educação e Cultura no governo de Jair Bolsonaro, mas disse estar torcendo para que, independentemente da configuração da nova pasta, a prática esportiva em geral possa receber maior apoio.

"O orçamento no Ministério do Esporte já é muito reduzido, até porque, com razão, outras pastas precisam ser prioridade, como a Educação e Saúde, embora o esporte também seja um meio de educar e tornar as pessoas mais saudáveis. Com a possível fusão, a gente sabe que os recursos podem ficar ainda mais escassos. É meio complicado, mas a gente ainda não sabe se isso vai mesmo acontecer. A minha torcida é para que o esporte seja apoiado cada vez mais", destaca.

O primeiro sul-americano a vencer a Maratona de Nova York, em 2006 e 2008, Marilson citou que praticantes profissionais e amadores de atletismo, em sua maioria vindos de famílias de baixa renda, são especialmente penalizados com a falta de incentivos. "São pessoas que encontraram no esporte uma forma de ascensão social, de melhorar sua qualidade de vida e de suas famílias, mas que enfrentam muitas dificuldades porque o atletismo sempre foi um esporte muito carente em termos de recursos e estrutura física para treinamento", observa.

"LEGADO"

O atleta também revela que se frustrou com o "legado" deixado pelas Olimpíadas do Rio, em 2016, e pelos Jogos Pan-Americanos, em 2007. A expectativa, ele diz, era de que o fomento ao esporte desse um salto significativo a partir da realização de dois grandes eventos internacionais no País, algo que não se concretizou ao longo do tempo.

"Esperávamos que as pessoas tivessem mais oportunidade de praticar esporte, mas o que vemos são modalidades cada vez mais sem recursos, sem locais de treinamento, atletas sem equipe para representar. Assim como ocorria há 30 anos, até hoje vejo atletas com grande potencial abandonando o esporte por falta de apoio, porque não têm condições financeiras para se manter e precisam trabalhar para colocar dinheiro dentro de casa. O índice de evasão é muito grande. Se continuar assim, a tendência é que, daqui a uns anos, algumas modalidades no esporte de alto rendimento deixem de existir no Brasil", lamenta.

A COMPETIÇÃO

Esta é a primeira vez que o Circuito Banco do Brasil de Corrida passará por Bauru. O evento terá concentração e largada no Parque Vitória Régia, a partir das 7h do próximo domingo (11). O trajeto será na avenida Nações Unidas.

Os participantes poderão optar por percursos de 5km e 10km para adultos e de 1km para crianças. No local, será montada uma grande estrutura, com espaço de descanso, área de bem-estar com bioimpedância, exame de pressão arterial e teste de pisada, além de sessão de autógrafos com os ídolos do esporte nacional André Heller e Emanuel.

Os corredores terão, ainda, um estande de massagem à disposição. Mais informações no site https://www.circuitobancodobrasil.com.br, onde as inscrições devem ser feitas.