09 de julho de 2026
Nacional

Manipulação de usuários na internet é tema da redação do Enem 2018

Por Tisa Moraes | Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 5 min

Aceituno Jr.
Estudantes realizaram a primeira etapa do Enem 2018 neste domingo

O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2018 é “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”, conforme informou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O tema é atual, porém, bastante amplo, o que demanda atenção dos participantes para que o desenvolvimento do texto não tome uma direção diferente do que a banca espera.

O texto é dissertativo-argumentativo, com até 30 linhas, e precisa ser desenvolvido a partir da situação-problema e de subsídios oferecidos por textos motivadores. O texto dissertativo-argumentativo precisa ser opinativo e organizado para a defesa de um ponto de vista.  A opinião do autor deve estar fundamentada com explicações e argumentos.
Trata-se de um grande desafio neste primeiro dia de prova, iniciada às 13h30, com encerramento previsto para as 19h. Além da redação, o candidato deve responder 90 testes.

Aceituno Jr.
Estudante Bianca Mansano Dantas, 18 anos

Pouco antes de iniciar o exame, a estudante Bianca Mansano Dantas, 18 anos, que sonha cursar arquitetura, contou ao Jornal da Cidade que recorre a duas ferramentas para conseguir manter a calma e, assim, administrar o tempo disponível para completar a prova.

“Antes do exame, eu faço uma oração e fico mentalizando coisas boas. Acho que vai dar certo”, conta ela, que planejou fazer a redação somente depois das primeiras duas horas de prova. “Vou começar pelas questões, depois paro para fazer a redação e, em seguida, retomo”, diz.

Aceituno Jr.
Gabrieli Vitória dos Santos com a mãe Silene Maria Coelho dos Santos e o pai Ramires Pereira dos Santos

Já Gabrieli Vitória dos Santos, 16 anos, tinha a tranquilidade de estar prestando o Enem como treineira. Apesar de desejar ir bem na prova, a pressão para um bom resultado ficou do lado de fora do colégio onde ela fez o exame.

“É a primeira vez que faço a prova. Nem simulado do Enem eu fiz. Hoje vai ser a oportunidade para ver como eu me saio, mas estou tranquila”, comenta ela, que recebeu o apoio dos pais Silene Maria Coelho dos Santos, 47 anos, e Ramires Pereira dos Santos, 53 anos, até os últimos momentos antes do início do exame.

CONFIANTE

Aceituno Jr.
Lucas Gomes Giacobini com o pai Flávio Giacobini Junior

Flávio Giacobini Junior, 42 anos, também acompanhou o filho, Lucas Gomes Giacobini, 17 anos, neste momento sempre tão cheio de tensão. Apesar de revelar ter alguma dificuldade para fazer redações, o jovem disse estar confiante, assim como o pai, que ressaltou a dedicação de Lucas neste último ano de preparação com o objetivo de garantir uma vaga no curso de ciência da computação da Unip ou da Unesp de Bauru.

“Estou esperançoso porque já faz tempo que ele vem se preparando. Cabe aos pais dar todo o apoio necessário. O coração fica na expectativa, mas ele fez um bom trabalho e acredito dará tudo certo”, completa.

Em Bauru, mais de 10.600 estudantes fazem hoje as provas de linguagem, ciências humanas e redação. No País, são mais de 5,5 milhões de participantes. O exame segue no dia 11 de novembro, quando serão aplicadas as provas de ciências da natureza e matemática.

A nota do exame poderá ser usada para concorrer a vagas no ensino superior público pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a bolsas em instituições privadas, pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) e para participar do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Menor abstenção da história

O primeiro dia de prova do Exame Nacional do Ensino Médio teve o menor índice de abstenção da história da prova: 24,9%. Dos 5.513.749 inscritos, foi constatada a presença de 4.139.319 candidatos, o equivalente a 75,1%. No ano passado, a abstenção foi de 29,9%. Ao comentar os dados, o ministro da Educação, Rossieli Soares, afirmou que o número pode ser melhorado na próxima semana, uma vez que a falta no primeiro dia de prova não impede que o candidato realize a segunda etapa da prova.

Rossieli atribuiu a baixa abstenção à mudança das regras para inscrição. Neste ano, pela primeira vez, o pedido de isenção de pagamento da taxa ocorreu num outro momento que a inscrição. Além disso, foi exigida a apresentação de justificativa para aqueles que receberam gratuidade no ano anterior e não compareceram à prova. "A baixa abstenção é resultado de um conjunto de fatores. Temos mais eficiência. A pessoa já sabia que se não comparecesse com justificativa perderia o direito de gratuidade", disse o ministro.

Hoje, candidatos fizeram a prova de redação, ciências humanas e suas tecnologias, linguagens, códigos e suas tecnologias. Foram 5 horas e 30 minutos para responder às questões. No próximo domingo, dia 11, a prova será de ciências da natureza e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias. Gabaritos e cadernos de questões serão divulgados no dia 14 de novembro e resultados, no dia 18 de janeiro.

"A vedete do dia foi a prova", afirmou a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Ines Fini. De acordo com ela, foram poucos os episódios de candidatos que chegaram atrasados. Foram registradas 71 eliminações, 67 delas provocadas por candidatos que se ausentaram da sala antes do horário permitido, usar impressos e não atender orientações dos fiscais. Dois candidatos foram desclassificados por uso de ponto eletrônico e outros dois durante a revista no detector de metal.

Os casos de ponto eletrônico foram registrados na cidade mineira de Montes Claros. Os candidatos foram levados à delegacia e foram autuados em flagrante. De acordo com a Polícia Federal, os casos já vinham sendo monitorados pela inteligência. "Cabe à Polícia Federal comandar as atividades, verificar se há outras pessoas envolvidas. Vamos dar todo suporte necessário", disse o ministro.

Rossieli, no entanto, destacou para a tranquilidade da prova. "Os números de ocorrência foram muito pequenos, sobretudo quando se leva em consideração a dimensão do exame", afirmou o ministro da Educação. Cerca de 1.300 candidatos não fizeram provas nas cidades de Porto Nacional e Franca, em virtude da falta de luz. De acordo com Rossieli, eles deverão fazer a prova normalmente semana que vem e, em dezembro, farão o exame programado para hoje.

Maria Inês disse acreditar que a divulgação de notícias falsas não atrapalhou a condução das provas. "Foi feito o monitoramento de risco, contratamos uma empresa", disse. O fato mais grave, em sua avaliação, foi o anúncio feito há três dias de uma greve de caminhoneiros, o que poderia levar ao cancelamento da prova. "Acredito que ninguém foi prejudicado por fake news. Mas qualquer cidadão pode requerer caso tenha se sentido prejudicado mas não vi nenhum caso", completou.