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| Irmã Fabiana Bergamin com o corpo de Madre Clélia; para a religiosa, fenômeno é um "selo" divino da autenticidade da fé católica |
Católicos de Bauru comemoraram a notícia de que o corpo de madre Clélia Merloni foi encontrado intacto 88 após sua morte, durante exumação necessária para o processo de beatificação. A informação foi revelada no último fim de semana, justamente durante a cerimônia de beatificação da madre, que é fundadora do Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus (IASCJ), do qual a Universidade do Sagrado Coração (USC) faz parte.
A beata nasceu em Forli, na Itália, em 10 de março de 1861, e morreu em 1930. Segundo a assessoria da IASCJ, não foram realizadas técnicas de conservação do corpo por meio de processos químicos, sendo sua preservação atribuída "apenas a uma causa superior", "um verdadeiro milagre".
Para a conselheira provincial irmã Fabiana Bergamin, gestora institucional da Sagrado - Rede de Educação e Pró-Reitora de Extensão e Ação Comunitária da USC, o fenômeno pode ser considerado um "selo" divino da autenticidade da fé católica. "Madre Clélia amou Deus de modo extraordinário durante sua vida, transmitindo seu amor ao próximo em todos os seus atos, se afastando dia-a-dia da corrupção do pecado, peregrinando em sua trajetória com pureza e santidade, fortalecendo, assim, a incorrupção de seu corpo na Terra", detalha ela, que está em Roma, onde participa das festividades de beatificação da madre.
A exumação foi realizada em 23 de abril por uma equipe especial do Vaticano, composta por médicos e membros da Igreja, incluindo uma comissão de irmãs. Segundo o IASCJ, esta foi a segunda vez que o caixão da beata foi aberto.
PRIMEIRA EXUMAÇÃO
Madre Clélia morreu em Roma, em 21 de novembro de 1930, e foi enterrada inicialmente no cemitério Campo Verano, que foi bombardeado durante a Segunda Guerra Mundial, quando muitas sepulturas foram destruídas e danificadas. Com o fim do conflito, foram iniciadas as buscas para encontrar, em meio à devastação, os restos mortais da fundadora da IASCJ.
A assessoria do instituto relata que o caixão de madre Clélia foi encontrado ainda selado, sendo levado à presença da superiora geral para a abertura. Mesmo depois de 15 anos de sua morte, seu corpo ainda estava intacto.
Em 20 de maio de 1945, solenidade de Pentecostes, o corpo de madre Clélia foi, então, carregado em procissão fúnebre para a igreja dedicada a Santa Margarida Maria Alacoque, na Casa Geral das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, em Roma, Itália, conforme previsto pelo direito Canônico.
Em sua lápide, há a inscrição "Madre Clélia Merloni, fundadora do Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus. O Coração Divino foi a luz da sua existência. O pobre, o oprimido, o infeliz, o seu palpitar mais terno. Ela viveu a pureza, a simplicidade e a caridade".
Madre geral, a irmã Miriam Cunha Sobrinha enviou convite de Roma para que todos os fiéis visitem o corpo da beata na capela da Casa Geral, que fica na Via Germano Sommeiller, nº. 38, 00185. "Esperamos todos em Roma para, juntos, agradecer ao Senhor por este grande dom: o reconhecimento público da vida de santidade desta grande mulher, que soube viver o amor por Deus no generoso serviço aos irmãos mais necessitados".
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Legista: 'Não há relato na Ciência'
Segundo o médico legista Fábio Pinto Nogueira, não há relatos na Ciência de corpos humanos que tenham permanecido intactos ao longo do tempo, sem qualquer intervenção humana, o que reforça o mistério envolvendo a história de madre Clélia. "Isso só é possível quando é feito um trabalho, com aplicação de formol nas veias, retirada dos órgãos. Assim, com esta intervenção, o corpo pode ficar preservado, com características quase idênticas, por muitas décadas", descreve.
Ele explica que, após a morte, o processo mais comum é o da putrefação, até restar somente o esqueleto. Mas a Ciência possui diversos registros de corpos que sofreram processos naturais de mumificação.
Para que isso ocorra, o corpo precisa ter sido enterrado em solo arenoso, em ambiente suficientemente seco, já que a mumificação espontânea ocorre por secagem. "Exemplos são as múmias egípcias, as múmias maias. Nelas, é possível identificar as formas do rosto, nariz boca, mas a aparência não fica igual à da pessoa enquanto viva", observa Nogueira.
Já em solo pantanoso, há a possibilidade de ocorrer um outro processo de conservação natural do corpo, chamado saponificação, em que a pessoa fica com aparência de sabão.
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