| Malavolta Jr. |
| Delegado Ricardo Martines relata que já houve caso de uma vítima que ficou 3 dias no telefone com o criminoso em Bauru |
Seja pelo celular ou pelo telefone fixo, qualquer pessoa está sujeita a passar pelo já conhecido - mas ainda muito aplicado - golpe do falso sequestro. Segundo dados do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil, a cada três dias, uma pessoa é vítima em Bauru desse tipo de estelionato, que, cada vez, fica mais sofisticado. E essa é só a estatística oficial, visto que há uma infinidade de casos em que as vítimas não procuram a polícia para denunciar o golpe.
E o alerta deve ser redobrado nesta época do ano. Segundo a polícia, o 13.º salário pode ser até um chamariz a mais para os criminosos. Só na última semana, pelo menos três leitores procuraram o JC para comunicar tentativas do golpe.
Uma aposentada de 75 anos, que pediu para ter a identidade preservada, ainda recebeu uma ligação dupla. "Recebi o telefonema em um celular e, minutos depois, no telefone fixo", comenta.
A mulher não caiu no golpe porque tratava-se de uma voz feminina. "A moça gritava 'mamãe, mamãe' e chorava, mas eu só tenho filhos homens. Em um primeiro momento, até dá uma certa insegurança, mas na segunda ligação, idêntica, eu já fiquei brava e desliguei o telefone", afirma.
Em outro caso, um homem de 89 anos, que também pediu para não ter a identidade divulgada, recebeu um telefonema com o golpe. "Um homem me ligou em casa dizendo que estava com a minha filha e que, caso eu não depositasse R$ 10 mil na conta deles, eles a matariam", relata.
O idoso ficou ainda mais preocupado porque o criminoso no outro lado da linha chegou a falar o nome correto da moça. "Fiquei assustado com a possibilidade, mas disse que não tinha esse dinheiro e não depositaria. Só desliguei", conta. "Em seguida minha esposa entrou em contato com minha filha e eu, com as minhas netas. E estava tudo bem", completa, em tom de alívio.
ALEATÓRIOS
Segundo o titular da Delegacia Seccional de Bauru, Ricardo Martines, as ligações geralmente partem de presídios pelo País afora e podem ou não ter sucesso. "Eles não conhecem a vítima. A maioria das linhas utilizadas são do Rio de Janeiro ou do Nordeste, todas com dados cadastrais falsos. Eles fazem isso o dia inteiro e de forma aleatória. Eles vão arriscando. Com a prática que eles têm neste golpe, arrancam informações da pessoa. Geralmente, sem perceber, a vítima passa a informação de nome do filho. E existem várias modalidades, essa do sequestro é só mais uma delas", comenta.
"Tivemos um caso em Bauru de uma mulher que ficou três dias no telefone com os criminosos, impossibilitada de fazer outras ligações ou receber chamadas. Eles pedem que recarreguem chips de celulares e que depositem valores em contas bancárias", afirma Martines, complementando que muitas pessoas, por vergonha ou até mesmo pelo golpe não ter tido sucesso, não procuram a Polícia Civil para fazer o boletim de ocorrência.
Rogério Dantas, delegado coordenador do SIG, corrobora a informação. "É difícil mensurar porque alguns casos não são comunicados, mas temos, em média, 10 registros por mês", conclui.
PRECAUÇÃO
A polícia orienta que, em casos de receber essa ligação de falso sequestro, a pessoa mantenha a calma. "É importante tentar não se abalar, deixar o criminoso falar bastante e tentar conseguir detalhes sobre a possível vítima. Por exemplo, se falam de sua filha, pode-se questionar qual a cor dos cabelos ou dos olhos da pessoa. Mesmo que estejam te prendendo na ligação, tente contato com a possível vítima por outros meios de comunicação", aconselha Ricardo Martines.