Morreu aos 95 anos Stan Lee, criador da maioria dos super-heróis da Marvel. Sua importância, porém, vai muito além do Homem-Aranha e dos milhares de quadrinhos, desenhos e filmes de seus personagens.
Imigrante judeu de família oriunda da Romênia, Lee esteve à frente do seu tempo. Trouxe para a Marvel Comics, editora concorrente direta de Superman, Batman e Mulher Maravilha - propriedades da DC Comics - a fórmula de "humanizar" seus personagens com problemas cotidianos.
Do dilema de salvar vidas e quase não conseguir pagar o aluguel de Peter Parker, o Homem-Aranha, até Tony Stark, o Homem de Ferro, magnata e bem sucedido, que encontrou no alcoolismo um de seus maiores inimigos, Lee trouxe para a casa de ideias essa abordagem desde o seu início, na década de 60, trazendo maturidade para um mercado visto até pouco tempo atrás como infantil.
Os X-Men, outra de suas maiores criações - que ele afirmou ter criado com poderes de nascença por "estar cansado de inventar origens para os poderes de seus personagens" - logo se tornaram, ainda sob sua assinatura, símbolo da luta de minorias.
Judeus, negros, gays puderam se enxergar nos dilemas enfrentados pelos mutantes, "odiados por uma humanidade que juraram proteger."
A Marvel seguiu os passos trilhados por Stan, sendo a primeira editora a ter um super-herói negro ainda na década de 70, o Pantera Negra, e a primeira super-heroína negra como uma protagonista, a Tempestade dos X-Men.
Lee deixa sua assinatura numa esfera muito além do entretenimento.
O verdadeiro fã desses personagens aprendeu que o respeito às diferenças, às lutas individuais e o fim do preconceito é o que nos levam a um próximo passo da evolução humana, não para que nos tornemos super-heróis, mas que sejamos cada vez mais humanos.
RIP Stan Lee
1924-2018