08 de julho de 2026
Esportes

FPF: 'VAR ainda é um mistério'

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
Reinaldo Caneiro Bastos não acredita no fim dos Estaduais: "Se acabar, vão sobrar 60 clubes no País"

O presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos, passou por Bauru na última semana, durante a inauguração da nova subsede da FPF na cidade, que atenderá toda a região. Ele conversou com a imprensa e falou sobre vários assuntos, como o uso do árbitro de vídeo, o VAR, a partir das quartas de final, semifinais e finais do Campeonato Paulista da Série A1 do ano que vem, o calendário do futebol e a relação da entidade com os clubes da região.

Com a nova subsede, a FPF deverá trazer mais cursos para a região, e diminuir taxas dos clubes, uma vez que a entrega de materiais ocorrerá na cidade e haverá um almoxarifado e estrutura para preparação de documentos, além de possibilidade de redução da taxa de arbitragem. No evento, o ex-presidente do Noroeste, Cláudio Amantini foi homenageado com o nome da subsede e vários dirigentes de clubes estiveram presentes, bem como autoridades. Confira a seguir, a entrevista do presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, com vários assuntos do futebol paulista do momento.

Jornal da Cidade - O uso do VAR no Paulista da A1 já vai acontecer nas finais, pode haver ampliação para outras fases, e para a A2, A3 e Copa Paulista?

Reinaldo - O VAR é um mistério. A gente precisa aprender com o VAR, os clubes da A1 quando decidiram pelo uso nas quartas, semi e final, entenderam que é algo polêmico e que precisa de capacitação, não é apenas ser homologado pela Fifa. A gente vai ter que treinar muito e passar a gravar o diálogo dos árbitros, claro sem divulgar isso e sem a intenção de punir, é realmente para aprender e entender como funciona essa comunicação. A decisão de ampliar depois o uso do VAR em outras fases da A1, e na A2 e A3, será uma decisão dos clubes. Na Copa Paulista acho que é um passo mais longe, em outro momento. A gente precisa ver como a CBF vai implantar o VAR nas competições dela. O problema não é o custo, mas o treinamento dos árbitros para um bom uso do sistema de vídeo.

JC - A polêmica criada pelo Palmeiras após a final do Paulista deste ano, desmerecendo a competição, o senhor analisa como isso?

Reinaldo - Esse é um assunto encerrado. O Campeonato Paulista não precisa de defensor, ele é forte por si só.

JC - O calendário do futebol do País precisa mudar?

Reinaldo - A dificuldade do calendário não está nos campeonatos estaduais, que proporcionam que todos os clubes consigam jogar entre três e quatro meses. O problema é que estamos cedendo datas para clubes da América do Sul com muito menos expressão que os clubes do Interior do Brasil, precisamos repensar o calendário, mas como um todo, o ajuste não pode ser somente onde a maioria está jogando.

JC - A maioria dos clubes acaba jogando poucos meses, porque o Campeonato Paulista dura menos de quatro meses, como permitir que o calendário seja maior?

Reinaldo - O investimento é na qualificação da Copa Paulista, que hoje é uma realidade. A competição oferece uma vaga no cenário nacional para disputar a Série D do Campeonato Brasileiro, e outra vaga para a Copa do Brasil, onde a receita é grande para os clubes. E agora o nosso desafio no marketing é atrair mais investidores para a competição, inclusive com empresas regionais que podem patrocinar e dar mais dinheiro aos clubes que estão na disputa.

JC - E como conciliar os interesses dos chamados grandes clubes, como São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos, com os clubes do Interior paulista?

Reinaldo - Vamos fazer isso com um diálogo constante e atuando com a CBF. A possibilidade de fim dos estaduais não existe. Se acabar, vão sobrar 60 clubes no País, o que não pode é reduzir a um tamanho os estaduais a ponto de não ser rentável aos clubes do Interior. O problema não são os estaduais, isso para a gente é algo certo.

JC - Com 16 clubes em cada Série - A1, A2 e A3, o acesso e descenso pode voltar a ser de quatro clubes?

Reinaldo - As estatísticas mostram que subir e cair quatro clubes de cada divisão é um exagero. A gente tem analisado muito e, muitas vezes, os quatro que subiam caiam, ou pelo menos três. A gente não pode piorar o nível técnico das competições. Até porque quando você faz quatro subirem, são quatro que estão caindo. No momento vão subir e cair dois clubes por divisão, chegar a quatro de novo é muito difícil até porque são menos equipes agora. Uma reivindicação de parte dos clubes é para que sejam três vagas de acesso e rebaixamento, mas não é o pensamento de todos, muitos entendem que dois caindo e dois subindo é o ideal, é melhor estar em uma divisão estável do que ficar subindo e caindo todo ano.