Brasília - Um dos principais auxiliares do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), começou a desagradar a aliados do núcleo do novo governo. Integrantes do DEM e do PSL reclamam da falta de interlocução com Onyx.
Bolsonaro tenta desobstruir seu canal com os parlamentares e escalou o novo chefe da Casa Civil para conversar com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O presidente eleito havia desmarcado encontro com Maia e com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), durante a semana, sinalizando que a relação com o Legislativo não era prioridade da transição.
Aliados do capitão reformado, porém, dizem que o desconforto mudou de patamar após alguns episódios e alcançou deputados e senadores do PSL e do próprio partido de Onyx, o DEM.
O principal argumento é que Onyx não atende ligações e não trabalha para melhorar seu trânsito no Congresso. Segundo parlamentares, é mais fácil falar com Bolsonaro.
A relação do deputado gaúcho com líderes da Câmara nunca foi boa, mas piorou bastante. O capital político de Onyx é ainda mais estreito no Senado. Eunício, por exemplo, afirmou a aliados de Bolsonaro que conversa com "qualquer pessoa", menos com o futuro ministro da Casa Civil e com o senador Magno Malta (PR-ES), que também pode assumir um cargo na Esplanada.
Aliados do presidente eleito não concordam com a estratégia de isolar Eunício. Parlamentares mais experientes dizem que é preciso cautela.