09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Fascismo para iniciantes!

Cesar Augusto Teixeira de Carvalho - Prof. Dr. aposentado do Dep. de Engenharia Civil - Faculdade de Engenharia da Unesp - Bauru SP
| Tempo de leitura: 4 min

Fascismo é o xingamento da moda! Talvez porque soa bem, e a pessoa que xinga se sente poderosa: "Aquele capitalista é um fascista"!

Nossa, me realizei!

Pelo jeito, na cultura popular "fascismo" virou sinônimo de qualquer coisa ruim. Creio que esta interpretação tem a ver com um aspecto do governo Fascista de Mussolini na Itália, onde sua tropa de choque - os "camisas pretas" - saia dando pancada em todos que causavam algum problema ao sistema. Na mesma época, isso também acontecia com a tropa de choque do governo Nazista de Hitler na Alemanha, que também espancava os adversários, principalmente os judeus. Mas há também quem defenda outra tese: a de que esta conexão "fascismo & brutalidade" deriva do fato de que estes grupos partidários de Mussolini e Hitler odiavam os comunistas. E que isso foi explorado pelos próprios comunistas ao se colocar como "vítimas" destes grupos, carimbando com a marca de "fascistas" a todos que se opunham a eles. Pode até ser, pois a verdade popular normalmente tem origem incerta, podendo vir de vários fatos independentes, e correndo de boca em boca sem que se possa controlar. Mas é bom também lembrar que, naquela época, "socialistas e comunistas" não caminhavam juntos, como acontece atualmente: hoje, são parceiros e defendem teses que se interagem e até se complementam.

Na verdade, essa violência dos fascistas é a parte visível que ficou na memória popular, mas o "Sistema Fascista" em si é outra coisa, e tinha uma estrutura bem delineada. Tomando como referência o fascismo de Mussolini e o socialismo de Lênin, ambos são sistemas de governo totalitários, onde um grupo toma de assalto o Estado e passa a controlar tudo. Nestes dois sistemas não há democracia, não há parlamento soberano, não há eleições livres, e eles se diferenciam apenas em alguns aspectos, mas, em ambos existe um líder concentrando um poder fantástico, conhecido como "ditador". Na comparação desses sistemas com o nosso velho e bom "capitalismo democrático", aqui no Brasil temos a vantagem de ter o Estado com o poder fracionado (Executivo, Legislativo e Judiciário), justamente para evitar a concentração que poderia resultar no poder absoluto. Além disso, caso o Executivo (aqui, o Presidente) extrapole em suas funções, pode sofrer "impeachment" do Legislativo (aqui, o Congresso) com o aval do Judiciário.

Assim, lembramos que no nosso sistema capitalista vivenciamos uma democracia onde as pessoas têm liberdade de conviver dentro das regras (leis) republicanas definidas por representantes escolhidos por nós mesmos. Nele pode-se empreender montando um restaurante ou um jornal independente e divulgar a notícia que quiser. Também existe a propriedade privada, o que permite a todos ter sua casa e seu carro, e a produção e distribuição dos alimentos seguem as regras do livre mercado. Já no socialismo de Lênin, não havia propriedade privada e o Estado era dono de tudo: era dono da liberdade das pessoas, das suas casas, e empreender ou ter carro nem pensar. Era o Estado socialista que produzia e distribuía os alimentos à população, e a liberdade de imprensa não existia, uma vez que o único jornal possível era estatal, e não havia meios de se contestar nada. No fascismo de Mussolini havia mais ilusão de liberdade. A propriedade privada existia com as pessoas podendo ter sua casa e seu carro, e era possível também empreender montando uma loja ou uma fábrica. Mas, a liberdade era restrita as questões banais do cotidiano que não prejudicassem o governo, e em questões importantes como, por exemplo, referente a mídia e aos sindicatos, deveriam seguir as regras ditadas pelo sistema fascista. Ou seja: o Estado fascista não era dono de tudo como o socialista, mas controlava tudo.

Apesar destas conceituações baseadas na história, existem por ai algumas contradições como, por exemplo: o Nazismo (junção de "Nacional e Socialismo") de Hitler, apesar de ter Socialismo no nome, seu modo de ser estava mais para o Fascismo de Mussolini do que para o Socialismo de Lênin. Isto se justifica, pois eram semelhantes os controles que estes sistemas exerciam sobre o cotidiano das pessoas e da propriedade privada, em especial da mídia, dos sindicatos e de suas empresas, principalmente as estratégicas. Como também se verifica, apesar da moda atual ser os "socialistas xingarem de fascistas os capitalistas", na verdade isto não tem nenhum sentido, pois os sistemas "socialistas e fascistas" são muito parecidos entre si - ambos são totalitários e controlam a sociedade de algum modo - e, na realidade, ambos detestam mesmo é a liberdade que existe no capitalismo.