09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

'Menos Médicos' e o feldscher

Olivo Costa Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Prezado jornalista Zarcillo Barbosa, sou leitor assíduo da sua publicação dominical, no Jornal da Cidade. Muito embora não concorde com tudo o que o sr. escreve, mesmo assim continuo seu admirador.

No seu artigo de 18/11/2018, o título Novo Governo lança o "Menos Médicos", não combina com o conteúdo, uma vez que a atitude de encerrar o programa "Mais Médicos" partiu, como o sr. bem escreveu, do atual presidente de Cuba, sr. Miguel Diaz - Camel, sabe Deus com que intenções.

O presidente eleito, sr. Jair Messias Bolsonaro, só tomará posse em 1 de janeiro de 2019 e o sr. Camel assim agiu baseado numa promessa de campanha do sr. Bolsonaro.

Esse programa já surgiu errado, passando como um trator sobre as leis trabalhistas brasileiras que não permitem que 70% do salário de um trabalhador seja direcionado para terceiros e que trabalhem sem carteira assinada, ou seja, o próprio governo fazendo aquilo que ele proíbe.

A ex-presidente Dilma também não deu bola para a Associação Médica Brasileira, que exige que todos os médicos formados no exterior (inclusive os brasileiros) façam a revalidação dos seus diplomas para terem condições de trabalhar no Brasil.

Mas como revalidar o que não existe. A origem dos profissionais cubanos que o sr. chama de médicos no seu artigo remonta à antiga União Soviética, onde existia no serviço público de saúde a figura do Feldscher, profissionais formados em saúde básica que intermediavam o acesso do povo de áreas remotas, rurais ou periféricas, à saúde básica.

Eram uma espécie de práticos da saúde ou paramédicos que exerciam cuidados básicos, sem serem médicos, iguais aos profissionais cubanos.

Sua formação é curta, quatro anos, e envolve treinamento em noções básicas de medicina interna, serviço de ambulância e emergência pré-hospitalar. É um treinamento de nível técnico envolvendo cuidados básicos da saúde e técnicas de enfermagem.

Cuba chama esses feldscher de "médicos", inflando artificialmente a sua população de médicos e que podem ser usados como agentes de propaganda de sua revolução e de seus interesses dentro e fora do seu território, ou num alinhamento ideológico entre regimes usando os "servos do povo" a um custo altíssimo e evitando a criação de uma carreira pública para médicos de verdade, enchendo os cofres cubanos com bilhões de dólares.

Achei que essa informação seria útil para completar tão importante artigo.