09 de julho de 2026
Regional

Cidades concentram ações em represas para evitar enchentes

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Prefeitura de Lençóis Paulista/Divulgação
Assim como no ano passado, três represas na região de Lençóis Paulista serão rebaixadas

Com a aproximação do período de chuvas fortes, municípios da região preparam uma série de ações para reduzir riscos de enchentes. Em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) e Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), onde inundações recentes deixaram um saldo de morte e destruição, os trabalhos preventivos da Defesa Civil se concentram nas represas, que ajudam a conter o volume de água que chegaria aos rios.

Em Lençóis Paulista, no último final de semana, técnicos do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) e membros da Defesa Civil e do Conselho Técnico do Comitê Gestor da Bacia Hidrográfica do Rio Lençóis (CGBH-RL) visitaram reservatórios que serão rebaixados nos próximos dias para servirem como contenção das chuvas entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019, período considerado crítico.

O chamado Procedimento Padrão de Monitoramento Climático e Ambiental (PPMCA) será homologado pelo presidente do CGBH-RL e prefeito de Lençóis Paulista, Anderson Prado de Lima (PSB), e encaminhado ao Ministério Público (MP), que acompanha os trabalhos do grupo por meio de um dos inquéritos ainda em andamento sobre a inundação que atingiu a cidade em 2016.

"Esse trabalho conjunto entre Defesa Civil, SAAE e Comitê Gestor da Bacia, órgão que reúne também vários municípios e empresas da nossa região, é fundamental para minimizar os efeitos da chuva. O rebaixamento das represas se mostrou muito eficiente no ano passado e também será feito neste ano. Essa é uma ação concreta para combater as enchentes", diz Prado.

"No entanto, como presidente do Comitê e prefeito de Lençóis Paulista, é minha responsabilidade pedir à população que mora, trabalha ou têm negócios nessa região que fique alerta. Estamos todos empenhados para amenizar os efeitos das chuvas, mas essa é uma ação de longo prazo que começou há apenas dois anos. Já conseguimos avanços importantes, mas esses avanços não podem dar a ilusão de que o problema foi resolvido".

NÚMEROS

O CGBH-RL explica que o sistema empregado em 2017 e 2018 voltará a ser utilizado no período crítico de 2019, com monitoramento online do escoamento do rio Lençóis, previsão usando a carta meteorológica da bacia do rio Lençóis e contenção de 1 milhão de metros cúbicos de chuva em oito reservatórios que ficam em três municípios da bacia do rio Lençóis.

Com esse sistema, segundo o especialista em recursos hídricos, Sidney Aguiar, coordenador técnico de Recursos Hídricos do SAAE de Lençóis Paulista e presidente do Conselho Técnico do CGBH-RL, eventual risco de transbordo da calha do rio Lençóis poderá ser previsto com 12 horas de antecedência.

"Com o sistema empregado, é possível realizar uma transposição de volume do rio Lençóis em duas horas movimentando um volume de 50.000m3/hora da montante para jusante e podendo evitar transbordos da calha para volumes precipitados de até 130 mm/m2", anuncia. Ele ressalta, contudo, que ainda há risco de inundações em áreas urbanizadas em Lençóis Paulista e São Manuel.

Próximos passos

A partir de 2019, o biólogo Antônio Carlos Perucci Junior, que é coordenador de Meio Ambiente da Prefeitura de Macatuba e secretário-executivo do CGBH-RL, explica que o Comitê pretende intensificar a construção de uma agenda unificada de gestão de águas para a bacia do rio Lençóis com o objetivo de estabelecer ativos ambientais efetivos e maior controle sobre esses eventos climáticos. "Nós queremos trabalhar de forma conjunta para a conservação da bacia hidrográfica como um todo", declara.

Defesa Civil de Pederneiras inspeciona represas

Prefeitura de Pederneiras/Divulgação
Defesa Civil de Pederneiras analisou as condições de 28 represas

A Defesa Civil de Pederneiras realizou no final de semana trabalho de inspeção de 28 represas que fazem parte da bacia do Ribeirão Pederneiras e estão situadas a montante, ou seja, acima do município. O objetivo foi conhecer a real situação das represas e, com isso, evitar possíveis desastres provocados neste período de aumento das chuvas.

Foram analisadas as condições do aterro, os vertedouros e o mapeamento das represas. Todas as informações coletadas serão utilizadas para elaborar laudo de vistoria que será encaminhado para o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE), responsável por fiscalizar os cursos d'água do estado.

"É uma das etapas de um trabalho que estamos fazendo para a mitigação de desastres em Pederneiras. São várias frentes de trabalho e as vistorias das represas são muito importantes, pois elas são afluentes do Ribeirão Pederneiras, que corta a cidade. Ou seja, as represas precisam estar em boas condições para que não rompam e causem problemas para o nosso município em dias de chuva forte", explica o coordenador da Defesa Civil, Sílvio Aparecido Bueno.

Além do trabalho de inspeção das represas, a prefeitura também está adotando outras medidas emergenciais para evitar enchentes, como a limpeza das bocas de lobo, roçagem da vegetação lateral das partes mais críticas do Ribeirão Pederneiras e limpeza da vegetação do Córrego Monjolo, que passa por obras de alargamento para aumentar sua vazão.

A força-tarefa programada pela prefeitura também inclui a recuperação do acesso Pedro Lopes Torres (via de acesso a Itatingui/Pedreira Fortaleza), que ficará interditado por 15 dias para a substituição dos antigos tubos da ponte por aduelas, que irão aumentar sua vazão.