A cultura da mídia. Vivemos em plena era da globalização. Os meios de comunicação social multiplicaram-se e se aperfeiçoam espantosamente. Penetram nas florestas de cimento, nos casebres das favelas, nos ranchos perdidos dois rincões mais remotos deste imenso Brasil. As árvores, ao longo das estradas, que antes eram palco das pombas juritis, ximangos, bem-te-vis, joões de barro, sabiás, agora ostentam cartazes das últimas modas e eleições. Na lavoura, o plantio, a colheita é sonorizada pela música do radinho de pilha pendurado num galho de árvore ou no rabicho do arado. O caminhoneiro nunca viaja sozinho. Até os trabalhadores das construção civil, em meio às marteladas e ao ruído das máquinas, não dispensem o rádio. Nem é preciso mencionar as domésticas, que varrem, lavam, cozinham ao som da música. Realmente os meios de comunicação social são onipresentes. Não pedem licença, nem escolhem hora. Mesmo assim os consideramos sempre bem vindos. Conferem-nos certo ar de importância, como se fizéssemos parte desse maravilhoso e fantástico mundo - o mundo dos sonhos - que nos é imposto subliminarmente.
Para muitos, os meios de comunicação são o principal, se não o único meio de informação, de orientação e inspiração para os comportamentos individuais, familiares e sociais. As novas gerações são as mais condicionadas por esses "mestres" despóticos. Desponta no mundo uma nova cultura, a cultura da mídia. Não pelo conteúdo que apresenta, mais simplesmente porque existem novas técnicas de comunicação, com novas formas de linguagem, que mascaram novos comportamentos sociológicos, até morais e religiosos. Esse papel excepcional que a mídia desempenha na formação do mundo, da cultura e da mentalidade tem provocado mudanças profundas e surpreendentes nas famílias e comunidades brasileiras. O grande desafio de todos os Cristãos, é transformar a poderosa influência dos meios de comunicação em instrumento de evangelização. Qual será nossa participação? Antes de mais nada, é preciso formar uma consciência critica, para não nos tornarmos meros consumidores de tudo o que se produz. Selecionar canais, emissoras, programas que respeitem os valores cristãos. Priorizar o que é "nosso". Que as novelas não tomem os lugares das orações, dos compromissos outros. Somos o maior país católico do mundo e não aproveitamos todos os nossos recursos. Não somos capazes de nos impor com nossos periódicos, revistas, rádios e tevês. Por que? Porque nos falta convicção religiosa. Consumimos, como os demais, o que a grande mídia produz. "As nossas coisas" ficam em segundo plano. A mídia produz o que o público consome. Nós poderíamos comandar a produção, porque somos a maioria. Basta a coerência de "rejeitas o que não convém ao bom cristão e abraçar tudo o que é digno desse nome".