Veja o vídeo da hora dos disparos. Cenas fortes.
| Ricardo Lima/Reuters | |
| Segundo a polícia, agentes entraram na igreja e dispararam contra o homem. Ele, então, teria caído no chão e se matado em seguida |
Um homem entrou armado na Catedral Metropolitana de Campinas, por volta das 13h desta terça-feira (11), e abriu fogo contra oito pessoas que estavam rezando no local. Quatro morreram e as outras foram socorridas. Segundo a polícia, agentes entraram na igreja e dispararam contra o homem, que foi atingido na perna. Ele, então, teria caído no chão e se matado em seguida.
O atirador foi identificado como Euler Fernando Grandolpho. Segundo o delegado José Henrique Ventura, diretor do Departamento de Polícia Judiciária São Paulo Interior 2 (Deinter 2), Grandolpho, de 49 anos, era de Valinhos, também no Interior de São Paulo, e não tinha antecedentes criminais. "A profissão dele, ao que parece, era analista de sistemas", disse em entrevista coletiva na tarde desta terça. "Com a identificação, vamos investigar agora a motivação (do crime)."
Uma mochila de Grandolpho, com documentos, foi encontrada no interior da catedral. A polícia investiga onde e com quem Grandolpho morava. "O vídeo que temos (mostra) ele dentro da igreja, o que prova que estava sozinho", disse Ventura. Segundo o delegado, o atirador nunca havia sido visto na igreja.
A catedral fica na região central de Campinas, e houve corre-corre na hora do ataque, no início da tarde, principalmente na rua 13 de Maio, uma das mais movimentadas do comércio local.
O autor dos disparos usou uma pistola e um revólver. "Ele não chegou atirando. Ele estava sentado, parado e quando se levantou começou a atirar nas pessoas", disse o delegado Hamilton Caviola Filho, do 1º DP de Campinas, responsável pelo policiamento na região.
De acordo com o comandante do 8º Batalhão em Campinas, Major Adriano Augusto, em entrevista à GloboNews, policiais entraram na catedral após ouvir os disparos e atingiram o atirador, que caiu. Em seguida, o homem teria atirado contra a própria cabeça.
Na hora do ataque, a polícia estava mobilizada para um roubo a banco no centro. Várias viaturas da polícia cercaram a região.
| Natalia Piassentini/Reuters | |
| Arquidiocese de Campinas informou que a catedral segue fechada e que motivação do crime ainda é desconhecida |
Vítimas
Atingidos pelo atirador, José Eudes Gonzaga Ferreira, 68 anos, Eupidio Alves Coutinho, 67 anos, Sidnei Vitor Monteiro, 39 anos, e Cristofer Gonçalves dos Santos, 38 anos, não resistiram aos ferimentos e morreram no local. Outras quatro pessoas foram baleadas e socorridas pelos bombeiros e pelos médicos do Samu.
Silvio Antônio Monteiro, 47 anos, deixou a mãe Jandira Prado Monteiro, 62 anos, dona de casa, no ponto de ônibus e ela seguiu para o centro de Campinas onde se encontraria com o filho Sidnei para irem ao dentista juntos. Ambos combinaram de se encontrar na catedral. Mãe e filho moravam em Hortolândia.
"Eu não consigo acreditar no que aconteceu. Hoje é meu aniversário e olhem o presente que ganhei", disse. A mãe precisou operar a mão e clavícula. Passa bem, mas não sabe que o filho morreu.
Sidnei era eletricista na Unicamp, casado e tinha uma enteada. Era o caçula de três filhos de dona Jandira e seu Milton Candido Monteiro, 71 anos, que também trabalha na Unicamp. ??
O irmão soube da tragédia quando recebeu ligações do hospital no celular, mas como estava trabalhando não conseguiu atender. Mais tarde foi contatado de novo e levado para o hospital
"Era o caçula querido. E uma mulher que só sai para ir à Igreja e ao dentista acontecer uma coisa dessas? Meu Deus", diz ele.
Silvio estava no trabalho quando, por volta das 14h30, recebeu ligações do hospital contando que a mãe e o irmão foram vitimados. "Aí veio o aperto", afirma. "Ela (mãe) fala dez vezes por hora no nome dele (Sidnei). A gente diz que está bem, não sabemos como contar. A família está destruída."
A empregada doméstica Edna Rodrigues, 58 anos, soube do atentado quando viu a notícia na TV, no trabalho. "Fiquei apavorada. Minha irmã não sai da igreja", disse ela, sobre a irmã, Lourdes, 78 anos. Recebeu ligações da família dizendo que a irmã estaria morta e correu para o IML do cemitério dos Amarais. "Eu vim para cá, outro foi para outro cemitério, outro foi para o hospital. Ficamos desesperados", conta.
No IML, soube que a irmã estava no hospital, em bom estado de saúde, que havia sido atingida de raspão e não precisaria ser operada.
"Graças a deus, que alívio. Mas não vou sair daqui. Quero ver a cara dele (atirador). O que ele fez não se faz."
Os bombeiros informaram que alguns dos sobreviventes passaram por cirurgia para a retirada dos projéteis que atingiram partes vitais. O estado de saúde deles não foi divulgado.
Em nota, a Arquidiocese de Campinas informou que a catedral segue fechada e que motivação do crime ainda é desconhecida. "Assim que dispusermos de mais informações, as disponibilizaremos. Contamos com as orações de todos neste momento de profunda dor."
Em nota, a Prefeitura de Campinas informou que mobilizou o Samu, a Rede Mário Gatti, a Guarda Municipal e a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) para atender às vítimas do ataque. No texto, a prefeitura disse que a prioridade no momento é "dar total atenção aos feridos e às famílias das vítimas".
Testemunhas ouviram vários disparos
A gerente de uma loja de alianças que fica perto da catedral ouviu o barulho dos disparos e se assustou. "Ouvimos muitos tiros, mais de 20. Ouvi, mas não estava entendendo. Só fui entender quando as pessoas entraram correndo e gritando dentro da loja", disse Patrícia Silvério, de 40 anos.
"Vi um senhor, todo ensanguentado, correndo, até que uma ambulância o segurou", disse Patrícia. Segundo ela, várias lojas das redondezas fecharam as portas e uma faixa amarela fez o isolamento do local.
Pedro Rodrigues estava dentro da Catedral e viu quando o atirador entrou na igreja e fez os disparos. "Era hora do almoço e fazia uns 5 minutos que a missa tinha acabado. Ele chegou com a arma em punho e saiu atirando. Sempre pensei que a igreja era um lugar seguro", disse Rodrigues.
'Ninguém pôde fazer nada', diz padre
Em um vídeo divulgado no Facebook na tarde desta terça-feira, o padre Amauri Thomazzi, que celebrou missa pouco antes do ataque, disse que todos estão abalados com o que aconteceu. "Eu rezei a missa do meio-dia e quinze. No final da missa, uma pessoa entrou atirando. Ninguém pôde fazer nada, ajudar de forma nenhuma", disse.
"Aos amigos que estão pedindo informações, estou mandando essa mensagem para dizer que está tudo bem aqui na catedral. Ainda não temos informações de como vai ser a programação da catedral hoje e amanhã", informou o padre Amauri. No fim do vídeo, o padre pediu oração para as pessoas que foram feridas e para o autor dos disparos.