| Fotos: Ricardo Lima/Reuters |
| Policial faz guarda antes de retirada de um corpo na porta da Catedral; perita recolhe cápsulas (abaixo) |
| Reprodução Facebook |
| Acima foto de Euler, o atirador que matou e morreu na igreja |
Quatro homens foram mortos e outras quatro pessoas feridas por um atirador na Catedral Metropolitana de Campinas (SP) no início da tarde de ontem. Criminoso, identificado como Euler Fernando Grandolpho, 49, entrou na igreja, sentou-se entre os fiéis e passou a disparar contra os presentes logo após o final da missa.
A Polícia Civil atuava também em Valinhos onde o atirador morava (a distância entre as duas cidades é de 13 km, a mesma que entre Bauru e Agudos). Ali começava a outra parte da investigação para o crime e a busca por motivação para o ataque, até agora desconhecida.
De acordo com o delegado José Henrique Ventura, de Campinas, o atirador não tinha passagens pela polícia. Segundo a Polícia Militar, o atirador se matou após o ataque - ele portava uma pistola 9 mm e mais um revólver calibre 38 - as duas armas estavam com as suas numerações raspadas. Foram ao menos 20 tiros.
COMO FOI
Os tiros foram disparados após a missa das 12h15, que é realizada no mesmo horário todos os dias. A PM diz ter registrado um chamado pelo 190 às 13h25. Uma câmera do circuito interno da catedral mostra ação do atirador. No vídeo ele de repente se levanta e passa a disparar contra um grupo de pessoas sentadas logo atrás dele.
O atirador em seguida caminha para a frente da igreja e começa a disparar contra os policiais que entraram na catedral para rendê-lo. Houve troca de tiros. Foi baleado na perna. Euler ainda teve tempo de trocar o pente da pistola até ser atingido no tórax. Caído, mas consciente, disparou contra a própria cabeça. Ele ainda tinha 28 balas em pentes na mochila.
REGIÃO COMERCIAL
O entorno da igreja, região comercial, estava cheio no momento do crime, devido à proximidade do Natal. Por isso, o policiamento na área também era reforçado, o que agilizou a chegada dos policiais ao local.
"A intenção era atirar. Ele já atirou 'fatalizando' as pessoas. Não tinha nenhum motivo específico que não fosse a loucura dele", disse o secretário municipal de Segurança de Campinas, Luiz Augusto Baggio.
AUTOR E VÍTIMAS
O autor do atentado morava com o pai, que é viúvo, no município de Valinhos, e foi auxiliar de promotoria, do MP-SP até 2014. Já teve uma empresa que atuava no ramo de motocicletas, peças e acessórios. Interrompeu suas atividades em julho deste ano. De acordo com conhecidos, era um homem "extremamente educado".
Atingidos pelo atirador foram José Eudes Gonzaga Ferreira, 68, Eupidio Alves Coutinho, 67, Sidnei Vitor Monteiro, 39, e Cristofer Gonçalves dos Santos, 38. Eles não resistiram aos ferimentos e morreram no local. Outras quatro pessoas foram baleadas e socorridas pelos bombeiros e pelos médicos do Samu. Silvio Monteiro, 47, deixou a mãe Jandira Prado Monteiro, 62, dona de casa, no ponto de ônibus e ela seguiu para o centro de Campinas onde se encontraria com o filho Sidnei para irem ao dentista juntos. Ambos combinaram de se encontrar na catedral. Mãe e filho moravam em Hortolândia.
"Eu não consigo acreditar no que aconteceu. Hoje é meu aniversário e olhem o presente que ganhei", disse. A mãe precisou operar a mão e clavícula. Passa bem mas não sabe que seu irmão morreu. "Dissemos a ela que ele está bem cuidado. Eles eram muito próximos, não sei como vai ser". Sidnei era eletricista na Unicamp, casado e tinha uma enteada. "Era o caçula querido. E uma mulher que só sai para ir à Igreja e ao dentista acontecer uma coisa dessas? Meu Deus", diz ele, casado há 50 anos.
Outros dois sobreviventes passariam por cirurgia e uma paciente estava fora de perigo.
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Quem presenciou
Moradora de rua Artemis José de Oliveira, 40, conta que viu os feridos saindo da igreja. "Ouvi os tiros e vi um senhor com sangue no ombro saindo e uma senhora também baleada que caiu na porta. A polícia saiu atirando na porta pra dentro da igreja. Teve troca de tiro", afirma. "Pensei nos fiéis da igreja que sempre nos ajudam. Foi horrível".
"Entrei na igreja, a missa já havia terminado. Alguns minutos depois o atirador entrou e se posicionou na frente de um casal e atirou", conta o aposentado Pedro Rodrigues, 66. "Eu saí correndo, não houve gritaria, apenas correria. E ele continuou atirando. Eu tenho muita sorte de estar vivo."
A assistente-administrativo Luciana de Oliveira, 36, disse ter ouvido um grande número de disparos, quando passava perto do templo. "Ouvimos muitos tiros e as pessoas gritando, chorando. Vimos o homem baleado no peito saindo de maca. Foi horrível".
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