| Fotos: Malavolta Jr. |
| A delegada Karen Dunder |
Devido à localização estratégica, a região de Bauru é considerada rota internacional do tráfico de drogas pela Polícia Federal (PF) do município, que já incinerou 8,525 toneladas de maconha de janeiro a novembro deste ano contra 2,304 toneladas de 2017 inteiro.
Não resta dúvida, portanto, que as apreensões, feitas pelas polícias Federal, Civil, Militar e Rodoviária de Bauru e outras 57 cidades do entorno, tiveram aumento significativo nos últimos meses.
| PF incinerou, no fim de novembro, 1,4 tonelada de maconha, conforme mostrou o JC: resultado de apreensões recentes |
Chefe da PF, em Bauru, a delegada Karen Cristina Dunder explica que esta tendência se aplica, principalmente, por conta do trabalho integrado entre as polícias.
Logo, segundo ela, tal estatística não quer dizer que o tráfico tenha crescido, mas sim que o serviço prestado pelas instituições está mais afinado.
Além disso, a quantidade de drogas apreendidas depende de cada ocorrência.
Tanto que, em 2016, a Polícia Federal incinerou 1,929 tonelada de maconha em Bauru e região, contra 16,976 toneladas da mesma substância de 2015.
"É difícil dizer que dobrou, triplicou ou algo do tipo, mas houve um disparo entre 2017 e 2018, que sequer terminou", reconhece.
A delegada afirma que a PF só dá continuidade às ocorrências - inclusive, incinerando os produtos apreendidos - em que há indícios de tráfico internacional de drogas.
Quando o caso é local, tal responsabilidade fica a cargo das polícias estaduais, que podem contar com o auxílio do Setor de Inteligência da Federal.
'CIRCUITO'
De acordo com Karen, outro fator que justifica o aumento das apreensões de maconha é o fato de a região ser rota internacional do tráfico de drogas porque fica bem no Centro do Estado de São Paulo.
A substância mais comum destas apreensões é a maconha, porque a maior parte da mercadoria sai do Paraguai e, necessariamente, passa pelo Centro do Estado de São Paulo, de onde é redistribuída.
"Os traficantes usam o Interior para realocar os entorpecentes ao Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Sul do País, afinal, esta região é rica em estradas e, consequentemente, em rotas alternativas", acrescenta.
Já a cocaína costuma ser produzida em países como Bolívia e Peru, mais distantes da região de Bauru, que, portanto, não pode ser considerada rota internacional desta droga.
Tal substância é mais cara e costuma ser transportada em menor quantidade. Para se ter ideia, de janeiro a novembro de 2018, foram flagrados 11,8 quilos da droga em Bauru e região contra 20 quilos do ano anterior inteiro. Em 2016, as polícias apreenderam 15 quilos e, em 2015, 101.
EM GRÃOS E SUCATA
Para a chefe da PF, em Bauru, tudo é válido para driblar a fiscalização.
Geralmente, a maconha, que sai do Paraguai, passa pela região em caminhões, veículos de transporte de passageiros e carros particulares.
Os veículos são adaptados para esconder tudo. "É comum encontrarmos drogas em fundos falsos ou em meio a grãos e sucata", revela.
Por outro lado, a Polícia Federal possui um trabalho de inteligência avançado, que, muitas vezes, consegue garantir o flagrante dos transportadores - as mulas, na linguagem do tráfico. Estas pessoas são indiciadas por tráfico internacional e associação para o tráfico, porque, em tese, têm noção de que carregam mercadoria ilícita.
"A pena é severa, girando em torno de 15 anos, mas é preciso rever a execução penal, que concede benefícios para reduzir a punição, fato que estimula a reincidência", finaliza.
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Suspeita e punição
Conforme mostrou o JC, em 28/11, a PF incinerou, em forno industrial, 1,453 tonelada de maconha oriunda das apreensões mais recentes.
Uma delas se deu em Agudos na tarde do dia 27 de outubro. Na ocasião, a Polícia Militar Rodoviária suspeitou de um caminhão, com placas do Rio Grande do Sul, que foi abordado no quilômetro 317 da rodovia Marechal Rondon (SP-300). O veículo chamou a atenção da corporação, porque rodava abaixo da velocidade permitida e estava, ainda, com a placa parcialmente coberta por barro.
Então, a polícia vistoriou o caminhão, que carregava açúcar à granel. Com um espeto, a corporação verificou a carga e encontrou diversos tabletes de maconha, que pesavam quase 1,4 tonelada. Indagado, o condutor do veículo disse que viajava de Maracaju (MS) rumo ao Guarujá. O homem foi preso.
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