| Samantha Ciuffa |
| Erica Malunguinho foi a primeira trans eleita para Assembleia |
A deputada estadual eleita Erica Malunguinho (PSOL) esteve em Bauru na última semana, após um evento em Birigui, e durante entrevista ao JC destacou algumas prioridades para o seu começo de atuação na Assembleia Legislativa no ano que vem. Artista plástica, ele é mestra em estética e história da arte pela USP e foi a primeira parlamentar transgênera eleita em nível estadual no País. Natural de Recife, em Pernambuco, está há vários anos na capital paulista, onde montou um espaço de valorização da cultura negra em meio a metrópole.
Aos 37 anos, Erica afirma que vai defender os direitos das minorias na Assembleia.
"Eu vou priorizar aquilo que me constrói enquanto cidadã, combater o racismo estrutural e o preconceito de gênero, políticas para as mulheres, LGBT, negros, indígenas... entender os problemas estruturais do País e do Estado é o centro da discussão. Após a eleição, conheci várias cidades e vou procurar estar mais perto de outras regiões além da Capital, onde já tenho um trabalho, procurar levar isso ao Interior da mesma maneira", cita.
O posicionamento de Erica vai contra a tentativa de redução de direitos das minorias, que segundo ela precisam de uma maior proteção pois já sofrem com as diferenças sociais e econômicas.
"O debate nos leva a um posicionamento, e precisamos de um projeto político e pedagógico, de modo que as pessoas estejam mais perto da política, a discussão deve estar no cotidiano, em todos os lugares se faz política. Hoje é necessário combater pautas conservadoras e que procuram diminuir os direitos das pessoas, isso envolve os partidos, organizações da sociedade, autoridades, coletivos, grupos a não permitir essa lógica segregacionista e separatista contra as minorias", enfatiza.
A nova parlamentar diz que a participação da população é relevante nesse processo.
"Na região, a gente pretende fortalecer e trazer o debate político, com mecanismos de participação da população, de maneira que as pessoas possam dizer a partir da realidade as demandas, quem está no cargo público deve escutar e pensar como podem agir para os avanços na sociedade. O nosso País tem uma segregação racial que vem desde a colonização, e precisa de reparação", frisa.
Por fim, ela diz que antes de fazer oposição, pretende manter um diálogo permanente.
"Eu diria que o termo oposição não é o mais adequado, passou a se chamar quem não está no governo de oposição, mas é um sentido na verdade mais amplo, de discutir os assuntos que a sociedade necessita. A violência contra a mulher, a reforma trabalhista, as políticas ao público LGTB, são assuntos que precisam estar na pauta das discussões atuais", conclui.