| Malavolta Jr. | |
| Fábio Manfrinato, José Roberto Segalla, Marcos Souza e Marcelo Malacrida hoje de manhã |
Em uma sessão rápida, de apenas 41 minutos, e com votação apertada, José Roberto Segalla (DEM) foi eleito ontem presidente da Câmara Municipal de Bauru para o próximo biênio (2019/2020). Integrante do grupo de oposição ao governo Clodoaldo Gazzetta (PSD), ele recebeu o apoio de nove dos 17 vereadores, obtendo a maioria dos votos.
Além de Segalla, apenas o nome do Pastor Luiz Barbosa (PRB) foi indicado na manhã de ontem para concorrer ao cargo. O parlamentar entrou em cena no lugar de Markinho Souza (PP), que recuou na última hora diante da inviabilidade de sua candidatura.
Ainda durante a sessão, Coronel Meira (PSB) foi eleito vice-presidente, Roger Barude (PPS) primeiro secretário e Yasmim Nascimento (PSC) segunda secretária. A solenidade de posse dos eleitos ocorrerá no dia 1 de janeiro de 2019, quando começa a gestão do biênio.
Os nove votos em Segalla vieram dos vereadores Mané Losila (PDT), Sandro Bussola (PDT), Yasmim, Roger Barude, Coronel Meira, Francisco Carlos de Góes - Carlão do Gás (MDB), Chiara Ranieri (DEM), além do seu e o da vereadora Telma Gobbi (SD), que indicou o nome do eleito.
Indicado por Ricardo Cabelo (PPS), Pastor Luiz recebeu oito votos: além dos dois supracitados, os de Luiz Carlos Bastazini (PV), Fábio Manfrinato (PP), Serginho Brum (PSD), Miltinho Sardin (PTB), Natalino Davi da Silva (PV) e Markinho Souza (PP).
A vitória de Segalla foi resultado da composição de dois grupos: parte da base do governo do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), incluindo Sandro, Mané e Roger, e o grupo independente do qual fazem parte Chiara, Segalla e Meira. As negociações para alcançar o número necessário de votos também incluíram Yasmim e Serginho Brum, que inicialmente ficariam com a indicação de primeiro e segundo secretários, respectivamente.
Brum, porém, retrocedeu e acabou migrando para o grupo de Pastor Luiz, o que levou o vereador Carlão do Gás a cumprimentá-lo ironicamente com um aperto de mão no momento de declarar seu voto em Segalla durante a sessão. Aliás, o próprio Carlão do Gás, cujo nome chegou a ser cotado para a presidência ao longo das tratativas, foi tentado a romper o acordo com Segalla, já que o grupo adversário chegou a oferecer a ele ainda na manhã de ontem, sem sucesso, a indicação ao principal cargo.
CONDIÇÕES
Minutos antes do início da sessão, Yasmim também foi procurada novamente para formar uma composição favorável ao governo, mas não cedeu. Durante as negociações das últimas semanas, Segalla também chegou a ser sondado para o cargo de presidência pelo grupo agora derrotado. A lista de condições impostas, segundo ele, fez com que as tratativas não avançassem.
"Desde o início, eu disse que não iria ser refém de nenhum compromisso. É até possível que várias reivindicações pretendidas por aquele grupo sejam discutidas e aprovadas nos próximos dois anos, mas não fazia sentido impô-las como condição. Aceitar este tipo de pressão não faz parte do meu perfil", citou ontem, em referência às estratégias de negociação reveladas nesta semana pela vereadora Chiara Ranieri (DEM), que envolveram aumento salarial dos vereadores, manutenção de indicados em cargos comissionados, troca de veículos e até a compra de celulares corporativos.
Em seu primeiro discurso na tribuna da Câmara como presidente eleito, Segalla agradeceu o voto das três vereadoras da Câmara, fazendo clara menção sobre a fidelidade delas à composição previamente estabelecida.
"Aprendi que as palavras dos homens, às vezes, não são mantidas. Mas as palavras das mulheres, não temam jamais: uma vez dada é mantida até o final. Homenageio as mulheres e agradeço o voto que me deram".
Com o desembarque de Brum, Meira foi alçado à indicação para a vice-presidência e Barude, que já é segundo secretário e não poderia ser reeleito, foi indicado a primeiro secretário.
O posicionamento de Yasmim à segunda secretaria não agradou a seu pai, o deputado estadual Celso Nascimento (PSC), presente no plenário.
Autonomia
Encerrado o período de discussões para a eleição da presidência da Mesa Diretora da Câmara, José Roberto Segalla pregou união entre os vereadores, destacando que todos devem trabalhar pelos interesses da coletividade e garantir a necessária autonomia do Legislativo bauruense. “Meu compromisso, na presidência, é dar a esta Casa a essência que a caracteriza, que é ser Poder, exercendo suas atividades de maneira independente, fiscalizando e sendo fiscalizada pelos outros dois poderes (Executivo e Judiciário)”, pontua.
Neste sentido, o presidente eleito garantiu que manterá diálogo aberto com o Poder Executivo municipal, com apoio da Casa para aprovar todas as medidas que propuser e que forem, de fato, boas para Bauru. “Nossa prioridade é estabelecer um relacionamento de alto nível com o Executivo. A Câmara não estará disposta a ser submissa ao Executivo, a não ter a altivez que o Poder Legislativo deve ter. E não irá criar nenhum tipo de problema, sempre que o Executivo nos respeitar como Poder”, afirmou.
Eleito vice-presidente, o vereador Coronel Meira adotou o mesmo tom em entrevista aos jornalistas, criticando, inclusive, o provável arquivamento do pedido feito por ele, de criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o pagamento da prefeitura ao proprietário de um lote na região Oeste da cidade. “O Poder Legislativo não é, a meu ver, um lugar onde se negocia as coisas, mas sim onde se discute os problemas da cidade. Temos a incumbência de defender os interesses da população e fazer uma fiscalização rigorosa do Executivo”, completou.