09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Apenas um passeio!

Sônyah Moreira
| Tempo de leitura: 2 min

À tarde está linda, o céu de cor alaranjada, lembra uma fogueira ardente, o silêncio nos traz paz, conseguimos ouvir as batidas do próprio coração. Apenas um passeio! Um lugar lotado, porém silencioso, pessoas importantes e anônimas, estão juntas neste lugar de uma beleza ambígua.

Apenas um passeio! Normalmente não precisamos de convite para empreender este passeio, é natural ir à revelia, tal incursão não é prazerosa!

Apenas um passeio! É deveras difícil declinar de tal peregrinação! Ao longo do passeio, podemos perceber um misto de emoções, tais como arrependimentos, raiva, revolta, sentimentos mundanos. Em determinado momento da ambulação, percebemos que os passos se aceleram, quase uma corrida! Apenas um passeio!

É bem curioso este lugar, as alamedas são como labirintos, as construções revelam algo de seus moradores, algumas são bem cuidadas e majestosas, outras nem o nome do proprietário possuem já estão com suas paredes desgastadas.

Apenas um passeio! Engraçado este lugar! Não existe diferença entre raças, condição social, nada os difere entre si, e todos estão na mesma condição, apesar da diferença arquitetônica das construções.

Apenas um passeio! Este lugar tem a capacidade de nos fazer refletir sobre a vida, estranho que aqui conseguimos parar nossa correria diária e perceber o que normalmente é despercebido.

Apenas um passeio! Para este passeio específico não há planejamento, deixamos tudo de lado para ir, postergamos os compromissos, volto a lembrá-los que, na maioria das vezes, gostaríamos de declinar do convite. Apenas um passeio! Olhando atentamente as construções, percebemos que, existem apenas três informações nas fachadas, outras nem isso, já se apagaram.

Apenas um passeio! As informações constantes são irremediavelmente iguais, em todas elas existe apenas; o nome, a data de nascimento e a data de falecimento.

Apenas um passeio! Nada difere uns dos outros. Apenas um passeio! Este lugar ambíguo, ora majestoso, ora fúnebre, nos faz perceber a fragilidade do adjetivo "insubstituível".

Todos nós, em algum momento, iremos fazer este passeio, seja como convidado, que de alguma forma poderemos declinar do convite; ou, como anfitrião, neste último caso, não haverá forma de recusar, vamos sem querer mesmo!

Apenas um passeio, que pode ser o derradeiro!