09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Papai Noel e o voluntariado

Hilário Nunes da Silva
| Tempo de leitura: 3 min

Quando fiz o curso de formação de soldados em Sorocaba, em 1982, eu tinha dois fios de cabelos brancos na cabeça, que eu arrancava, onde já se viu aos vinte anos com fios dessa cor? Todavia, o tempo inexorável na sua essência foi acrescentando mais e mais essa coloração, sempre adiantada em relação à minha idade, de maneira que em determinada época, não muitos anos depois, oito mais precisamente quando me casei com minha sempre linda Bibiana, precisei executar um procedimento que os cabeleireiros chamam de "banho de tinta" para não parecer o pai da noiva. Daquela época longínqua até os dias de hoje, a paina se instalou por completo, se locupletando dos pobres fios cor da graúna, avançando para a barba, bigode peitos e, por último, a mais resistente, mas já exaurida das forças, a sobrancelha.

Na realidade, nunca me importei muito com esse fato, eventualmente, devo confessar via amigos meus e aqui citarei o nome do Aparício, grande veterano da Polícia Militar, beirando os setenta e sem um único branco! Como disse, exceto raras vezes, quase nunca atinei sobre esse assunto, e após me reformar da "gloriosa", como dizem os veteranos, deixei a barba também, e aí começa a história do Papai Noel...

Claro que com essa característica peculiar fui sendo chamado de Noel, principalmente nesta época do ano, claro que nunca me importei, e até gosto, pois me remetia as coisas boas, puras e principalmente ia ao encontro das crianças. Vale lembrar que não sou contra quem tinge os cabelos, bigodes e barba etc, cada um tem seu jeito de ser e isso tem que ser respeitado, entretanto, nessa mesma linha entendo que o excesso a esse tipo e outros de apego é de mau agouro, pois chegará uma idade que a mudança de cor não fará a menor diferença, continuaremos parecendo idosos, só que com os cabelos de cor diferente dos de origem.

Como já disse, começaram a chamar-me de Noel e, para minha felicidade, fui solicitado pela diretora da escola infantil Lions Club para representar esse senhor tão querido. Nessa escola estuda um de meus acolhidos, esse termo "acolhido" vem de família acolhedora, que eu e minha esposa pertencemos. Muitas coisas se passaram na minha cabeça, medo de ser reconhecido, e vocês sabem, criança não mente. No dia da festa me incorporei com a tradicional vestimenta, auxiliado pela minha "elfa" e adorada filha, Bárbara. Foi deliciosamente maravilhoso! Abraços, beijos, pedidos, sorrisos sinceros, correria para ver o Noel, olhinhos brilhantes de pura alegria, também tiramos fotos! Mais de uma centena!

Ver aqueles pequenos bracinhos ao alto querendo um abraço, dizendo que sim, tinham se comportado, obedecido as professoras e pais. Imaginava algumas emoções, mas não tantas e tão espetaculares, até os pais conhecedores da verdade tiraram fotos com o Noel.

Acredito ser esse um bom caminho sem volta, tenho certeza que se assim Ele querer incorporarei outras vezes o Noel, sei que ganhei esse dom da boa espiritualidade e como todo dom, recebido por Ele, é de bom alvitre que seja feito de forma voluntariosa, pois como disse Jesus (Mateus 10), "dai de graça o que de graça recebeste", tenho certeza que dessa maneira estarei ajudando meu próximo e eu também, me deixando e deixando-os mais felizes, aliás, indo ao encontro a parábola de Jesus, O bom samaritano, leia, é curta e você me entenderá e saberá: Quem é nosso próximo? Entendam que este meu princípio de executar esta tarefa de maneira voluntariosa é um princípio meu, e respeito os casos contrários.

Como disse outras vezes, acredito que não estamos nesse mundo a passeio, o tempo está acabando, não haverá na terra em futuro próximo lugar para o egoísmo, orgulho, propulsores da maioria dos males. Vamos todos ajudar nosso próximo, deixando eles mais felizes, mas principalmente você é que ganhará com isso, mandando para os céus tijolinhos de luz!