08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ceia de Natal

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

O Natal se vai, presentes, festas e muitas comidas, árvores coloridas, as lojas e os grandes centros, hoje denominados shoppings centers, principalmente se enfeitam com decorações tão ricas e belas, que chegam a nos emocionar. Mas um dos "fenômenos" mais estranhos já acontece e o que deveria chamar a atenção nesta data não vem acontecendo: o presépio, cenário máximo que lembra o aniversariante desta data, cada vez mais se desvincula do dia 25 de dezembro. Mas o cenário humilde da manjedoura que acolheu Maria e José que fugiram para o Egito, pois na Judéia as crianças que nascessem nesta data, estariam correndo perigo de morte pelo rei Herodes, pois este se sentia ameaçado com o nascimento de uma criança que viria para mudar a história da humanidade.

E como a 2018 anos atrás já não era interessante que viesse um novo Rei pobre e humilde, nos dias atuais também não seria. O mundo evoluiu, mas o paradoxo do retrocesso é latente e o que interessa nos dias que se seguiram ao nascimento de Cristo não mudou muito, ou Cristo não teria sido crucificado como foi. Hoje, deixando o "niver" de Jesus Cristo de lado, prova-se que o que interessa mesmo é ver a economia bombar, junto ao consumismo exacerbado e a procura da felicidade apenas no beber e comer até não poder mais (ou como dizia a vó Zefinha: comer até alcançar com o dedo).

E todo ano se repete o mesmo fenômeno, quando durante quase todo o período somos uma pessoa, cada um na sua a lei do "cobra engolindo cobra", briga cerrada para ter mais e se manter no topo social e econômico, tudo para mim, nada pra vocês e, de repente o ano passou "Então é Natal, o que você fez, o ano termina e nasce outra vez.". E ficamos todos tocados, emotivos, verdadeiros "bons velhinhos"! Triste falar, mas apenas um teatro, um pedido de perdão que não se cumpre, pois na verdade não se dá tanto quanto não se recebe verdadeiramente, apenas uma trégua que fazemos para em troca também sermos beneficiados, para também sermos presenteados pelo que, na verdade, nunca o fizemos por merecimento.

Por essas e outras, não fiques triste ao saber que muitos passam as festividades solitários, sem presentes, sem parentes e sem nada entre parênteses, pois o Natal ou o Réveillon são apenas com as vésperas contadas, quatro dias, que você então resolve passar por processo de total transformação, mas de apenas efêmera duração, talvez como uma chuva forte de verão e, na verdade, o que se precisa é de bondade e solidariedade o ano todo, a vida toda, ou as pessoas só tem fome e outra necessidade básicas no Natal?

Então se puder ou quiser me responda, onde essas pessoas metamorfoseadas de "finalzinho de ano" ficam escondidas em dias comuns? Possivelmente em um casulo, hibernando até que o "espírito natalino" venha tirá-las do sono profundo.