10 de julho de 2026
Articulistas

Nem só de grana vive o homem

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

Recentemente assisti a uma entrevista da modelo brasileira Gisele Bündchen, em que ela disse ter sofrido de Síndrome do Pânico. O mais curioso foi o relato de que se sentiu "perdida" porque, de certa forma, pelo seu sucesso faltava um pouco de compaixão alheia.

Mais ou menos assim: "Você é rica, famosa, tem de tudo, portanto, não pode sofrer". Bem provável que você já tenha visto situações deste nível, em que pessoas com posses materiais falam de suas necessidades, ou fazem qualquer reclamação e alguém sai com uma dessas: "Mas está reclamando de quê? Tem de tudo na vida, deveria agradecer a Deus!"

Esse é um assunto pouco abordado e que revela uma mentalidade puramente materialista. É muito comum julgar que indivíduos com bons empregos, carros possantes e muita grana na conta bancária estão com a "vida ganha" e não têm mais qualquer necessidade. Como se a vida se resumisse à satisfação dos gozos da matéria. Logo, se as questões materiais estão satisfeitas, a vida está boa, plena e feliz.

Mas não é bem assim que a banda toca. É claro que as questões materiais têm sua importância e influenciam, decisivamente, nos níveis de felicidade do sujeito, mas temos de convir que tais questões estão bem longe de serem as mais importantes da existência humana.

Somos muito além da matéria, e em assim sendo, temos as nossas necessidades de ordem psíquica, física e espiritual que precisam ser contempladas para que experimentemos um pouco desta felicidade relativa num mundo como este. Se isto não fosse verdade teríamos a seguinte questão: quanto mais rico o indivíduo maior o seu nível de felicidade.

Entretanto, uma simples observação mostra que se uma boa posição financeira ajuda, esta posição, porém, não garante a paz de espírito advinda de dois pontos além matéria: Consciência tranquila e fé no futuro. Sem abraçar a consciência tranquila e a fé no futuro não há como vivenciar uma existência relativamente feliz.

Precisamos, então, olhar as pessoas de forma global, muito além da conta bancária e das questões materiais, pois é de uma extrema insensibilidade desprezarmos a dor do outro apenas porque ele tem sucesso no campo da matéria.

Olhar sempre o indivíduo de maneira sistêmica permite-nos livrar-nos da falta de compaixão alegada pela rica e famosa modelo brasileira, porque nem só de "grana" vive o homem.

O autor é colaborador de Opinião.