10 de julho de 2026
Cultura

As boas novas de Patricia Marx

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Biga Pessoa/Arte: Marcelo Barros
Patricia Marx em nova fase: plenitude experimental

Patricia Marx é de verdade.

Parece óbvio, já que todos somos, mas a ênfase se faz necessária em tempos de vidas virtuais e sucessos pré-fabricados. Ela canta e compõe o que realmente quer.

O resultado mais recente é "Nova" (gravadora Lab 344), décimo terceiro (!) álbum da artista, que reúne 14 faixas inéditas. 

Reprodução
Disco de 1988, o segundo: sucesso "Certo ou Errado"

"A fórmula que funciona... todo mundo faz. Acho isso um saco", raciocina e desabafa. "Busco criar. Acho mesmo que, assim, toda liberdade é bem-vinda".

Para clarear o entendimento sobre sua arte, contudo, arrisca uma definição. "Não penso em rótulos, mas talvez faça um soul experimental". Com erudito (!) em estruturação pop. Toques de música vibracional.

"Ousei mais nesse álbum. E o eletrônico facilita a gravação da ideia. A velocidade entre a ideia e a concretização... o eletrônico dinamiza". 

Nesse contexto geral de "cópia da cópia da cópia", como ela mesmo diz, Patricia tem apego ao original.

"Autoral é muito mais legal. E, no fim das contas, temos mais condição para criar dessa forma no mercado independente".

De sua casa em condomínio de Cotia "no meio da natureza", a criadora de hoje é fruto daquela Patricia que também já teve algumas bases fincadas em Londres (onde morou). Emplacou músicas na Europa e no Japão (territórios onde o novo trabalho deve aportar). 

Suas canções contam histórias com começo, meio e fim, mas sem pressa de encerrar o assunto. "Supernova", que abre o álbum, começa leve, quase uma vinheta lírica, de suavidade vocal sem letra.

É sucedida por "You Showed Me How", já conhecida desde maio, essa sim eletrônica, mas sem perda de sutilezas orgânicas. A bateria, por exemplo, parecia isso (eletrônica), mas Patricia trata de avisar que não. A faixa ficou pulsante e envolvente.

E assim esse lance artístico flui: com parceiros na composição, como Jair Oliveira em "Luz Numa Lágrima"; com a voz e a atitude do rapper francês/canadense Lou Piensa em "Dont't Break My Heart"; ou com o guitarrista norte-americano Paul Pesco (que já tocou com Madonna e Jennifer Lopes) no registro de "Dentro em Seu Lugar". Patricia parece ter encontrado o seu.

É um lugar musical de verdade.

SERVIÇO

Ouça, baixe: https://patriciamarx.lnk.to/nova

Você sabia?

Patricia, 44 anos, foi estrela do grupo Trem da Alegria nos anos 80.

Divulgação
Contracapa de disco do Trem da Alegria: explosão infantil