| Sergio Moraes/Reuters | |
| Michele, Jair Bolsonaro e Mourão |
| Ricardo Moraes/Reuters | |
| Jair Bolsonaro e a esposa Michele desfilam em carro aberto |
O presidente Jair Bolsonaro fez nesta terça-feira (1º) um discurso de posse marcado por temas da campanha eleitoral que o levou à Presidência e com a promessa de fortalecer a democracia e trazer para a economia a marca da confiança por meio da realização do que chamou de reformas estruturantes para criar um "círculo virtuoso" na economia.
Bolsonaro também prometeu construir uma sociedade sem discriminações e divisões e, ao levantar bandeiras de sua campanha eleitoral, a mais polarizada da história, defendeu a posse de armas de fogo por "cidadãos de bem" e disse que tirará o Brasil das "amarras ideológicas".
"Reafirmo meu compromisso de construir uma sociedade sem divisão", disse Bolsonaro no discurso logo depois de fazer o juramento e ser empossado pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), ao lado do general da reserva Hamilton Mourão, que tomou posse como vice-presidente.
"O cidadão de bem merece dispor de meios para se defender. Contamos com o apoio do Congresso Nacional para os policiais fazerem seu trabalho", acrescentou, ao retomar dois temas caros que defendeu na campanha que o elegeu no final de outubro.
Bolsonaro também fez uma sinalização aos parlamentares, convocando-os a aprovarem medidas econômicas importantes, como o que chamou de "reformas estruturantes", sem, no entanto, nomeá-las.
"Aproveito este momento solene e convoco cada um dos congressistas para me ajudarem na missão de restaurar e reerguer nossa pátria, libertando-a definitivamente do jugo da corrupção, da criminalidade, da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica", discursou Bolsonaro.
"Vamos valorizar o Parlamento resgatando a legitimidade e a credibilidade do Congresso Nacional. Na economia, traremos a marca da confiança, do interesse nacional, do livre mercado e da eficiência. Confiança no cumprimento de que o governo não gastará mais do que arrecada e na garantia de que as regras, os contratos e as propriedades serão respeitadas", afirmou o novo presidente.
Após ser empossado no Congresso, Bolsonaro seguiu para o Palácio do Planalto onde recebeu a faixa presidencial do agora ex-presidente Michel Temer. O novo presidente também fez um discurso à população que acompanha a cerimônia no Planalto.
| Adriano Machado/Reuters | |
| Presidente Jair Bolsonaro fala no Congresso durante a posse |
Posse
O presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro, e seu vice, general Hamilton Mourão, assinaram na tarde desta terça-feira (1º), em sessão extraordinária realizada no Congresso Nacional, em Brasília, o termo de posse para o mandato de 2019 a 2022.
"Estou casando com vocês", brincou o 38º presidente enquanto assinava o termo com parlamentares presentes, que o ovacionaram.
Pouco antes, durante a sessão comandada pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), Bolsonaro e seu vice leram o compromisso com a Constituição e ouviram do 1º secretário da mesa, deputado Fernando Giacobo (PR-PR), a leitura do termo de posse. Eles também cantaram o hino nacional.
Participaram da cerimônia o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli.
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| Bolsonaro passa em revista às tropas |
Trump elogia discurso de posse de Bolsonaro: 'os EUA estão com você!'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o discurso do presidente do Brasil Jair Bolsonaro. Em sua conta oficial no Twitter, Trump escreveu "parabéns ao presidente Jair Bolsonaro quem acabou de fazer um grande discurso de posse - os EUA estão com você!". A mensagem foi postada minutos após o término do discurso feito por Bolsonaro ao ser diplomado na Câmara dos Deputados.
A aproximação entre o governo de Trump e Bolsonaro tem sido costurada desde a eleição do brasileiro, no final de outubro. O presidente brasileiro deve se encontrar ainda hoje com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, encarregado de liderar a delegação americana que está em Brasília. Pompeo também irá se encontrar com o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, em Brasília.
Em novembro, após a eleição de Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente, fez uma visita aos Estados Unidos na qual teve reuniões com integrantes do governo americano. A intenção das reuniões foi mostrar disposição em estreitar os laços com os americanos e as relações comerciais entre os dois países.
Michelle Bolsonaro discursa em libras durante posse: 'brasileiro quer paz'
A primeira-dama Michelle Bolsonaro discursou na tarde desta terça-feira, 1, na cerimônia de posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Parlatório. Segundo Michelle, "as urnas foram claras. O cidadão brasileiro quer segurança, paz e prosperidade". O discurso foi feito em libras, linguagem brasileira de sinais, e traduzido por uma interprete.
Michele também aproveitou para agradecer a solidariedade da população ao seu marido durante o período de recuperação após o atentado em Juiz de Fora (MG). Emocionada, Michelle interrompeu o discurso em um momento e, em quebra de protocolo, beijou Bolsonaro duas vezes.
Na ocasião, a primeira-dama fez um aceno às pessoas com deficiência que, segundo ela, terão atenção especial neste governo. "Gostaria de me dirigir de forma especial à comunidade surda e de deficientes: vocês serão ouvidos", defendeu, e emendou: "trabalho de ajuda que sempre fez parte da minha vida e que a partir de agora, como primeira-dama, posso ampliar de maneira significativa".
O percurso
Eleito em outubro de 2018 com mais de 57 milhões de votos, Jair Bolsonaro tomou posse como presidente da República neste dia 1º de janeiro. A cerimônia teve início nesta tarde, com atos no Congresso Nacional, às 15h (horário de Brasília), e no Palácio do Planalto e no Itamaraty. O rito terá transmissão ao vivo da TV Brasil, a partir de 13h30 (assista no alto desta página)
Uma hora antes do início da cerimônia de posse, a Praça dos Três Poderes começou a encher. O público caminhou pela descida do Eixo Monumental, ao lado da Câmara dos Deputados.
O presidente eleito Jair Bolsonaro deixou a Catedral de Brasília, a primeira parada nesta tarde em que ele tomou posse como presidente da República, na Esplanada dos Ministérios em carro oficial.
Da Catedral, ele seguiu para o Congresso Nacional, em desfile de carro aberto, onde tomará posse no cargo. A primeira-dama Michele Bolsonaro e o filho e vereador Carlos Bolsonaro o acompanham no trajeto.
Bolsonaro chegou à Esplanada por volta da 14h40 e a comitiva presidencial fez o percurso até a Catedral pela contramão da via do Eixo Monumental, que está fechado desde a madrugada de sábado.
Saída
Às 14h24, horário da saída de Bolsonaro da Granja do Torto, cerca de 100 pessoas aguardavam a saída da comitiva presidencial. Apesar dos pedidos do público, o presidente não abaixou os vidros do carro.
Logo em seguida, todos correram para seus automóveis para tentar seguir em carreata o presidente eleito - a maioria, com destino à Praça dos Três Poderes.
O público tem origem de diversos Estados do País. Antes da partida, além de "Mito", gritavam nome de outros integrantes do novo governo, como Sérgio Moro e General Heleno, futuros ministros.
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| Presidente Jair Bolsonaro segue para a Catedral de Brasília |
| Ricardo Moraes/Reuters | |
| Os primeiros apoiadores do presidente Jair Bolsonaro chegaram por volta das 8h |
Apoiadores
Os primeiros apoiadores do presidente eleito Jair Bolsonaro chegaram por volta das 8h (horário de Brasília). Por volta das 12h, centenas estavam próximas às grades que oferecem a vista mais privilegiada da rampa do palácio.
Ao longo de toda a manhã, o público aplaudia cada comboio policial ou militar que passava em frente do Palácio do Planalto.
Por volta das 13h30, um caminhão do Corpo de Bombeiros jogou água nas pessoas próximas às grades e foi ovacionado.
Por meio de telões, os eleitores de Bolsonaro acompanharam ao vivo a transmissão da NBR, emissora da Empresa Brasil de Comunicação, que coordena a geração de imagens da posse. A cada aparição do presidente eleito, os aplausos aumentam.
Convidados preencheram o plenário da Câmara para a cerimônia de posse do presidente eleito Jair Bolsonaro. Entre os presentes, esteve o ex-presidente da República Fernando Collor, hoje senador do PTC pelo estado de Alagoas. Ele teve reservado um lugar na primeira fila.
No Salão Nobre do Palácio do Planalto, foram 480 convidados no local: inicialmente estavam previstos 400 convidados, mas o número foi revisto em função da demanda.
Dentre os convidados estavam parentes de Jair Bolsonaro, os novos ministros, prefeitos, governadores, parlamentares do Congresso Nacional e ex-presidentes da República.
A previsão é que Bolsonaro chegue ao Palácio do Planalto e suba a rampa às 16h30. No alto da rampa, o presidente Michel Temer estará esperando por ele.
Após a execução do Hino Nacional, Temer passará a faixa para seu sucessor e se despedirá de Bolsonaro, deixando o Planalto em seguida.
| Sergio Moraes/Reuters | |
| Por volta das 13h30, um caminhão do Corpo de Bombeiros jogou água nas pessoas próximas às grades e foi ovacionado |
Chefes de Estado usam redes sociais para reforçar vínculos com Brasil
Chefes de Estado que vieram ao Brasil para a posse do presidente Jair Bolsonaro se manifestaram nas redes sociais para desejar sorte e reforçar os vínculos entre seus países e a nação brasileira.
Pelo Twitter, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, publicou um vídeo em que aparece sorrindo no plenário do Congresso Nacional, de onde acompanhou o discurso de Bolsonaro. Ele disse estar orgulhoso em representar o Estado de Israel na cerimônia e destacou que tem um laço de amizade com o presidente brasileiro.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou ter convicção na relação do país com o Brasil. "Somos parceiros estratégicos que olham para o mesmo horizonte da #PatriaGrande", afirmou, na mesma rede social.
Outro presidente estrangeiro que se manifestou foi o paraguaio Marito Abdo, que também foi a Brasília. "Tenho certeza que continuaremos fortalecendo nossos vínculos", escreveu, ainda antes da cerimônia.
Representante do governo americano na posse, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirmou no Twitter estar "ansioso" por "testemunhar a pacífica transferência de poder em uma das mais fortes democracias da América Latina".
Vaias
Populares que acompanham a posse de Bolsonaro do lado de fora do Congresso receberam com vaias à apresentação dos componentes da mesa da cerimônia Rodrigo Maia; Eunício Oliveira (MDB-CE), presidente do Senado; e Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, foi, entretanto, aplaudida.
Ainda do lado de fora, apoiadores do presidente disputaram os melhores ângulos para registrar, por celular, chegada do novo presidente ao Congresso. A segurança está reforçada.
Atiradores de elite foram colocados sobre o Palácio do Itamaraty e em outros órgãos públicos de Brasília, no forte esquema de segurança, qualificado como o maior da história do País.
Posse de Bolsonaro tem menor número de delegações estrangeiras desde Collor
Os festejos da posse de Jair Bolsonaro na Presidência da República contabilizaram o menor número de delegações estrangeiras em cerimônias de primeiro mandato em quase três décadas. Neste ano, 46 delegações estrangeiras vieram à capital federal, segundo informou nesta tarde o Itamaraty. Desses, dez vieram lideradas por seus chefes de Estado ou governo.
Levantamento feito no acervo do Estadão mostra que à posse de Fernando Collor de Mello, em 1990, vieram 72 delegações estrangeiras. O jornal da época mostra que a grande estrela dessa festa foi o mandatário de Cuba, Fidel Castro, que fazia sua primeira visita ao Brasil. Ele chegou atrasado ao último compromisso da agenda do então presidente, José Sarney. De linha favorável aos Estados Unidos, a posse de Collor foi prestigiada pelo então vice-presidente, Dan Quayle.
Para a posse de Fernando Henrique Cardoso, em 1995, vieram 120 delegações. Fidel novamente prestigiou a festa, que teve direito a show de Daniela Mercury.
Novidade no cenário internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mereceu o deslocamento de 110 delegações estrangeiras para sua posse. Ele dividiu os holofotes com o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Dessa vez, os Estados Unidos enviaram seu representante comercial, Robert Zoellick, que havia se envolvido em um bate-boca com Lula na campanha eleitoral. O brasileiro ameaçava paralisar as negociações para formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Zoellick afirmou que, fazendo isso, o Brasil poderia fazer comércio com os pinguins da Antártida. Ao que Lula o classificou de "sub do sub".
A posse mais prestigiada em termos de presença estrangeira foi a de Dilma Rousseff, em 2011. O jornal do dia registra a presença de 130 delegações estrangeiras, das quais 32 lideradas por chefes de Estado ou de governo.