08 de julho de 2026
Nacional

Doria fala em mudanças e distribui 'alfinetadas'


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Fotos Públicas
João Doria tomou posse na Assembleia Legislativa ontem sem a presença de tucanos históricos

As cerimônias de posse e transmissão de cargo do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ontem, foram marcadas por ausências. Tucanos históricos e familiares de Doria foram as faltas mais notórias na Assembleia Legislativa e no Palácio dos Bandeirantes.

Falando em "enterrar a velha política" e distribuindo alfinetadas à ala mais tradicional de seu partido, o tucano não contou com as presenças dos ex-governadores Geraldo Alckmin, que o lançou na política, e José Serra. O único ex-governador a ir ao Palácio dos Bandeirantes foi o emedebista Luiz Antonio Fleury Filho, que apoiou Paulo Skaf (MDB) na disputa estadual.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presente em cerimônias anteriores de transmissão do cargo, também não esteve presente. O prefeito da capital paulista, Bruno Covas (PSDB-SP), que sucedeu Doria do Executivo municipal, foi outro que faltou aos eventos. A justificativa dada foi uma licença pessoal no primeiro dia do ano.

Entre os secretários, Gilberto Kassab, escolhido para a Casa Civil, não foi ao Palácio dos Bandeirantes e pediu licença do cargo para se defender de investigações. O vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (DEM), minimizou a ausência de Kassab na cerimônia de posse dos secretários do governo paulista no Palácio dos Bandeirantes. Garcia negou que a presença de Kassab causaria constrangimento ao governador. Garcia também não quis comentar a ausência do ex-governador Geraldo Alckmin, de quem foi secretário.

Os três filhos do tucano, João, Carolina e Felipe, também estavam ausentes. Ao discursar, Doria agradeceu à família e relatou que a sogra o telefonou entre um evento e outro para parabenizá-lo. O governador ficou acompanhado da esposa e primeira-dama, Bia Doria. 

2022

João Doria endureceu o discurso em prol de mudanças no PSDB durante discurso na cerimônia de transmissão do cargo no Palácio dos Bandeirantes. Doria declarou que o partido não vai "virar as costas" para o País e que deve apoiar as medidas do presidente eleito, Jair Bolsonaro. "Nada de apego ao passado. O passado é para ser respeitado, mas hoje o que vale é o presente", disse o tucano, em crítica indireta a governos tucanos anteriores. "E o PSDB, o meu partido, será um exemplo disso porque vai mudar e vai mudar para sintonizar à realidade da população do Estado e, se souber fazer isso em São Paulo, irá fazer também no Brasil."

No discurso, Doria citou o ex-governador Mário Covas como exemplo. Geraldo Alckmin e José Serra foram citados de forma protocolar em fala anterior, no discurso de posse na Assembleia Legislativa. Para o novo governador, a legenda tucana precisa de novas posições. Ele prometeu que seu governo vai "enterrar" a velha política.

Aliados de Doria ecoaram o discurso do tucano defendendo mudanças no PSDB e já o colocam como possível candidato à Presidência em 2022. "Acredito que ele está completamente focado no governo do Estado hoje, mas evidente que o governador de São Paulo sempre é um player dentro desse jogo", declarou o líder do PSDB na Assembleia Legislativa, Marco Vinholi.

'Vamos desestatizar tudo que for possível', diz governador em posse de secretários na Capital

Ao empossar seu secretariado, no Palácio dos Bandeirantes, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), frisou que vai desestatizar, privatizar, tudo o que for possível no Estado. "Não vamos gastar dinheiro público em áreas que podem dar melhores resultados quando geridas pela iniciativa privada", disse na manhã de ontem, em discurso marcado pelo tom do liberalismo econômico.

"Não tenho medo de cara feia. Vamos desestatizar e privatizar tudo que for possível. Com isso vamos liberar o governo para ajudar os mais pobres, e mais necessitados", afirmou, destacando que desenvolverá um amplo programa de desestatização, criando Parcerias Público Privadas (PPPs).

Dirigindo-se ao secretário da Fazenda de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, o governador disse que o convidou para o cargo para que cuide das contas públicas, faça a economia crescer e gere empregos. "Na economia, chamei o Meirelles para controlar as finanças e mantê-las no azul", afirmou.

"O crescimento de SP será a maior contribuição para governo que será empossado em Brasília", emendou, reforçando seu compromisso com a retomada da infraestrutura no Estado. O governador citou como exemplo a infraestrutura em transportes.

Doria disse que continuará a morar na sua casa. "Não quero fulanizar, mas agora as coisas vão mudar. O Palácio agora será casa de trabalho. Acabou os chás e cafezinhos aqui", exclamou o governador. "Não quero romaria de prefeitos, quero soluções para prefeituras", disse. Doria repetiu que doará seus salários a instituições. "O primeiro vai para a AACD, depois GRAAC", citou.

Segundo Doria, uma de suas missões será simplificar os serviços prestados pelo governo. Para isso, de acordo com ele, hoje os secretários terão que procurar implantar nas suas áreas o padrão "Poupatempo", de simplificação e agilidade na prestação de serviços.

"Se o Poupatempo faz, nós também podemos fazer", defendeu Doria, referindo-se a projeto inaugurado em 1997 no Estado para facilitar o acesso da população a informações e serviços públicos.

Ao secretariado, Doria disse que quem não funcionar será trocado, mas fez questão de dizer que São Paulo não tem só um time de secretários, mas uma "seleção".

"Governarei para todos os brasileiros de São Paulo. Vamos governar sem ideologia e assistencialismo. Vamos gerar empregos porque o que traz dignidade é o emprego", afirmou o governador. Ele acrescentou, no entanto, que seu governo vai ajudar os mais pobres e necessitados, incluindo dependentes químicos. "Mas isso não significa assistencialismo".

Reproduzindo o discurso de campanha, Doria falou que buscará implantar em seu governo uma gestão digitalizada. "O mundo está se digitalizando e os governos têm que estar sintonizado nisso", disse, acrescentando que a população brasileira escolheu uma nova política.

Doria fez questão de pontuar em várias partes de seu discurso que vai apoiar as iniciativas do governo federal de Jair Bolsonaro e que fará em São Paulo uma gestão municipalista, descentralizada, que confira mais poder aos prefeitos nas tomadas de decisões. "Vou apoiar o pacto federativo, a reforma fiscal. Vou trabalhar cada minuto pelos brasileiros de São Paulo", se comprometeu.