11 de julho de 2026
Esportes

Secretário de Esportes busca parcerias para desenvolver modalidades após redução no Orçamento

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 6 min

Malavolta Jr.
Com orçamento mais enxuto, Alexandre Zwicker afirma que Semel vai buscar parceria com a iniciativa privada

O novo secretário de Esportes, Alexandre Zwicker, assumiu o cargo há poucos dias, em substituição a Vanderlei Mazzuchini Jr., que passa a ser o gestor do Sendi/Bauru Basket. Os desafios são grandes e há um fator a mais em 2019, a redução do Orçamento da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) em comparação a este ano.

Para tentar contornar a situação, Zwicker afirma que a saída será ampliar as parcerias com a iniciativa privada e priorizar os locais públicos que receberão investimentos. A estimativa é que a pasta tenha apenas cerca de R$ 20 mil mensais para investir. Todo o restante da verba é usada no pagamento de salários e no custeio. A falta de recursos, que sempre foi um problema no esporte, deve ser ainda mais nítida no ano que vem.

Mesmo com a redução dos recursos da Semel, o Fundo Municipal de Desenvolvimento Esportivo continuará com valores semelhantes ao do último ano e a pasta tentará evitar cortes que atinjam as modalidades. Ainda assim, medidas como a cobrança de taxas de arbitragem das equipes do futebol amador vão acontecer, como forma de evitar mais gastos do que os já previstos.

Em 2018, a Semel teve um Orçamento previsto de R$ 16,5 milhões, porém R$ 5,9 milhões eram estimativas de investimento com recursos de fora, e a verba da pasta de forma direta era de R$ 8,4 milhões. Ainda havia mais R$ 2 milhões para o Fundo Municipal de Desenvolvimento Esportivo dentro desse volume, mas apenas R$ 800 mil foram usados. O restante acabou transferido para cobrir despesas de outras secretarias. Já no ano que vem, o Orçamento da Semel ficará em pouco mais de R$ 9 milhões, e deste total, R$ 836 mil são do Fundo, restando R$ 8,2 milhões para a secretaria.

Aos 44 anos de idade, Zwicker é advogado, foi diretor da Associação Bauruense de Desportos Aquáticos (ABDA) e estava há cinco meses como diretor de Esportes da Semel. A seguir, os principais trechos da entrevista com o secretário.

JC - Nestes cinco meses, o que já deu para conhecer da Semel?

Zwicker - Ao longo deste período, fizemos um levantamento de toda a estrutura da Semel, como estádios, ginásios, praças esportivas, para agora melhorar o atendimento ao cidadão. Hoje é possível identificar onde estão os problemas, local que ainda tem alguma falta de iluminação, de bebedouro, que precisa de manutenção. A gente criou um aplicativo em que as crianças que fazem parte de projetos da Semel estão cadastradas, e com isso conseguimos acompanhar quantas são, em quais regiões, por modalidade, e a ideia é mensurar os dados. Hoje são 14 mil pessoas fazendo algum esporte com o apoio da secretaria.

JC - No ano que vem, a verba da Semel será ainda mais reduzida. Como administrar com menos recursos?

Zwicker - A grande ideia da Semel é ter os equipamentos em perfeitas condições. Se a gente conseguir dar a condição de manter todos os equipamentos arrumados, já será um grande avanço para incentivar a prática esportiva. Com a redução da verba no esporte, o que vamos tentar é a parceria com a iniciativa privada, através da adoção e concessão de espaços públicos, uma vez que o poder público não consegue dar conta sozinho de toda a demanda.

JC - Já tem empresas interessadas na adoção de praças esportivas?

Zwicker - Sim, já tivemos a adoção de uma área, que é o campo do Jardim Petrópolis, foi adotado pela ABDA. Na verdade a associação já cuidava do estádio há cinco anos pelo menos, contudo a lei que permite a adoção de praças esportivas é recente, deste ano, e com isso foi oficializado agora. E tem uma associação interessada em adotar o Ginásio Guilherme Dal Colletto, usado pela ginástica artística, que ainda está em análise no Jurídico da prefeitura. Eu acredito que essa é uma boa possibilidade de cuidar dos espaços, mostrar para as empresas que elas podem ajudar o esporte.

JC - No futebol amador, os clubes passarão a pagar uma parte da arbitragem e há proposta de unificação dos campeonatos. Vocês de fato vão propor essa mudança?

Zwicker - A partir de 2019, os clubes vão ajudar na arbitragem da Copa Semel, cada time vai pagar R$ 100,00 por jogo e o custo da arbitragem ficará rateado entre a Semel e os clubes. Já a possibilidade de unificação dos campeonatos com a Liga Bauruense de Futebol Amador (LBFA) é algo que ainda é prematuro dizer se vai acontecer. Eles têm um campeonato grande, com duas divisões, há conversas e é possível, mas depende de avançar mais isso no futebol amador. Eu acho que seja quem for o organizador do campeonato, é importante começar a buscar outras formas de manter os custos. O futebol amador atrai muita gente, tem público, uma empresa poderia entrar como patrocinadora dos campeonatos e isso reduziria custos dos clubes e da secretaria. É uma alternativa, tem que ser avaliado. A Semel poderia até ajudar a organizar, como montar tabela, e deve disponibilizar os locais em boa condição, mas custear o campeonato é algo complicado, porque você paga o futebol, mas não faz o mesmo em outras modalidades.

JC - O Fundo Municipal de Desenvolvimento Esportivo segue com o mesmo valor?

Zwicker - Vai ser o mesmo montante desse ano. Estamos destinando R$ 100 mil para o paradesporto e R$ 800 mil para o esporte convencional. O que fizemos é colocar alguns critérios técnicos mais objetivos. Então quem disputa campeonatos nacionais e internacionais está em uma categoria, quem está em campeonatos regionais fica em uma outra categoria, iniciação outra. O objetivo é não ser algo subjetivo, e com isso aumentou o número de associações que vão receber o valor. Para algumas, um valor pequeno já é suficiente, outras precisam de mais.

JC - Na manutenção das praças esportivas, você falou em adoção e parcerias. Da parte do município, já estão definidos os locais que receberão recursos ano que vem?

Zwicker - A gente identificou algumas necessidades básicas, como pintura, iluminação, reforma de banheiros. Estamos buscando parcerias com a iniciativa privada para fazer em mais locais. Vamos fazer algumas reformas nos estádios Horácio Alves Cunha, Edmundo Clube, Nelson Reginato do Canto e Padilhão. Vamos colocar em condições de uso, no gramado, banheiros, alambrado. E nos ginásios, o que vamos fazer é uma reforma no Guilherme Dal Colletto, que é da ginástica artística. Nos outros estádios, terá que ficar para o outro ano, e nos demais ginásios, o do Bela Vista e do Santa Luzia, o que precisa mais é uma manutenção na parte de fora, e no do Geisel faremos algumas pequenas reformas.

Jogos Regionais e Jogos Abertos

O novo secretário de Esportes, Alexandre Zwicker, afirma que a pasta não vai trabalhar focando a disputa de Jogos Regionais e Jogos Abertos. "Participar dessas competições é importante, mas não podemos colocar isso como o objetivo principal. O Estado deveria rever o modelo desses Jogos, ser algo voltado para a formação, com limite de idade, algo até 20 anos, para incentivar a base. Da nossa parte, é isso que vamos fazer, está fora de possibilidade algo como trazer equipes de fora para competir pela cidade, é algo desnecessário. Vamos valorizar os atletas daqui e usar os Jogos Regionais e Jogos Abertos para que eles possam competir, mas as equipes devem procurar a participação em outras competições estaduais e nacionais", afirma.

Ele reitera ainda o fato de Bauru ter esporte de alto rendimento em várias modalidades, fato pouco comum em cidades do mesmo patamar. Na visão dele, a pasta deve ajudar a fomentar as modalidades, que precisam cada vez mais se profissionalizarem para ter acesso a recursos de leis de incentivo estaduais e federais.