11 de julho de 2026
Cultura

estilista bauruense Lívia Barros faz sucesso ao criar maiô dourado

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.
Bauruense Lívia Barros: sucesso com moda praia alternativa

Acreditando que toda que toda mulher pode ser diva e todas ficam lindas em um maiô dourado a estilista Lívia Barros encontrou, há cerca de três anos, na já amiga, a médica Janaína Azevedo, a parceria capaz de alavancar sua ideia fixa de fazer um maiô de praia dourado. Uma empreitada tão ousada quanto arriscada. Afinal, quem é que quer ir à praia de maiô dourado? Ou mesmo, quando quer, quem tem coragem de usar um?

Mas a intuição de Lívia martelava que "sim", as mulheres querem isso. E depois havia o sonho de trabalhar com moda. Lívia já trazia isso aflorado dentro de si desde os 13 anos. O sonho começou a ser sedimentado quando aos 17 anos foi fazer um curso no Senac, de moda. E claro, para desenvolver esse lado precisou ir para São Paulo, estudar ainda mais.

PRIMEIROS DESAFIOS

Após encontrar quem cacifasse seu sonho, Lívia tinha diante de si vários desafios. Como por exemplo: onde encontrar o tecido para fazer esse maiô? Afinal, não valia pegar uma peça de pano destinada a trajes de noite, nada disso.

"Meu sonho era um maiô bem brilhante mesmo, mas que a gente pudesse usar na água, no mar, na piscina, que ele resistente ao sal marinho, ao cloro, enfim, e que, com ele, a mulher se diferenciasse, mostrasse o poder ela que traz em si", explica a estilista.

"Minha ideia não era body não e, sim um maiô mesmo, desses de a gente sentar na areia e tomar sol".

"Lívia teve que se virar junto às tecelagens para conseguir a produção do considerava o tecido ideal", conta Janaína - que, até hoje, divide-se entre a medicina (é especialista em radiologia) e desafios da marca Ken-gá Bitchwear. Nome tão ousado quanto a proposta de Lívia.

"Ela já chegou com a ideia, do nome inclusive, tudo pronto. Estava tudo desenhado na cabeça dela", complementa Janaína. 

SIGNIFICADO

Divulgação
Modelo com o maiô dourado criado pela bauruense Lívia Barros

"Não me pergunte de onde veem as ideias. Elas surgem. Saem de dentro. Mas claro, há um significado em tudo o que faço, como o trocadilho da marca, seguido pelo trocadilho do segmento: em vez de beachwear (moda praia) também brincamos com a palavra 'bitchwear, porque a sonoridade é a mesma", explica Lívia.

Também há o fato de que "queríamos que 'quenga' e 'bitch' perdessem sua conotação literal pejorativa e adquirissem uma conotação de força e empoderamento. Sempre nos incomodou que a mulher que é tachada de 'bitch' ou 'quenga', na verdade, é aquela que incomoda por ser autêntica". 

FAMOSAS

E autenticidade é o que não falta na coleção e nas peças da marca. Não é preciso dizer que o maiô deu muito certo e, com indicações via internet, publicidade boca a boca abriu caminho para um macacão de lurex, dourado, claro. Que virou objeto de desejo de artistas e, foi incensado por fashionistas.

Nem dá para dar a lista de famosas que têm um macacão desses. A lista é imensa e eclética. Passa por Vera Fischer, Gaby Amarantos, Valeska Popozuda, Gretchen, Sabrina Sato, Carol Konká, Taís Araújo e Anitta. E mais: no primeiro desfile da marca, elas receberam críticas positivas de ninguém menos do que a jornalista Lilian Pacce, que é hoje senão a maior, mas uma das maiores autoridades em moda e estilo do país. 

EMPENHO

Nada mau para quem está na estrada há menos de três anos, só vende por e-commerce, no site da empresa (https://www.kengabitchwear.com), a entrega ocorre em dois dias e que ousa projetar uma carreira até internacional.

"Tenho quatro coleções novas já pensadas. Mas esse é um processo de muito trabalho, muito mesmo até as peças irem tomando forma", conta Lívia, ao que Janaína complementa:  "A Lívia faz e desfaz e refaz umas 400 vezes, até que saia exatamente do jeito que quer. Eu acho que está ótimo e ela continua lá, mexendo em cada detalhe para ficar tudo perfeito."

O valor das parcerias e a nova coleção

Menos de seis meses após o lançamento do site da grife (as vendas são todas feitas no e-commerce) surgiu o convite para apresentar uma coleção completa na "Casa de Criadores", o maior evento lançador de novos estilistas da moda brasileira.

Seguindo o calendário de lançamento de coleções (primavera/verão e outono/inverno) o evento acontece duas vezes por ano na cidade de São Paulo.

A mais recente coleção lançada no evento é a "Eras Venenosas". Nesta nova coleção a marca  aborda a internet e todos os seus fenômenos, "evoca uma nova forma de se relacionar com a estética e com o que  se julga ser belo (e verdade) nos dias de hoje e que ao mesmo tempo castra, distorce e cega", conta a estilista.

Com uma cartela de cores e matérias tão ampla quanto as emoções no Brasil de hoje, a coleção vem inspirada pelos neons, e nela, até por serem muito gratas ao que conseguiram até agora, Lívia Barros e Janaína Azevedo fazem questão de ressaltar o valor das parcerias.

Os caminhos estão se abrindo para elas graças as "parcerias incríveis, apostando em materiais sustentáveis" como o incrível Absolut Eco da parceira com a Vicunha e o incrível Denin Cecília 99% algodão. 

A parceria com a Tex Prima, traz o tecido reciclado, feito a partir de resíduos têxteis reutilizáveis. Há também o pet reciclado que vem em estampa criada pela Ken-gá o Toile de selfie, inspirada nas tapeçarias francesas do século XVIII com uma abordagem contemporânea. E delicada.

Essa estampa estava no modelo que Lívia vestia, em rosa, na hora em que concedeu esta entrevista ao Jornal da Cidade.

É bom esclarecer também que a concepção da Ken-gá não se faz em cima de gêneros. Não existe o masculino, o feminino, o transgênero. Na verdade o que sobressai é o conteúdo agênero tudo pode ser usado por quem quiser, o que importa é estar bem. (DK)