11 de julho de 2026
Geral

Equipamento contra o câncer aguarda quase 7 anos por instalação

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Marcele Tonelli
Obra do prédio que abrigará o acelerador linear começou somente em julho do ano passado

O câncer é a segunda doença que mais mata no Brasil. Em Bauru, um equipamento moderno e com alto nível de precisão que poderia impulsionar o tratamento e diminuir os efeitos colaterais a centenas de pacientes está "encaixotado" desde 2012. Doado por um programa do Ministério da Saúde ao Hospital Estadual (HE), o acelerador linear dependia da construção de um local específico para poder funcionar com proteção da radiação, mas a obra teve início somente há alguns meses. A previsão é de que o término do prédio ocorra em 23 de maio deste ano e que o acelerador chegue finalmente a Bauru para instalação em 19 de maio.

Apesar de a compra e a doação já terem sido firmadas, nem o Ministério da Saúde e nem a Secretaria de Saúde do Estado informaram o local onde o equipamento se encontra atualmente.

O prédio que deve receber o acelerador linear fica em ala lateral do HE, na avenida Engenheiro Luís Edmundo Carrijo Coube e teve a obra de R$ 5,3 milhões iniciada em julho do ano passado.

HISTÓRICO

Em 2016, a ONG Amigas do Peito, que luta contra o câncer de mama em Bauru, chegou a reivindicar publicamente a instalação do equipamento na cidade durante sua caminhada anual.

Na ocasião, o JC publicou matéria na qual a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que administra o HEB, disse que o hospital havia sido contemplado com um dos 80 aceleradores lineares anunciados pelo Plano de Expansão da Radioterapia no SUS, lançado pelo Ministério da Saúde em 2012. E que o projeto previa também a realização de obras para acomodá-lo.

Na época, a Famesp informou ainda que havia sido comunicada por técnicos do ministério que o início das adaptações era para outubro de 2016 e que, se cumprido o prazo, o aparelho começaria a funcionar em 2017. Mas o período passou e a instalação não aconteceu.

Há aproximadamente dois anos, a Diretoria Regional de Saúde de Bauru (DRS-6) firmou um convênio com uma clínica particular, que funciona próxima ao HE, e que possui um acelerador linear semelhante, para a realização de radioterapia nos munícipes com maior precisão.

"Esses equipamentos são mais eficientes do que o de cobalto, porque eles delimitam o local que deve receber a rádio e não atinge outros pontos do corpo ou órgãos que estão saudáveis. Isso faz com que o paciente tenha menos efeitos colaterais", explica Clara Vasconcellos, presidente da ONG Amigas do Peito.

ESPERA GRANDE

O problema, no entanto, é que a demanda seria grande para apenas um aparelho na cidade. "Além do SUS, a clínica também atende a rede particular. A espera chega a ser de 2 a 3 meses pela consulta para iniciar o tratamento. Esse tempo é uma vida para quem tem câncer. Por isso, estamos felizes em saber que o aparelho público, finalmente, vai começar a funcionar neste ano", completa.

A ONG estima que só o câncer de mama Bauru gere cerca de 10 novos diagnósticos por mês.

OUTRO LADO

A Secretaria de Saúde do Estado confirmou, em nota, que o HE foi contemplado com um acelerador linear por meio do Plano de Expansão de Radioterapia do Ministério da Saúde e disse que as informações sobre a obra ficam a cargo do órgão federal. O Ministério da Saúde, por sua vez, diz que o equipamento de radioterapia será entregue de acordo com andamento construção, sendo que previsão de entrega é 19 de maio. “Após a finalização da obra, o serviço entrará em funcionamento para atendimento à população”, cita o órgão.

Do total dos 140 aparelhos no País previstos pelo programa, somente 21 foram entregues e estão funcionando, segundo o próprio ministério.