11 de julho de 2026
Nacional

Em reunião, Bolsonaro promete apresentar Previdência quando Congresso se reunir

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

Sergio Moraes/Reuters
O economista Paulo Guedes, atual Ministro da Economia

Se em seu discurso público em Davos o presidente da República, Jair Bolsonaro, deu poucos detalhes sobre a reforma que apresentará para reformular a Previdência, o tom foi diferente quando ele e seus ministros entraram em uma sala exclusiva, apenas com os CEOs e presidentes de algumas das maiores empresas do mundo.

Um dos participantes de uma multinacional contou ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que o governo prometeu que o projeto de lei da reforma será apresentado "assim que o novo Congresso se reunir". "Eles nos disseram que essa é a prioridade e que o projeto da reforma será apresentado já nos primeiros dias (da nova Legislatura)", contou o executivo.

O governo não deu uma data fechada sobre quando uma votação poderia ocorrer. Mas insistiu que esse será o primeiro trabalho do governo. Bolsonaro, segundo o executivo que esteve na sala, também admitiu que a reforma pode não sair exatamente como eles previam, já que certas "acomodações" terão de ser feitas para garantir sua aprovação.

No encontro, empresas como a Arcelor Mittal, Embraer ou Nestlé estiveram presentes. Segundo o executivo, a reunião foi marcada por diversas perguntas feitas ao novo governo. Várias delas tocariam na questão da capacidade da nova administração federal de convencer a população sobre a necessidade da reforma. "O que quiseram saber é se haveria uma aceitação popular", disse.

Para os empresários, isso pode ser decisivo, já que testaria a capacidade do governo de manter uma certa taxa de popularidade para continuar a governar.

Durante o encontro, Bolsonaro ainda foi cobrado em relação à proteção ambiental, em especial na Amazônia, e quanto a questões relacionadas com a defesa de indígenas.

Guedes diz que haverá consenso

O ministro da Economia, Paulo Guedes, tratou de transmitir uma mensagem forte aos investidores em encontro promovido pelo Itaú Unibanco. Guedes afirmou que haverá consenso no Congresso para aprovar a proposta de emenda constitucional.

Investidores que estiveram no almoço organizado pelo banco brasileiro comentaram que a palestra de Guedes "foi um show". "Durante 90 minutos, ele narrou com maestria os planos para a economia. Foi animador", disse um banqueiro, que também assistiu o discurso de Bolsonaro.

Na semana passada, assessores do governo, em Brasília, citavam o compromisso com a aprovação da reforma da Previdência como trunfo a ser usado por Bolsonaro no discurso inaugural de Davos.

A expectativa agora se volta para a entrevista que o ministro as Economia dará na quarta-feira no centro de mídia do Fórum. Até lá, segundo assessores, Guedes não dará entrevistas sobre reuniões bilaterais da sua agenda em Davos. A explicação do governo é que há uma recomendação do Fórum para Guedes não fale antes da coletiva oficial.

No discurso, Bolsonaro citou os ministros Guedes, Sérgio Moro (Justiça) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores). Sobre Guedes, Bolsonaro disse que a equipe econômica colocará o Brasil no ranking dos 50 melhores países para se fazer negócios no mundo.

No encontro do Itaú, para rebater a preocupação dos investidores com o risco de o Congresso travar a aprovação da reforma, Guedes colocou suas fichas numa frente ampla de governadores para apoiá-lo.