| Douglas Reis |
| Reintegração de posse foi pacífica na manhã de ontem; máquinas derrubaram as edificações |
A Polícia Militar (PM) cumpriu nesta terça-feira (22) de manhã um mandado de reintegração de posse no Assentamento Terra Prometida, na região do Parque Val de Palmas. A saída dos moradores foi pacífica e as cerca de 80 famílias buscaram outros locais para ficar, como o Assentamento do Horto Aimorés ou a casa de amigos, levando móveis e até partes dos barracos que eram os seus lares até então.
A área onde ficava o assentamento pertence a diferentes proprietários. A maior parte é da Cohab e outras partes de particulares. A decisão da Justiça pela reintegração de posse era para toda a área e foi cumprida logo pela manhã. Barracos foram derrubados.
Um dos líderes do assentamento, Robson Gonçalves criticou a prefeitura. De acordo com ele, havia uma promessa do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) em arrumar uma área onde fosse possível abrigar as famílias.
O Assentamento Terra Prometida começou em 2015 e chegou a ter mais de 120 famílias. Parte foi embora e restaram 80, que tiveram de sair ontem. A falta de respaldo da prefeitura foi criticada por Robson, que não estava mais residindo no local, mas continuava ajudando os moradores. "A gente recebeu uma promessa da prefeitura de que alguma coisa seria feita, de que arrumariam uma área. No final, estavam falando em levar para algum ginásio de esportes, mas isso não adianta. E isso separaria famílias. O prefeito não cumpriu com a palavra dele, se omitiu, pois disse que faria algo e nada aconteceu", lamenta.
Ainda de acordo com ele, algumas famílias seguiram para o Horto Aimorés e outras buscaram a casa de amigos. "Na semana que vem, nós vamos acampar em frente da prefeitura. Gostaria que cumprissem o que foi prometido", afirma.
O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) diz que fez as ações para ajudar as famílias, mas dependia de outras situações, como o aluguel de uma área para levá-las, o que não aconteceu. "Fizemos tudo para ajudar. Inclusive, no começo do nosso governo, entramos na situação, intervindo para evitar que grande reintegração de posse fosse realizada na época. Dependíamos agora de outras coisas. Uma delas era ter alguma área para alugar e colocar as famílias, mas nenhum proprietário teve interesse. Ainda colocamos para eles a possibilidade de levar as famílias a um ginásio, caso eles não pudessem ficar em nenhum local após a reintegração de posse. Então, falar que a prefeitura ficou omissa é mentira", afirma.
AJUDA
O secretário de Bem-Estar Social, José Carlos Fernandes, acompanhou a reintegração e disse que a prefeitura teve pouco a fazer neste caso. "A prefeitura fez orientações. Ficou sempre em contato com os moradores, porém, o município não possui áreas e nem consegue fazer casas. Essa parte de habitação depende de programas como o Minha Casa Minha Vida. O que é possível é ajudar as famílias a se cadastrar, mas a prefeitura mesmo não consegue construir moradias. O apoio a famílias sem situação de vulnerabilidade ocorreu", frisa.
Um dos moradores precisa de tratamento contra a tuberculose, recebeu atendimento do Samu e, depois, seria levado para o tratamento correto, afirmou Fernandes. Outro depende de um respirador artificial e também foi encaminhado para assistência de saúde.
Nova Canaã segue sem solução
O Assentamento Nova Canaã, na região do Jardim Mary, também pode ter uma reintegração de posse. A prefeitura buscou o aluguel daquela área ou de outro local para colocar as famílias, mas nenhum proprietário concordou, e por enquanto, não há uma definição para onde serão levadas as 700 famílias caso a reintegração aconteça. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) afirma que buscará resolver o caso diretamente com o proprietário e, em último caso, até uma desapropriação pode acontecer. "Mas, neste momento, estamos tentando outra alternativa", frisa.