10 de julho de 2026
Nacional

Bombeiros confirmam ao menos 34 mortos na tragédia de Brumadinho

Por Estadão Conteúdo | Reuters
| Tempo de leitura: 9 min

Corpo de Bombeiros/Divulgação
Rejeitos atingiram rio Paraopeba, que faz parte da bacia do rio São Francisco

O governo federal aceitou o pedido para que seja decretado estado de calamidade pública em Minas Gerais, em decorrência da ruptura da barragem da Vale em Brumadinho (MG), ocorrida na sexta-feira (25). A decisão facilita a liberação e mobilização de recursos para dar continuidade aos trabalhos de resgate na região. O Corpo de Bombeiros confirmou que o número de mortes já chega a 34. Chove neste sábado na região da queda da barragem e isso pode piorar a situação.

Os dados da corporação ainda dão conta de que 23 pessoas estão hospitalizadas e 81, desabrigadas.

Cerca de 84 famílias ainda aguardam o resgate do Corpo de Bombeiros em Brumadinho, Minas Gerais. A informação é da corporação, que afirmou que estas famílias não correm nenhum risco.

A maior dificuldade é que eles estão sem luz e energia elétrica, por conta disso está sendo difícil fazer o contato. Às 17h40 o Corpo de Bombeiros subiu o número de mortes para dez. O número ainda deve aumentar.

Reprodução Facebook  
 
A médica Marcelle Porto Cangussu  

Marcelle Porto Cangussu foi a primeira vítima identificada do rompimento de uma barragem da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ela era médica do trabalho e atuava na Vale desde novembro de 2016.

Segundo o governo, 100 pessoas ilhadas foram resgatadas. Dados repassados pela Vale ao governador de Minas, Romeu Zema (Novo), indicaram que havia 427 pessoas no local - e 279 foram resgatadas vivas. Cerca de 150 pessoas desaparecidas vinculadas à empresa.

Quase 200 bombeiros foram deslocados para a região para buscar pessoas desaparecidas. 

O presidente Jair Bolsonaro usou sua conta oficial no Twitter para lamentar o rompimento de uma barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG). "Lamento o ocorrido em Brumadinho-MG", escreveu o presidente, informando que determinou deslocamento dos ministros do Desenvolvimento Regional (Gustavo Canuto), de Minas e Energia (Bento Albuquerque) e do secretario nacional de Defesa Civil, Alexandre Lucas Alves. Segundo site oficial da Vale, a chamada Barragem I - Mina Córrego do Feijão é utilizada para disposição de rejeitos da mineração. Neste sábado ele foi ao local, mas não quis falar com a imprensa. 

O presidente Jair Bolsonaro confirmou neste sábado (26), em sua conta no Twitter, que o primeiro ministro de Israel Benjamin Netanyahu ofereceu ajuda por telefone para a busca de desaparecidos no rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho, em Minas Gerais. "Aceitamos e agradecemos mais essa tecnologia israelense a serviço da humanidade", afirmou o presidente.

O auxílio de Netanyahu, primeiro-ministro de Israel e aliado do governo Bolsonaro, já havia sido citado em coletiva de imprensa do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, no aeroporto de Confins, após reunião com Bolsonaro. "É muito difícil localizar um corpo a 5, 10 metros de profundidade. Israel se ofereceu para poder fazer isso", disse Zema.

Após retornar a Brasília, vindo do aeroporto de Confins, em Minas Gerais, o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou à imprensa que "infelizmente, pode aumentar muito o número de mortos (em Brumadinho)."

Bolsonaro saiu de Brasília por volta das 8h de sábado para sobrevoar a região afetada pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Após o voo, se reuniu com Zema e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, retornando a Brasília por volta das 14h.

O Ibama enviou uma equipe para Brumadinho, em Minas Gerais, tão logo foi informado sobre o rompimento da barragem da Vale. A equipe foi enviada a despeito do licenciamento da empresa ter sido feito pelo Estado - mesmo caso da Samarco - e não pelo governo federal, em razão da gravidade do caso e também porque o rio em que houve o desabamento desemboca no São Francisco, administrado pela União.

"A Vale acionou o Corpo de Bombeiros e ativou o seu Plano de Atendimento a Emergências para Barragens. A prioridade total da Vale, neste momento, é preservar e proteger a vida de empregados e de integrantes da comunidade", informou a companhia.

Rejeito atingiu o rio Paraopeba

Reprodução
Barragem de mineração se rompeu nesta sexta-feira (25) na região de Brumadinho

A estatal Furnas, do grupo Eletrobras, monitora a chegada dos rejeitos da barragem em sua hidrelétrica Retiro Baixo, que funciona no rio Paraopeba, podendo comprometer as operações da usina.

A barragem da usina hidrelétrica Retiro Baixo, confirmou a Agência Nacional de Águas (ANA), está localizada a 220 km do local do rompimento e "possibilitará amortecimento da onda de rejeito". Segundo a ANA, "estima-se que essa onda atingirá a usina em cerca de dois dias".

O rio Paraopeba faz parte da bacia do rio São Francisco. A hidrelétrica Retiro Baixo está localizada entre os municípios mineiros de Curvelo e Pompeu. A usina tem duas turbinas em operação, com capacidade instalada de 82 megawatts, energia suficiente para atender 200 mil habitantes, e opera desde 2010. Seu reservatório de 22 quilômetros quadrados.

Por meio de nota, a ANA informou que está em constante comunicação com os órgãos e autoridades federais e estaduais, inclusive no âmbito de recente Acordo de Cooperação sobre Segurança de Barragens, que está permitindo troca facilitada e mais rápida de dados sobre a situação no local do evento.

"A ANA está monitorando a onda de rejeito e coordenando ações para manutenção do abastecimento de água e sua qualidade para as cidades que captam água ao longo do Rio Paraopeba", declarou. "A fiscalização da barragem rompida, de acumulação de rejeito de mineração, cabe à autoridade outorgante de direitos minerários", informou a agência, referindo-se à Agência Nacional de Mineração (ANM).

Instituto Inhotim é esvaziado e deve permanecer fechado no fim de semana

Wikimedia Commons
Instituto Inhotim, um dos maiores centros de arte ao ar livre da América Latina

O Instituto Inhotim, um dos maiores centros de arte ao ar livre da América Latina e localizado em Brumadinho, foi esvaziado por segurança após o rompimento de barragem, informou o instituto em nota divulgada em suas redes sociais.

Segundo comunicado, a partir de recomendação da Polícia Civil, o instituto esvaziou a área de visitação do museu e orientou visitantes e funcionários a deixar o local. O instituto informa que, por ora, a área do Inhotim não foi atingida, assim como não foram registrados feridos ou prejuízos às obras, instalações ou jardins do museu.

Ainda de acordo com a nota, o instituto permanecerá fechado “em solidariedade ao município e a todos os atingidos”. “Aguardamos mais informações para definir a data de reabertura”, diz ao instituto.

Também em nota, o Ministério do Turismo lamentou “profundamente” o rompimento da barragem, e prestou solidariedade à comunidade afetada. A pasta reconhece que a maior preocupação, no momento, dever ser com as “vidas impactadas pela tragédia”, mas destaca que ela afeta o Instituto Inhotim, “importante atrativo turístico do Brasil”.

“Desde já, o Ministério do Turismo se coloca à disposição para trabalhar em parceria com outros órgãos do governo no amparo às famílias e na recuperação da região para minimizar o impacto da catástrofe e, por meio do turismo, ajudar a comunidade a superar o trauma e retomar a vida.”

Uma barragem da mina de ferro Feijão, da Vale, rompeu-se no município de Brumadinho no início da tarde desta sexta-feira, atingindo parte da comunidade da Vila Ferteco e a área administrativa da companhia, deixando feridos.

Barragem em Brumadinho tem volume de 12,7 milhões de m³ de rejeitos

Reprodução
Não há informações sobre a dimensão do acidente

De acordo com informações apresentadas no site da Vale sobre as barragens da região, a barragem 1, que se rompeu hoje, foi construída em 1976 e tem volume de 12,7 milhões de m³. Atualmente, a barragem não receberia material, pois o beneficiamento do minério na unidade é feito à seco, ainda de acordo com o site.

As principais preocupações dos órgãos no momento, entre eles a Defesa Civil, é com resgate de vítimas e proteção de pontos de captação de água, disse o Ibama. "O Ibama acompanha o evento também por meio do Grupo de Informações de Emergências em Barragens, integrado pela Defesa Civil e os órgãos fiscalizadores de barragens. A Defesa Civil confirmou a existência de pessoas isoladas."

Ainda de acordo com o Instituto, em situações de emergência, a competência primária para acompanhamento é dos órgãos licenciadores no Estado. "A competência federal, na situação, será estabelecida se o incidente ultrapassar os limites territoriais ou atingir significativamente um bem da União", afirmou o órgão federal. O Ibama garante que continuará acompanhando o evento e prestando o apoio necessário aos órgãos públicos.

Força-tarefa

O governo de Minas Gerais enviou uma força-tarefa ao local do rompimento da barragem em Brumadinho, na Grande Belo Horizonte, para "acompanhar" a situação e "tomar as primeiras medidas".

O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil estão no local da ocorrência e há cinco helicópteros que sobrevoam a região para o atendimento às vítimas, afirma nota oficial divulgada pelo governo do Estado. O governo estadual anunciou que montou um "gabinete estratégico de crise" para acompanhar as ações na cidade.

Gabinete de crise

Adriano Machado/Reuters
Presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, em Brasília

Um gabinete de crise já foi montado no Palácio do Planalto para acompanhar todo o desenrolar da situação decorrente do rompimento da barragem da mineradora Vale na Mina Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Esse gabinete vai coordenar os esforços de todos os ministérios que estarão envolvidos na busca de soluções para o rompimento da barragem e redução de danos. O presidente Jair Bolsonaro está reunido em Brasília com vários ministros para determinar as primeiras ações e equipes técnicas serão deslocadas para a região.

Auxiliares diretos do presidente consideraram o episódio uma verdadeira "tragédia ambiental". Por determinação do presidente, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, irá para Minas Gerais ver de perto o tamanho do estrago causado. O Planalto deverá divulgar uma nota sobre o rompimento.

O presidente deve ir no sábado de manhã para a região atingida e lamenta “eventuais perdas de vidas” ocasionadas pelo acidente, disse o porta-voz da Presidência da República, general Otávio Santana do Rêgo Barros, nesta sexta-feira.

O porta-voz classificou como “lastimável” o acidente ocorrido e afirmou que o presidente determinou o estabelecimento de um gabinete de crise para acompanhar a situação tanto no Palácio do Planalto quanto no Ministério do Meio Ambiente. Segundo ele, vários ministérios foram acionados para acompanhar a situação.

Repercussão internacional

O rompimento de barragem da Vale é destaque da imprensa internacional. A tragédia foi noticiada pelos jornais americanos The New York Times, Washington Post, e The Wall Street Journal, pela emissora americana CNN, pelos ingleses The Guardian e Financial Times e pelo francês Le Monde.

Le Monde, Wall Street Journal e Financial Times citam em seus textos que a Vale é uma das proprietárias da Samarco, que viu uma de suas barragens romper, em 2015. Na ocasião, o distrito de Bento Rodrigues foi soterrado e 19 pessoas morreram.

Financial Times, que tem ênfase na cobertura econômica, incluiu a informação da queda de 8% das ações da Vale listadas na bolsa de Nova York.