| Ana Beatriz Garcia |
| Em casas e comércios, as câmeras estão 'de olho' na movimentação |
Quase imperceptíveis, elas estão em todos os lugares. Novidade até pouco tempo atrás, hoje as câmeras de vigilância e monitoramento já fazem parte da paisagem das principais cidades brasileiras, inclusive Bauru. Em casas, prédios, estabelecimentos comerciais e dentro da sua própria casa em notebooks, tablets e celulares, as câmeras estão 'de olho' na movimentação geral, inclusive no vandalismo, na criminalidade, no lixo jogado fora do local correto, na agressão física, no abandono e maus tratos de animais e por aí vai. A lista é, realmente, longa.
Nesta e nas próximas páginas, o JC nos Bairros discute o tema e ainda mostra a percepção de munícipes, de diferentes bairros, que utilizam o recurso de segurança em suas casas e estabelecimentos. Além dos casos em que as câmeras dos celulares, tão utilizadas nos dias de hoje, flagram cenas e denúncias do dia a dia.
FENÔMENO SOCIAL
Segundo o psicólogo e professor da Unesp Ari Fernando Maia, é possível imaginar que quando se insere uma câmera em um local, cria-se uma situação alterada da realidade. "Aos poucos, as pessoas vão se esquecendo da presença de câmeras e passam a agir normalmente", comenta. O profissional ainda destaca que as câmera permitem identificar pessoas que cometem atos ilícitos, quando utilizada pelo Estado e pela Polícia. Segundo ele, isso não quer dizer que ela inibe a realização, mas que permite identificar e punir, eventualmente. Em relação a flagras como depósito de lixo em local indevido, por exemplo, o professor destaca que são casos particulares. "Nesse sentido, pode inibir o comportamento errado diante de uma câmera específica, mas não em outro lugar. A única maneira de inibir esses atos inadequados em todos os lugares é a educação dessas pessoas", salienta.
A questão das câmeras em ambientes públicos e nas mãos dos usuários, criando vídeos que podem ser disseminados na internet, por exemplo, ainda é tema recente para estudos e pesquisas, de acordo com o profissional. "A pesquisa sobre essas questões no campo psicológico e sociológico estão engatinhando, existem muitas nuances, porque é um relativamente fenômeno social novo. Existe um pesquisador alemão que diz que hoje em dia para existir as pessoas precisam ser percebidas. Por isso, as pessoas entraram em uma concorrência para produzir imagens cada vez mais chamativas e espetaculares. Algumas vezes ao custo de não prestarem atendimento a outras pessoas e de colocar a própria vida em risco para garantir o clique", comenta.
MAIS DE DEZ PONTOS
Para evitar furtos, roubos e depredações, a prefeitura de Bauru está, desde o início deste ano, instalando um sistema de alarme e videomonitoramento em prédios públicos da cidade, conforme o JC já noticiou.
Ao todo, 190 imóveis próprios ou locados pela administração direta receberão 865 pontos com câmeras e sensores de alarme.
De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, nesses primeiros dias de trabalho, mais de dez deles já foram contemplados com o novo sistema de monitoramento.
Conforme o JC também noticiou, o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) afirma que a colocação de câmeras e alarmes é uma das principais ações para evitar o vandalismo e depredações em prédios do governo.
NA CIDADE
| Ana Beatriz Garcia |
| Rodrigo Cristiano Saes Lopes mostra alguns modelos de câmeras comercializados |
Já em relação às dez câmeras em vias públicas ligadas ao Copom da PM, provenientes da emenda parlamentar do deputado federal Capitão Augusto (PR), com auxilio do Estado e do município, a licitação foi concluída em julho de 2018, mas uma das empresas envolvidas - a 2.ª colocada - entrou na Justiça. Segundo a assessoria da prefeitura, na 1ª instância a empresa perdeu, mas recorreu à 2ª instância. Sendo assim, a prefeitura aguarda, agora, o julgamento dessa decisão para dar andamento ao processo.
Todos atentos às telas
Proprietário de uma loja de venda de alarmes e câmeras de videomonitoramento, há 27 anos em Bauru, Rodrigo Cristiano Saes Lopes afirma que em seu comércio, são vendidos, em média, cerca de 60 câmeras por mês. “Pelo menos 80% das pessoas que solicitam a instalação de câmeras em suas residências ou estabelecimentos, já sofreram algum assalto ou tentativa”, diz.
A maior procura, segundo ele, vem das pessoas que tem vizinhos que já foram assaltados, ou já tiveram a casa ameaçada de alguma maneira. “No nosso pós-venda, nós registramos um índice de 5% de casas que, após a instalação, voltam a ter algum problema nesse sentido”, comenta Rodrigo.
| Samantha Ciuffa |
| Régis Castilho mostra visor de monitoramento |
Além disso, a tecnologia, hoje, permite que as câmeras sejam acessadas de qualquer local. “Houve um tempo em que as câmeras eram mais caras e as pessoas optavam apenas pelo sistema de alarmes, hoje, é mais fácil ter o kit completo. Além disso, os smartphones permitem que os clientes consigam acessar as câmeras pelo próprio celular e acompanhar as câmeras de suas casas, de onde estiverem”, completa.
PREVENÇÃO
Há 8 anos, morando em uma casa, no Jardim Panorama, a família de Samuel Rodrigues, de 28 anos, resolveu, recentemente, utilizar câmeras de videomonitoramento para a segurança do imóvel. “A casa do nosso vizinho foi invadida e pensamos que seria a hora de instalarmos uma câmera de segurança. Aqui, graças a Deus, nunca ninguém entrou, mas a nossa câmera já flagrou uma tentativa de furto de carro aqui em frente e ladrões invadindo a casa do vizinho”, afirma. Na opinião de Samuel, as câmeras não inibem ações criminosas, mas podem auxiliar no reconhecimento. “Eu penso que o certo seria nem termos câmeras, as pessoas não deveriam pular o muro da casa dos outros”, completa.
Na casa de Régis Castilho, de 41 anos, quem instalou as câmeras foi ele mesmo. “Nunca precisamos recorrer às gravações por motivos graves, mas já flagramos atos de vandalismo como pessoas depredando a lixeira e a árvore que ficam em frente à casa”, afirma o morador do Higienópolis.
MAIS DE DEZ
Há quatro anos com uma padaria na Vila Cardia, o comerciante Amin Antônio Filho, de 58 anos, conta que as quatro câmeras instaladas no seu estabelecimento não intimidaram os mais de dez assaltos realizados nesses quatro anos. “Só em 2018, foram quatro assaltos, de vários jeitos”, comenta. “As imagens sempre são cedidas para a polícia. Na última vez, até reconheceram o assaltante, que não ficou preso. Na minha opinião, as câmeras não inibem em nada a ação dos criminosos. Só ajudou quando flagrou um acidente, aqui em frente”, diz. Ainda segundo ele, estabelecimentos vizinhos também foram assaltados recentemente. “Infelizmente, este bairro está muito complicado”, completa.
INVESTIGAÇÕES
Imagens cedidas por circuitos de câmeras de segurança auxiliaram na localização autores de assaltos no Jaraguá e no bairro Nova Esperança, do dia 28 de dezembro a 6 de janeiro de 2019, segundo informações do titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Cledson Nascimento. “Quando recebemos os vídeos, eles são utilizados junto ao banco de dados da Polícia e auxiliam o reconhecimento dos criminosos, principalmente, quando os proprietários dos estabelecimentos e casas posicionam as câmeras de uma forma que favorece a visualização, além da qualidade de imagem”, relata.
Ainda de acordo com ele, é possível que o uso de câmeras não só colabore com as investigações, mas também evite ocorrências. “Mas quando o criminoso é de outra região, as câmeras tandem a não inibir tanto a ação”, afirma.
Desempenho
Proprietário de uma loja de venda de alarmes e câmeras de videomonitoramento há 27 anos em Bauru, Rodrigo Cristiano Saes Lopes afirma que em seu comércio são vendidos, em média, cerca de 60 câmeras por mês. "Pelo menos 80% das pessoas que solicitam a instalação de câmeras em suas residências ou estabelecimentos já sofreram algum assalto ou tentativa", relata.
A maior procura, segundo ele, vem das pessoas que têm vizinhos que já foram assaltados ou já tiveram a casa ameaçada de alguma maneira. "No nosso pós-venda, nós registramos um índice de 5% de casas que, após a instalação, voltam a ter algum problema nesse sentido", comenta Rodrigo.
Além disso, a tecnologia, hoje, permite que as câmeras sejam acessadas de qualquer local. "Houve um tempo em que as câmeras eram mais caras e as pessoas optavam apenas pelo sistema de alarmes, hoje é mais fácil ter o kit completo. Além disso, os smartphones permitem que os clientes consigam acessar as câmeras pelo próprio celular e acompanhar as câmeras de suas casas, de onde estiverem", completa.
PREVENÇÃO
Há 8 anos morando em uma casa, no Jardim Panorama, a família de Samuel Rodrigues, de 28 anos, resolveu, recentemente, utilizar câmeras de videomonitoramento para a segurança do imóvel. "A casa do nosso vizinho foi invadida e pensamos que seria a hora de instalarmos uma câmera de segurança. Aqui, graças a Deus, nunca ninguém entrou, mas a nossa câmera já flagrou uma tentativa de furto de carro aqui em frente e ladrões invadindo a casa do vizinho", afirma. Na opinião de Samuel, as câmeras não inibem ações criminosas, mas podem auxiliar no reconhecimento. "Eu penso que o certo seria nem termos câmeras, as pessoas não deveriam pular o muro da casa dos outros", completa.
Na casa de Régis Castilho, de 41 anos, quem instalou as câmeras foi ele mesmo. "Nunca precisamos recorrer às gravações por motivos graves, mas já flagramos atos de vandalismo como pessoas depredando a lixeira e a árvore que ficam em frente à casa", afirma o morador do Higienópolis.
MAIS DE DEZ
Há quatro anos com uma padaria na Vila Cardia, o comerciante Amin Antônio Filho, de 58 anos, conta que as quatro câmeras instaladas no seu estabelecimento não intimidaram os mais de dez assaltos realizados nesses quatro anos. "Só em 2018, foram quatro assaltos, de vários jeitos", comenta. "As imagens sempre são cedidas para a polícia. Na última vez, até reconheceram o assaltante, que não ficou preso. Na minha opinião, as câmeras não inibem em nada a ação dos criminosos. Só ajudou quando flagrou um acidente, aqui em frente", diz. Ainda segundo ele, estabelecimentos vizinhos também foram assaltados recentemente. "Infelizmente, este bairro está muito complicado", completa.
INVESTIGAÇÕES
Imagens cedidas por circuitos de câmeras de segurança auxiliaram na localização autores de assaltos no Jaraguá e no bairro Nova Esperança, do dia 28 de dezembro a 6 de janeiro de 2019, segundo informações do titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Cledson Nascimento. "Quando recebemos os vídeos, eles são utilizados junto ao banco de dados da Polícia e auxiliam o reconhecimento dos criminosos, principalmente quando os proprietários dos estabelecimentos e casas posicionam as câmeras de uma forma que favorece a visualização, além da qualidade de imagem", relata.
Ainda de acordo com ele, é possível que o uso de câmeras não só colabore com as investigações, mas também evite ocorrências. "Mas quando o criminoso é de outra região, as câmeras tandem a não inibir tanto a ação", afirma.
Flagra ao alcance das mãos
Com o celular em mãos, flagrar uma cena do cotidiano não é tarefa difícil. Na madrugada do dia 5 de setembro de 2018, Victor Franco de Souza, de 20 anos, reconheceu estampidos de tiros e pensou – um pouco assustado – que se tratava de uma comemoração com tiros para o alto. Na verdade, o morador do Centro da cidade estava há cinco quadras do ataque a uma agência bancária em Bauru.
“Eu percebi que eram diversos tiros, uns mais agudos e outros mais graves, o que mostra que eram muitos calibres de arma. Comecei a gravar da janela do meu prédio”, diz o trader de ações. Morador do 7º andar de um prédio nas proximidades, Victor veiculou as filmagens ao vivo no perfil pessoal, em uma rede social. “Não tive medo de abrir a janela porque estava longe, se eu estivesse mais perto do local, eu não filmaria”, garante. Já no dia seguinte ao ataque, Victor fez outra transmissão ao vivo mostrando os resquícios do confronto dos criminosos com a Polícia.
Assim como Victor, Breno Thiago de Jesus Lapa, de 35 anos, registrou uma cena de Bauru. Neste caso, uma realidade bastante conhecida pela cidade quando voltava para casa no dia 12 de janeiro desse ano. “A chuva começou a apertar e eu estava de moto, parei para me esconder em baixo do viaduto da Duque de Caxias, quando eu pensei em filmar a situação da chuva na avenida Nações Unidas”, comenta.
Mesmo com a enorme enxurrada que passava pelo local, Breno diz que estava seguro e que pensou em registrar o momento para compartilhar. Na época, chegou até a enviar a colabora para a redação do JC. “Eu não tenho esse costume de denunciar ou filmar as coisas, mas como a chuva estava muito forte e eu estava ali, achei que poderia fazer um vídeo bom”, finaliza.
RESGATE ANIMAL
As câmeras dos celulares também veem auxiliando o trabalho da Ong Formiguinhas Valentes que, há 2 anos, trabalha no resgate animal. A vice-presidente do grupo Maria Aparecida Camargo Barbosa comenta que, antes de apresentar uma denúncia e abrir um boletim de ocorrência, os animais são filmados nas suas situações de maus tratos. “Nós reunimos todos os materiais e provas possíveis para fazer a denúncia. Isso ocorre também quando recebemos vídeos de outras pessoas, mas, geralmente, nós que produzimos”, afirma.
A vice-presidente ainda explica de câmeras de segurança instaladas em casas também flagram carros abandonando animais, o que auxilia na identificação do responsáveis. “Muitos afirmam que perderam o cão, mas nós temos as imagens”, diz. Além disso, segundo ela, a tecnologia de vídeos é realmente bastante utilizada no trabalho desenvolvido pela Ong. “Temos um voluntário que disponibiliza, sem custos, imagens de drone em regiões onde sabemos que há alguma animal perdido”, finaliza.
Calúnia: cuidado!
Com o celular em mãos, flagrar uma cena do cotidiano não é tarefa difícil. Na madrugada do dia 5 de setembro de 2018, Victor Franco de Souza, de 20 anos, reconheceu estampidos de tiros e pensou - um pouco assustado - que se tratava de uma comemoração com tiros para o alto. Na verdade, o morador do Centro da cidade estava há cinco quadras do ataque a uma agência bancária em Bauru.
"Eu percebi que eram diversos tiros, uns mais agudos e outros mais graves, o que mostra que eram muitos calibres de arma. Comecei a gravar da janela do meu prédio", diz o trader de ações.
Morador do 7º andar de um prédio nas proximidades, Victor veiculou as filmagens ao vivo no perfil pessoal, em uma rede social. "Não tive medo de abrir a janela porque estava longe, se eu estivesse mais perto do local, eu não filmaria", garante. Já no dia seguinte ao ataque, Victor fez outra transmissão ao vivo mostrando os resquícios do confronto dos criminosos com a Polícia.
Assim como Victor, Breno Thiago de Jesus Lapa, de 35 anos, registrou uma cena de Bauru. Neste caso, uma realidade bastante conhecida pela cidade quando voltava para casa no dia 12 de janeiro desse ano. "A chuva começou a apertar e eu estava de moto, parei para me esconder em baixo do viaduto da Duque de Caxias, quando eu pensei em filmar a situação da chuva na avenida Nações Unidas", comenta.
| Breno Thiago de Jesus Lapa/Reprodução |
| Imagem que Breno Thiago de Jesus Lapa registrou em vídeo, pelo celular, enquanto se abrigava de forte chuva |
Mesmo com a enorme enxurrada que passava pelo local, Breno diz que estava seguro e que pensou em registrar o momento para compartilhar. Na época, chegou até a enviar a colabora para a redação do JC. "Eu não tenho esse costume de denunciar ou filmar as coisas, mas como a chuva estava muito forte e eu estava ali, achei que poderia fazer um vídeo bom", finaliza.
RESGATE ANIMAL
As câmeras dos celulares também veem auxiliando o trabalho da Ong Formiguinhas Valentes que, há 2 anos, trabalha no resgate animal. A vice-presidente do grupo Maria Aparecida Camargo Barbosa comenta que, antes de apresentar uma denúncia e abrir um boletim de ocorrência, os animais são filmados nas suas situações de maus tratos. "Nós reunimos todos os materiais e provas possíveis para fazer a denúncia. Isso ocorre também quando recebemos vídeos de outras pessoas, mas, geralmente, nós que produzimos", afirma.
A vice-presidente ainda explica que câmeras de segurança instaladas em casas também flagram carros abandonando animais, o que auxilia na identificação do responsáveis. "Muitos afirmam que perderam o cão, mas nós temos as imagens", diz. Além disso, segundo ela, a tecnologia de vídeos é realmente bastante utilizada no trabalho desenvolvido pela Ong. "Temos um voluntário que disponibiliza, sem custos, imagens de drone em regiões onde sabemos que há alguma animal perdido", finaliza.