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| Apresentação da Berbel & Banda Show no Greb, em 2017 |
Sem batutas. É com as mãos livres, como aprendeu desde a infância, que o maestro José Paulo Castro Berbel lida com a música. A mesma simplicidade ele procura aplicar em sua vida. Nascido em Presidente Alves, cidade onde mora até hoje, o maestro Berbel foi o fundador de vários grupos musicais, entre eles a antiga Orquestra Veritas, que, por anos, emocionou Bauru e outras várias cidades Estado afora com suas apresentações. Há quase duas décadas, ele é o único representante do Estado na Academia Nacional de Música, com sede no Rio de Janeiro.
Filho de José Berbel (in memoriam), também músico, e Nair Castro Berbel, ele cresceu ao lado de mais 4 irmãos, mas foi o único a seguir na música. Aos 6 anos, acompanhava o pai nos ensaios dentro de sua casa e, aos 8, já era percussionista na banda de seo José Berbel e amigos. Não demorou para que ele se tornasse a principal atração do coreto de Presidente Alves aos domingos, o que alavancou a realização do sonho em seguir carreira.
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| Sucesso: José Paulo Berbel regendo a Orquestra Veritas, com o projeto Música na Praça no município de Avaré, em 1995 |
Formou-se em Música pela Fafil, atual USC, onde lecionou por 25 anos. Também participou de cursos no Conservatório de Tatuí e criou e incentivou diversos movimentos musicais na região e em Bauru, entre os últimos a Big Band Brasil.
Jornal da Cidade - Como o senhor se interessou pela música?
Maestro José Paulo Berbel - Meu pai era autodidata na música e meu avô, que foi o primeiro prefeito de Presidente Alves, o incentivava. Quando eu tinha 6 anos, meu pai tinha uma orquestra formada com amigos e eles ensaiavam na minha casa. Nos dias de ensaio, eu assistia do começo ao fim e nem dormia direito de tão feliz que ficava. Com 8 anos, eu já estava tocando percussão. Meu pai me ensinou a ler partituras, ele montou uma banda e me colocou para tocar. Foi o dia mais feliz da minha vida quando ele me convidou. Todos os domingos tocávamos no coreto de Presidente Alves. Eu virei a atração da banda. O grupo durou uns cinco anos e rodamos várias cidades da região.
JC - E quando a música passou a ser profissão?
Maestro Berbel - É até estranho, porque eu nunca tive que pensar o que queria ser quando crescesse. Desde os seis anos, eu já queria ter uma banda. Aos 16, ou até um pouco antes, eu passei a tocar profissionalmente. E formei meu primeiro grupo musical: "Os Terríveis". Eu tocava trompete e sax. Embalávamos bolero, rock, entre outros estilos em bailes e festas. Até em funeral eu cheguei a tocar trompete nessa época. Essa banda também durou uns 5 anos. Depois disso, eu entrei em um curso em Tatuí.
| Arquivo pessoal |
| Lígia Abreu (nora), Cida Berbel (esposa), Berbel, José Guilherme Berbel (neto), Lizandra Soares (nora), Fabrício Berbel (filho); agachados: Felipe Berbel (neto) e Vinícius Berbel (filho) |
JC - Como surgiu a Orquestra Veritas na sua vida?
Maestro Berbel - Em 1972, eu entrei para o Conservatório Pio XII, em Bauru. Na mesma época, ingressei no curso de Música da USC. Em 1977, eu já estava lecionando na USC. Ministrei aulas lá por 25 anos e, desde o começo, eu tinha a ideia de formar uma orquestra, mas isso só foi acontecer realmente em 1992. Neste meio tempo, eu tive outros grupos musicais e lancei meus dois primeiros LPs. Ao longo de dez anos da Veritas, foram mais de 175 apresentações nos Estados de São Paulo e Paraná, além de participações em congressos nacionais e internacionais. Tínhamos em Bauru o projeto Música na Praça, que teve extraordinário sucesso. Por desentendimentos e questões pessoais, acabei saindo. Foi o momento mais triste da minha vida toda. A boa notícia é que a eternizamos em 2 CDs.
JC - Depois deste episódio, você criou a Big Band Brasil, certo? O que pretendia com este novo projeto?
Maestro Berbel -Sim. A Big Band foi uma continuidade do trabalho que eu fazia na Veritas. E a ideia era ajudar entidades com a música, por meio de apresentações de graça e que tinham os valores de alimentos e bebidas revertidos. Foram 8 anos até a aprovação da Big Band, que era uma Organização de Sociedade Civil (Oscip), sem fins lucrativos. Em 2011, lançamos e gravamos um CD. Ensaiávamos no teatro do Preve, que era parceiro. Mas a banda acabou um ano depois e resolvi montar a Banda de Baile, em 2013.
JC - Em sua opinião, que impede a música orquestrada ou erudita de se popularizar?
Maestro Berbel - Falta educação para música nas escolas do País. É preciso que a pessoa se acostume desde a infância com o erudito para ter o que chamamos de ouvido refinado. Quando falamos em orquestra, as pessoas acham que é só o clássico, mas nós temos mostrado que a música orquestrada é versátil tocando de tudo. Acho que é algo que facilita o acesso.
JC - Como é possível mudar este cenário? Acredita que isso pode acontecer dentro de alguns anos?
Maestro Berbel - Eu tenho 71 anos e já estou um pouco sem perspectiva. Ainda tento ensinar as pessoas a gostarem do orquestrado, do erudito. Mas parece que tudo tem mudado para pior. Lutei tanto para conseguir recursos para manter a Oscip e, em oito anos, não consegui um centavo. Nem da Lei Rouanet. Foi minha pior frustração. Mas acho que o mundo erudito precisa se abrir um pouco mais também, porque os poucos programas que existem ficam chatos da forma como são apresentados, tanto na TV quanto no rádio.
JC- Na sua opinião, a música brasileira tem perdido qualidade ao longo dos últimos anos?
Maestro Berbel - Existem músicas e músicas. O erudito no Brasil caminha muito bem, apesar de pouco difundido. Bauru mesmo mantém com luta os projetos que possui, porque não há muito incentivo, e olha que já até exportamos músicos daqui. Não tenho preconceito com músicas, escuto de tudo, porque gosto de estar atualizado, mas tenho buscado entender qual o proposito e cultura dos DJs e MCs. Hoje, as músicas não têm mais muita qualidade no arranjo, elas começam e morrem logo, às vezes em um refrão.
JC - Você integra a Academia Nacional de Música no Rio de Janeiro. Qual papel desempenha atualmente?
Maestro Berbel - Em 1999, ingressei na Academia Nacional de Música, assumindo a cadeira de número 72. Sou o único representante de Bauru e do Estado por lá. No início, eu viajava e participava das reuniões mensais, mas eu mesmo tinha que bancar as viagens e parei de frequentar de forma assídua. Hoje, nos falamos via e-mail ou telefone, mas continuo meus trabalhos com o pessoal de lá. Meu sonho era ter levado a Orquestra Veritas para o Rio de Janeiro. As portas estavam abertas, mas não deu. Quem sabe eu consiga neste próximo projeto que montei em Avaí.
JC - Planos para o futuro?
Maestro Berbel - Há seis meses, montamos a Banda Musical Municipal Lídia Artioli, em Avaí. Temos 16 participantes e ajuda do empresário Jair Daré, que doou 25 instrumentos, recentemente. Estamos ensaiando e a expectativa é de que, em até dois anos, passaremos a participar de apresentações fora e competições. Também sigo com a Banda Baile. Meu filho Vinícius seguiu meus passos e está na percussão e o Fabrício, que é o mais velho, opera no som.
Perfil
Nome: José Paulo Castro Berbel
Idade: 71
Signo: Aquário
Esposa: Aparecida de Fátima Farias Berbel
Filhos: Fabrício e Vinícius
Netos: Felipe e José Guilherme
Time: Palmeiras
Filme: "Adivinha quem vem para jantar"
Música: "A Praia" de Agnaldo Rayol
Ídolo: Ray Conniff
Cor: Azul
Palavra preferida: Amor
Hobby: Escrever músicas
Para quem dá nota 0: PT
Para quem dá nota 10: José Berbel, seu pai (in memoriam)
Contato: josepauloberbel@gmail.com
Discografia
1982 - LP "Banda Musical Municipal Maestro José Berbel" - Presidente Alves/SP
1983 - LP "Banda Musical Municipal Maestro José Berbel" - Presidente Alves/SP
1995 - CD "Orquestra Veritas - The Big Band" - Bauru/SP
1996 - CD "Orquestra Veritas - The Big Band" - Bauru/SP
2001 - CD Hino do Colégio Preve Objetivo - Bauru/SP - Composição da Música
2002 - CD Hino do Esporte Clube Noroeste - Bauru/SP - Arranjo do Hino
2011 - CD "Big Band Brasil Orquestra" - Bauru/SP