09 de julho de 2026
Nacional

Emoção a cada encontro de sobrevivente em MG

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Depois de um dia de péssimas notícias em sequência em Brumadinho (MG), um grupo de socorristas e parentes comemorou ontem a informação, enviada por telefone pelo Corpo de Bombeiros ao centro comunitário do distrito de Córrego do Feijão, da localização de cinco pessoas que estavam desaparecidas desde o desastre desta sexta.

Uma assessora da Vale que participa do apoio às famílias confirmou, entre lágrimas, que cinco homens foram localizados com vida, mas ainda estavam sendo resgatados com apoio de helicópteros. Depois, outras duas vítimas foram encontradas com vida. Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, ao menos 11 pessoas morreram.

Um dos sobreviventes é irmão do bombeiro civil voluntário Jorge Luís de Faria, 51 anos, que desde anteontem participava de buscas na região com outros quatro amigos. Segundo Jorge, seu irmão Carlos Eduardo de Faria, 32 anos, trabalha como motorista numa empresa de pavimentação asfáltica contratada pela Vale e estava sem contato desde o momento do acidente.

Logo após receber a notícia da localização do irmão, Jorge saiu em outra missão com o grupo de voluntários para tentar localizar um idoso de 90 anos que estaria ilhado numa casa perto do Córrego do Feijão. O outro irmão de Carlos, o mecânico Paulo Henrique Faria, emocionou-se ao saber da notícia. Ele havia falado com a reportagem sobre as buscas ao irmão meia hora antes.

"Confiamos que ele está vivo em algum lugar esperando o resgate", disse Paulo Henrique. Ele contou que seu irmão acionou duas vezes o telefone celular depois do horário do acidente, estimado em 13h00.

"Ele deu um toque no celular de um amigo dele às 14h12 e 14h56, então tem que estar vivo por aqui mesmo", disse Paulo, enquanto contemplava a destruição na região do Córrego do Feijão.

Após saber da notícia, Paulo disse que o patrão de Carlos também telefonou confirmando que o irmão entrou para a lista dos sobreviventes.

Também neste sábado, um grupo de dez moradores da região de Brumadinho se posicionou na beira da lama que devastou a região do Córrego do Feijão para tentar ouvir algum pedido de socorro.

"Silêncio todo mundo, vamos ouvir!", repetiam os socorristas. Alguns segundos depois, os moradores garantiram estar ouvindo vozes de pessoas pedindo socorro. Isso bastou para alguns caírem em lágrimas e começarem a rezar.

A dona de casa Analice Ribeiro se emocionou porque alimenta a esperança de notícias sobre sua cunhada, Angelita Assis, 36, que é enfermeira de um posto de saúde da Vale perto da mina e tem dois filhos, um de 15 e outro de doze anos.

"Nós escutamos alguém gritando", repetia Analice, enxugando as lágrimas. Segundo ela, sua cunhada trabalha há sete anos na Vale e nunca comentou que poderia haver o risco de um rompimento da barragem.

Socorristas informaram as vozes a um grupo de soldados da Polícia Militar, que pelo rádio acionou o Corpo de Bombeiros.