| Douglas Reis |
| Verduras chegam na Ceagesp/Ceasa e já são comercializadas: Augusto Remoli Filho mostra alface e couve com caixas vazias |
A combinação entre sol forte, chuvas e calor intenso tem feito o preço das verduras subir em Bauru. Dados da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp/Ceasa) apontam que, durante a semana passada, houve elevação nos valores do atacado em virtude da baixa produção. A chicória é o produto mais afetado pelo calor intenso, com reajuste de 55% no atacado. Mais consumida, a rúcula é a segunda do ranking, com 35% de aumento. Já o alface e a couve aumentaram 28% e 22%, respectivamente, diferença que já pode sentida no bolso por alguns consumidores.
Por outro lado, o calor tem ajudado a produção de tomate, que, com o consumo em queda, teve redução de preços nos últimos dias.
Técnico operacional da Ceagesp/Ceasa, Augusto Remoli Filho diz que a caixa de 12 quilos de chicória subiu de R$ 18,00 para R$ 25,00. A de rúcula, com 5 quilos, que, até o final do ano passado, custava R$ 20,00, tem sido comercializada no atacado por R$ 27,00 hoje. Já o alface, vendido em caixas com 6 quilos, passou de R$ 25,00 para R$ 32,00. E a couve, na caixa com 3 quilos, flutuou de R$ 18,00 para R$ 22,00.
"Da virada do ano para cá, as verduras pararam de desenvolver por causa do calor intenso. A terra quente em contato com a água esquenta muito e a planta não resiste. Mas os produtores sabem disso. Por isso, nem plantam muita verdura nessa época. E como a oferta é pouca, o preço aumenta mesmo", comenta Remoli.
Produtora há 30 anos em Agudos, Maria Onohara diz que apenas 40% da sua horta prosperou. "Precisamos de paciência, porque é assim mesmo nesta época. Mas as coisas estão bem mais difíceis nas últimas décadas, porque as despesas só aumentaram e o preço da verdura, por mais que varie um pouco, tem se mantido nos últimos anos", cita a produtora.
Como há pouca oferta e nenhum comprador quer ficar sem o produto em seu comércio, mesmo com o reajuste, as verduras que chegam à Ceagesp/Ceasa têm venda rápida.
Ainda no início da manhã da última sexta-feira, dona Maria organizava as caixas vazias de alface, rúcula e couve.
DIMINUIR LUCRO
Proprietário de uma marmitaria no bairro Higienópolis, Vinícius Oliveira, 36 anos, será afetado diretamente pelo aumento. Por dia, o estabelecimento utiliza até 12 maços de alface.
"O verdureiro já disse que a produção foi ruim e que vai subir em média 25%. Não temos como repassar isso ao cliente. Terei que absorver o aumento tirando do lucro", comenta o empresário.
| Douglas Reis |
| Preço do tomate caiu, porque a demanda pelo produto pelos consumidores também caiu |
QUEDA NO TOMATE
A boa notícia é que os legumes não foram afetados, assim como os tubérculos. E o tomate, que é uma fruta, teve queda de preço. Comercializada a R$ 75,00, a caixa com 25 quilos da fruta caiu para R$ 55,00 desde a última segunda-feira.
"O pessoal tem plantado tomate em estufa, por isso há equilíbrio na produção. A queda de preço é por causa da demanda menor dos consumidores", explica Remoli Filho.
Ainda de acordo com ele, com exceção do tomate, as demais frutas não registram queda de preços. "A produção até cai um pouco no calor, mas os produtores têm câmara fria. Em janeiro, não temos falta do produto também porque, apesar do calor, as pessoas reduzem as compras no mercado para arcarem com as contas de fim e começo de ano", afirma Remoli Filho.
Melancia está mais doce no sabor, contudo, 'mais salgada' no bolso
Enquanto todas as frutas têm mantido o preço na região, a melancia registrou aumento de aproximadamente 70% em relação à dezembro. Mas o tipo do produto que tem sido comercializado é mais doce.
| Douglas Reis |
| Miguel Ponce diz que, nesta época, Bauru recebe melancia de Goiás e do Rio Grande do Sul |
Distribuidor da fruta na Ceagesp/Ceasa, Miguel Ponce explica que a melancia produzida na região de Bauru, que tem preço no atacado entre R$ 0,60 a R$ 0,90 o quilo, já teve escoamento nos meses de novembro e dezembro e a próxima safra somente deve ocorrer entre abril, maio e junho.
"Agora, a melancia está sendo vendida a R$ 1,40 o quilo, porque a produção vem de Goiás e do Rio Grande do Sul. Existe essa divisão, para evitar tanta concorrência. A vantagem é que a safra de lá é de uma melancia mais docinha", compara o distribuidor.
ESSENCIAIS NO CALORÃO
Frutas e verduras são alguns dos alimentos mais indicados por nutricionistas para consumo nesta época do ano, em que o calor é intenso. Isto porque são alimentos que ajudam a repor a água perdida pelo organismo para o meio externo, principalmente em decorrência do suor.