08 de julho de 2026
Articulistas

Tempos difíceis

Bruno Svizzero Cabello
| Tempo de leitura: 2 min

Barulho, confusão, brigas, discussões intermináveis. Falar em polarização já virou lugar comum.

Grupos de Whatsapp distribuindo verdades e mentiras, distorcendo fatos e gerando opiniões. Todos querendo ser ouvidos, mas ninguém querendo ouvir. Temos pressa. Chegou a hora de todo mundo, tudo junto, todos de uma vez. O ser humano perdeu a capacidade de ouvir, raciocinar, digerir, para depois falar.

Perde-se tempo demais tentando impor uma condição do que refletindo se aquilo está correto. Nos serviços, temos exemplos diários de distração, desinteresse, tudo para voltar ao celular e checar a última atualização do feed. Além de um bom trabalho, falta empatia, bom senso, generosidade, atenção.

Na televisão, os jornalistas abordam os temas polêmicos, mas esquecem de destacar o horário do jogo ou do programa anunciado. A informação é escassa, o que interessa é o conteúdo pop. Certa vez, um morador de Tóquio me disse que estranhava a nossa mania de conversar com desconhecidos no elevador, pois lá eles ficam em silêncio, em sinal de respeito por uma pessoa que não conhecem. Quanta diferença, pois aqui, muitas vezes, a pessoa quer vasculhar sua vida inteira em alguns andares. Há quem diga que soe conservador, mas respeito e integridade deveriam ser valores modernos também. Quando gritamos, estamos forçando o outro a ouvir nossa ideia. Quando você vai quase sem roupa a um evento social, além de estar "rompendo barreiras" e mostrando "empoderamento", pode também estar desrespeitando os costumes do local.

Como diz o filósofo Luiz Felipe Pondé, essa "Era do ressentimento" acaba por vitimizar toda e qualquer situação. A conduta deve servir de norte, orientação, não como imposição. Somos livres para fazer o que quisermos desde que não interfira no outro. Na política, religião ou nos negócios, você pode escolher uma posição, mas não esqueça que o outro tem a dele. A expressão em inglês "in your shoes" cai bem como exemplo.

Desse modo, nesse mundo complexo e acelerado, com o advento das tecnologias transformadoras, que estão mudando as relações entre as pessoas, será que estamos caminhando para uma evolução como espécie ou apenas queremos ser ouvidos e termos razão? No atropelo da ideia pode haver revanchismo, sendo que na arrogância intelectual pode haver retaliação.

O autor é advogado, pós-graduado pela PUC/SP e empresário.