"Eu tenho um chamado para a ação social. É algo que Deus colocou na minha vida, no meu coração". Assim se manifestou Michelle Bolsonaro à Revista Veja, em 28nov18, sobre seus projetos na função de primeira-dama do Brasil.
De pronto, já no primeiro dia do ano, na condição de primeira-dama, não se fez de rogada. Exerceu protagonismo. Sua presença irradiou luz em todo ato de posse do 38º presidente da República do Brasil, Jair Messias Bolsonaro.
Brilhou mais do que as luzes, naturais e artificiais, que compunham o cenário do ato cívico: lua, estrelas, refletores, holofotes, câmaras... Deixou claro que tem luz própria e que não ficará apagada. Tem estilo próprio de ser: no vestuário; na postura; na ação social.
No parlatório do Planalto, emocionada, Michelle Bolsonaro quebrou a tradição protocolar de a primeira-dama ser apenas figurante. Discursou por pouco mais de dois minutos. Utilizou a Língua Brasileira de Sinais - Libras, com tradução simultânea. Agradeceu em seu nome e do marido o apoio à candidatura, a solidariedade e as orações sobre o episódio da tentativa de assassinato. Enfatizou ainda: "Gostaria de modo muito especial de dirigir-me à comunidade surda, às pessoas com deficiência e a todos aqueles que se sentem esquecidos. Vocês serão valorizados".
A vivência de Michelle origina de sua atuação como voluntária. Também era tradutora de Libras nos cultos da igreja evangélica que frequentava no Rio de Janeiro. Na ação social, demonstrou pretender protagonizar com o marido, que tem "Messias" no nome, a perspectiva de "Salvador". Lembro que a palavra hebraica Messias, ficou associada ao Salvador prometido por Deus.
A perspectiva agora é que novos canais para projetos de acolhimento, inclusão, reivindicação e comunicação sejam disponibilizados, nos aspectos técnico, administrativo e financeiro. Com certeza, essa também é a expectativa de dirigentes de entidades que atendem pessoas deficientes e menos favorecidos, de todo País. Em nossa região, permitam-se mencionar Olga Bicudo, João Bidú, Catarina Carvalho e Miguel Daré.
Na prática, a postura de Michelle já está acelerando de vez a inclusão na sociedade das pessoas com surdez. Tenho notícias que em vários estados e cidades as câmaras estaduais e municipais estão mobilizando para utilizar os intérpretes de sinais de Libras, nas sessões e solenidades públicas. As reivindicações têm partido de pessoas, entidades e representantes políticos. Em Bauru, o Jornal da Cidade noticiou que os vereadores Fábio Manfrinato e Roger Barude já manifestaram preocupação neste sentido.
Retomo ao curto e abrangente discurso de Michelle Bolsonaro. Com razão, está sendo destacado o fato de ter proposto valorizar a comunidade surda e as pessoas com deficiência. Porém, nenhum realce está dado à abrangência e à profundidade do final da frase: "...e a todos aqueles que se sentem esquecidos".
O autor foi regional da CPFL, executivo de Gabinete da prefeitura e da Cohab, é assessor de civismo e cidadania da governadoria LC8 do Lions.