09 de julho de 2026
Geral

Um dia após temporal, 'apagão' atinge várias regiões de Bauru

Cinthia Milanez e Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 4 min

Samantha Ciuffa
Em uma sorveteria na quadra 15 da Agenor Meira, várias caixas do produto foram perdidas

Há, pelo menos, 12 horas sem energia elétrica, alguns moradores e comerciantes do Altos da Cidade, Vila Souto e Vila Independência, em Bauru, ficaram inconformados diante da demora do restabelecimento do serviço, afinal, a chuva forte só acometeu o município no último domingo (3) à noite. Embora não tenha divulgado a quantidade de bairros afetados pelo problema, a assessoria de comunicação da CPFL Paulista argumenta que, em dois terços dos casos de "apagão", a interrupção é provocada por fatores externos ao sistema elétrico, como os temporais.

Porém, a proprietária de uma sorveteria situada na quadra 15 da rua Agenor Meira, na região central da cidade, Ilda Maria Castor, acredita que a concessionária não esteja isenta desta responsabilidade. Tanto que resolveu acioná-la na Justiça.

Para se ter ideia, o estabelecimento ficou 14 horas "no escuro", entre 20h20 de domingo (3) e 10h30 dessa segunda-feira (4). O problema levou Ilda a perder 6.533 picolés, 256 caixas de sorvete e 293 copos do mesmo produto. O prejuízo financeiro ainda não foi contabilizado pela empresária.

Agora, Ilda tenta reverter o quadro. "Alguns itens serão reaproveitados, mas outros, como os picolés, que perderam a forma, não dá para vender. Creio que os doarei a creches e escolas", revela.

Devido à falta de mercadoria, o estabelecimento teve de fechar as portas até, ao menos, a tarde dessa segunda-feira (4). "Os carrinheiros, que vendem sorvete pelas ruas, também deixaram de trabalhar", pontua.

Segundo a comerciante, esta é a terceira vez em que o problema afeta o negócio. "Nas outras ocasiões, eu fiquei quieta, mas não dá para continuar desta forma", desabafa.

Quem também está insatisfeito com o "apagão" é o aposentado Paulo Roberto de Camargo, de 66 anos, que vive na quadra 7 da rua Prudente de Moraes, na Vila Souto, junto à esposa.

De acordo com ele, a energia acabou por volta das 23h30 de domingo (3) e, até as 12h de ontem, não havia voltado. "O problema afetou todas as casas do quarteirão", dimensiona.

Já a aposentada Olinda de Oliveira Sancho, de 68 anos, mora na quadra 4 da rua Newton Prado, na Vila Independência, junto à filha.

Ambas ficaram "no escuro" às 19h30 de domingo (3) e, até as 12h dessa segunda (4), nenhum sinal de restabelecimento. "Desde domingo, os vizinhos estão em contato com a CPFL, que fala que enviará um técnico, mas ainda não vimos ninguém pelas redondezas", critica.

E AGORA?

Samantha Ciuffa
Sorveteria perdeu mais de 6 mil picolés, que devem ser doados

Em nota, a assessoria de imprensa da CPFL informa que "o temporal, acompanhado de descargas atmosféricas e fortes ventos, provocou danos na rede elétrica da distribuidora e ocasionou interrupções no fornecimento de energia".

A CPFL esclareceu, ainda, que, em dois terços dos casos de "apagão", a interrupção é provocada por fatores externos ao sistema elétrico, como os temporais.

No entanto, a empresa não dimensionou a quantidade de bairros prejudicados até segunda-feira (4), nem divulgou o prazo para que o serviço fosse restabelecido.

Além da chuva e vento, falta de poda de árvores prejudica

Samantha Ciuffa
Queda de galhos em fios elétricos atrapalha, aponta Julio Lopes

Os moradores e comerciantes do entorno da Escola Estadual Ernesto Monte, situada na região dos Altos da Cidade, em Bauru, afirmam que outro problema, além da chuva forte, leva à queda constante de energia elétrica naquela área. Segundo os moradores, a falta de manutenção do jardim do colégio faz com que os galhos caiam toda vez que chove. Eles encostam na fiação elétrica desencapada, fato que provoca curto-circuito na chave de segurança, localizada na quadra 15 da Agenor Meira.

De acordo com Julio César Lopes, proprietário do Bauru Office Hotel, situado na quadra 15 da rua Agenor Meira, esta foi a terceira vez, em 15 dias, que o estabelecimento ficou sem energia por horas. "Isso é um absurdo. Nosso hotel e os comerciantes vizinhos estão dentro da região central da cidade. O atendimento é muito demorado. Sem energia, ficamos sem sistema de controle de hospedagem, ar condicionado e elevador por horas", comenta o empresário, que questiona a demora da CPFL em resolver o problema.

Ele destaca, ainda, que houve falta de abastecimento no dia 20 de janeiro, por cerca de três horas. No dia 24, novamente, por oito horas. Entretanto, o último domingo superou: 15 horas sem energia, das 20h de anteontem até as 10h30 dessa segunda (4), quando, enfim, o caminhão da concessionária chegou. "Nós, comerciantes, sabemos onde está o problema: no Ernesto Monte, do lado do hotel e da prefeitura. As árvores derrubam galhos toda vez que chove ou venta forte. Os galhos prejudicam a rede elétrica. Já conversamos com a diretora, há mais de 20 dias, e a resposta que recebemos é de que tudo precisa passar pela Secretaria de Educação. Se estes galhos caírem e machucarem alguém, não será acidente", ressalta Julio, que acionou, por conta própria, um engenheiro eletricista. O profissional forneceu um documento com soluções rápidas, fáceis e baratas, que foi entregue na sede da CPFL, em Bauru.

A Diretoria Regional de Ensino de Bauru informou, em nota à Redação, que o serviço de energia elétrica foi restabelecido na manhã dessa segunda-feira (4) e as aulas transcorreram normalmente na Ernesto Monte. "A diretoria da escola já acionou os órgãos competentes para retirada dos galhos e poda das árvores cujos galhos se encontram muito próximos à rede elétrica", diz o comunicado.