09 de julho de 2026
Polícia

Pai de Vitória é enterrado no mesmo dia da condenação do assassino

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

João Rosan/JC Imagens/Reprodução
Vitória Graziela Fernandes

Cerca de cinco horas antes de a sentença do caso Vitória ser proferida pelo Tribunal do Júri, na quinta-feira (14), uma triste e infeliz coincidência abatia parte da família da garota novamente. Pai de Vitória, Edilso Fernandes de Lima, de 50 anos, foi enterrado por volta das 14h no Cemitério do Jardim Redentor, em Bauru.

Ele morreu um dia antes do julgamento que condenou o assassino de sua filha a 50 anos de prisão, por sequestrar, estuprar, lesionar, queimar viva e ocultar o corpo Vitória Graziela Fernandes de Lima, morta aos 6 anos, em 2012, em uma mata na estrada entre o Jardim Tangarás e Parque Manchester.

Renal crônico e diabético, Edilso foi internado no Hospital de Base na última terça, mas não resistiu a uma parada cardiorrespiratória na manhã de quarta.

Arquivo pessoal
Edilso Fernandes de Lima

"Ele acreditava na Justiça, mas não tinha mais força para acompanhar o caso. Amava muito a Vitória. Quando lembrava dela, chorava de saudade. Foi uma infeliz coincidência ele ter morrido algumas horas antes da condenação. Mas acredito que ele foi em paz, dizia que só queria se lembrar da Totóia (apelido carinhoso que Edilso dava à Vitória) nos momentos bons que passou com ela", comenta Lucineia Martins Maia, de 31 anos, que era companheira de Edilso nos últimos anos.

Após o crime, em 2012, Edilso teve depressão e parou sua vida por, ao menos, seis meses. Mas, depois de receber a notícia da gravidez de Lucineia, teria feito de tudo para seguir em frente. "Nosso filho fará 6 anos em 2019 e eles eram muito companheiros. O Edilso mostrava as fotos da Vitória para ele e tentava explicar que era uma irmãzinha que morava no céu", se emociona Lucinéia.

Em 2015, a doença de Edilso, que trabalhava como pedreiro, progrediu. E ele chegou a amputar um dos pés. Foi após as complicações na saúde que, segundo Lucineia, ele parou de acompanhar de vez o caso. "Nem sabíamos que o julgamento seria ontem (quinta-14)", finaliza a mulher.