09 de julho de 2026
Geral

Aos 108 anos de idade, morre em Bauru dona Bibi Monteiro

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

João Rosan/JC Imagens
Mineira, dona Bibi se considerava bauruense por amor à cidade

Morreu, no último sábado (16), aos 108 anos, Abibia Aguiar Monteiro, a dona Bibi, que dedicou mais de três décadas de sua vida à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) em Bauru. Exemplo de cidadania, dona Bibi participou de várias reportagens do JC e exerceu seu direito de voto até a penúltima eleição. Elas estava internada desde o dia 5 de fevereiro em um hospital particular da cidade com quadro de suspeita de dengue, mas foi acometida por uma pneumonia durante o tratamento, e não resistiu às complicações da doença.

"Poucas pessoas de 80 anos sabem o que é ter uma mãe viva, eu soube e agradeço", lamenta a filha de Bibi, Jussemy Aguiar Monteiro, 81 anos. "Ela rompeu o trato que tinha comigo: não ia morrer. E cumpriu por 108 anos e 34 dias. Mas, ultimamente, se dizia muito cansada. Em 16 de fevereiro, ela foi apagando devagarinho e se foi. Deixou saudades", acrescenta. Abibia Aguiar Monteiro, a dona Bibi foi uma das primeiras voluntárias da Apae. Intensificou seu trabalho voluntário após a morte do marido, o cirurgião dentista Rubens Monteiro, em 1991.

TRAJETÓRIA

Jovem de espírito, Bibi nasceu em 6 de dezembro de 1910, em Argirita, Minas Gerais, na época da República Velha, quando Hermes da Fonseca assumia a Presidência do País. Embora não tenha nascido em Bauru, ela se considerava uma bauruense por amor à cidade. Ela veio a Bauru em 1952, porque o marido havia aceitado um convite para trabalhar na extinta Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), onde permaneceu até se aposentar.

Bibi foi uma das primeiras mulheres a ter habilitação para dirigir na cidade. Tirou a CNH em 1939 e ficou atrás do volante até os 89 anos.

Vizinha por muitos anos da atual presidente da Apae de Bauru, Olga Bicudo Tognozzi, ela ganhou gosto pelo voluntariado. Na última entrevista concedida ao JC, em dezembro de 2015, inclusive, ela disse que ajudar o próximo era o segredo para a longevidade. "Esse tipo de trabalho faz você se esquecer dos problemas e não deixa a mente envelhecer".

Jussemy conta que foi em 2016, depois da primeira cirurgia da sua vida, que Bibi passou a ter menos disposição e se incomodava com as dificuldades para andar. "Mesmo depois dos cem anos ficava acordada esperando eu chegar. Ela viveu lúcida até ser internada. E só não votou na última eleição por causa da dificuldade de mobilidade, mas sempre nos incentivou. Dizia que não votar não seria justo com todas as pessoas que lutaram e sofreram para que a mulher tivesse o direito de voto", acrescenta a filha. Além de Jussemy e seo Rubens (em memória), dona Bibi deixa o filho José Rubens de Aguiar Monteiro. O enterro ocorreu ainda no sábado, no Cemitério Jardim do Ypê.