09 de julho de 2026
Geral

'A vida abre portas, tire as trancas'

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Margo Tripolini Sé relata a sua história em livro, onde consta trajetória de outras 15 mulheres

A vida é um moinho, mas você não precisa estar preso ao ciclo da roda e nem da engrenagem. Trajetórias de quem enfrentou adversidades além do abismo social ou mergulhou em busca da fração de luz para a saída ou de quem enfrentou os próprios conflitos psicológicos e deu guinada, com decisões improváveis ou inusitadas, brotam ao nosso redor. Para quem é especialista, nada é por acaso, nem o desânimo, nem a zona de conforto.

Em 2016, a agência de eventos e negócios de uma empresária bauruense foi escolhida como a melhor no segmento. Sua trajetória, porém, teve início com uma família de três filhos adotados por uma paulistana do subúrbio e solteira, há quase 40 anos. A adotiva foi de empregada doméstica à supervisora de uma grande empresa de telefonia, na época, até se consolidar profissionalmente com seu próprio negócio, hoje em Bauru.

"Na prática, eu fui trabalhar desde os 8 anos, como uma espécie de companhia de crianças menores que eu, em São Paulo, para levar uns trocados para casa. Até os 18 fui doméstica. Minha luz? Além de querer sempre algo, eu lia muito. Morei na casa de patrões e lá tinha muitos livros. Os livros me salvaram", conta Margo Tripoloni Sé, proprietária da agência ME.

Sua história de reviravolta e desafios, e de outras 15 mulheres, está no livro "Mulheres que fazem acontecer", da Editora Gregory.

"Eu li na casa onde trabalhei vários livros do Roberto Shinyashiki (psiquiatra e empresário brasileiro, famoso autor de obras de autoajuda e palestrante). Eu me vi no que ele falava. Eu não tive escolha a não ser não me acomodar com as dificuldades. Tive de sair da zona de conforto. As pessoas acham que não devem passar por dificuldades. Eu entendo. Mas eu não teria chegado até aqui, construindo o que já consegui na vida profissional, pessoal, se não tivesse enfrentado o que passei, por mais estranho que isso possa parecer", comenta.

Pelo mundo, em busca de novos horizontes

Fotos: Jack Robert Photography
Gah Góes: “Não, não sou dançarino, mas na banda você faz de tudo. E foi um grande aprendizado”

A história de abrir portas tem enredo diferente para o músico e produtor fonográfico Gah Góes. No ano passado, ele decidiu mudar de ares, buscar "oxigênio novo em meio à crise". Já formado em produção fonográfica pela Fatec Tatuí, no início de 2018, ele leu um post, no Facebook, de uma amiga a respeito de uma banda que curte. "Uma amiga da faculdade havia republicado um post original de Alex, guitarrista da banda Medulla e da ''No Longer Music''. Na publicação, era informado que a banda ''No Longer Music', dos EUA e que é formada por missionários, estava à procura de um técnico de som brasileiro com disponibilidade para uma turnê de quatro meses com a banda, no verão europeu deste ano. Pesquisei um pouco. Mandei um e-mail, informando interesse para a vaga, com meu currículo anexado. Mas não deu certo nessa", conta. 

Gah Góes percorreu o mundo com a banda que o desafiou com novas performances

Goés fez uma entrevista por Skype, mas o contato não avançou. "Eu estava na China, visitando parentes em Macau e, em abril, voltei para o Brasil porque o lance com a banda não avançou. No início de maio, recebi uma mensagem de Bem, vocalista da banda, solicitando uma entrevista no dia seguinte, de novo via Skype. Fiz a entrevista. Eles estavam nos EUA. Eu, no apartamento de minha mãe em Bauru. Ofertaram pra eu participar de turnê já em maio, como técnico de iluminação. Topei. No dia seguinte, vieram as passagens e já em 10 de maio parti para a Europa", descreve o produtor.

Ele menciona que a turnê ampliou horizontes. "O trabalho era de música com missionários e onde os integrantes fazem mais de uma coisa. Aprendi sobre montagem de palco, estruturação do caminhão palco próprio e equipamentos, luz e roteiro dos shows. Mal sabia que eu seria, então, o responsável pelas luzes do show pelo resto da turnê. Começamos a turnê pela Albânia e de lá percorremos vários países da Europa", cita.

Na estrada, o músico foi "surpreendido" com a necessidade de a banda substituir o baixista. "A banda estava passando som. Entrei no palco fingindo que estava tocando. Então David, vocalista/ator/criador da banda, gostou e me disse que na próxima parte eu faria baixo (já que o ator/baixista teria de deixar a turnê para voltar aos EUA). O show da banda é bem enérgico, diferente de tudo o que eu já havia visto na minha vida. Tive de fazer as mesmas coisas que o baixista estava fazendo, como a loucura de entrar com um capacete de fogo na cabeça. Foi demais", conta.

A experiência deu certo e Góes voltou para a Alemanha e se integrou aos ensaios para a turnê com passagens pela Alemanha, Polônia e Hungria. Depois veio uma turnê na Ucrânia, já com o bauruense como dançarino e baixista no palco.

"Não, não sou dançarino, mas na banda você faz de tudo. E foi um grande aprendizado para mim", conclui o músico após 45 shows. De volta a Bauru, na pausa, Gah já se lançou de novo em nova turnê, agora começando pela Colômbia.

Divulgação
Alexandra Fabri, consultora de RH, é também autora do livro "O Código T"

Analisar, observar e transformar...

Para a consultora especialista em gestão de pessoas e comportamento humano, Alexandra Fabri, o ser humano busca soluções em obras de autoajuda que nem sempre ajudam. E a questão não está no livro ou na abordagem, mas na pessoa que buscou a informação. "Não é culpa dos autores. Ocorre que, até aqui, vasculhamos os sintomas das dores emocionais e as curamos com os 'comprimidos', ou seja, as palavras que inibem a dor e não geram a cura. Temos a chance de investigar a raiz e as causas dessas dores escondidas sob o tapete da inconsciência, que nos recusávamos a levantar para dar uma bela e consciente olhada", detalha a autora do livro "O Código T".

A obra traz uma metodologia terapêutica que a autora desenvolveu a partir de anos de experiência em consultorias. O trabalho relata inúmeros exemplos de "pacientes" que encontraram, na abordagem, a chave para a reviravolta interna em suas vidas pessoais e profissionais. "É possível praticar soluções mentais que nos libertam. A abordagem está baseada no tripé: analisar, observar e transformar, com histórias reais de pessoas que praticaram "O Código T" e conseguiram transformar, positivamente, a própria vida. Levante o tapete e dê as boas-vindas à sua nova vida!", sugere a autora.