08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Gritos

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

São tantos os gritos que teríamos para soltar que a maioria de nós acaba por ficar muda. Em algumas situações às vezes é melhor nos calarmos mesmo, algumas vezes por não termos uma sugestão para dar, noutras uma fonte de propagação para levar o grito e este ecoar. Em muitas situações, seria a falta de coragem ou simplesmente a descrença em que possamos mudar alguma coisa com esses gritos.

Então, sem força ou sem querer alertar ou mesmo pedir socorro, vamos sofrendo a consequência e muitas vezes repetidamente morreu afogado ou no máximo abraçado, por não saber ou não querer soltar a voz. Mas tudo se poder aprender isso mesmo antes de morrer, isto seria a não conformação em viver em um mundo tão surdo e tão precisado de escutar.

Eu ou você, acho, temos aqui um canal legal e por isso sempre que posso não me furto de dar um grito, ainda que meio baixo e rouco, nesta Tribuna do Leitor, que se posso eu, bem poderia você também.

Nosso bairro, nosso cidade, nosso país que roda, roda e muda pouco, e isso exatamente como eu e você, porque o nosso bairro, cidade ou país são feitos pelo nossa noção ou procuras de se achar um modo mais justo, mais legal, de se viver, com mais equilíbrio, pois cada vez que nos calamos estamos dando o nosso consentimento para ficarmos cada vez mais achatados diante do absurdo da desigualdade proposta por uma sociedade cada vez mais egoísta.

E assim vamos aos marginalizando ou ajudando a marginalizar os muitos que ficam de fora dos deveres e mais ainda dos direitos sociais que trariam uma vida digna para todos.

E, por fim grito, pelo povo da favela São Manoel (cortada pela maltratada avenida Daniel Pacifico), que convive com o caos social, sem infraestrutura, além do problema da droga em si que só não enxerga quem não quer ver, um Rio "esgoto" Bauru, ferrovias que há muito perderam a razão de ser e que mesmo tendo sido o "berço" do nascimento da cidade hoje só nos fazem ver a nossa falta de capacidade em gritar. Gente, nossa cidade vai morrer, pois essa é uma ferida aberta há muito tempo e se não for curetada a tempo vai contaminar até quem nem em sonho imagina onde é este lugar.