| Vitor Oshiro |
| Jovens lotaram o Parque Vitória Régia neste domingo para festejar o Carnaval |
O cancelamento da 9.ª edição do Bloco Domingo Pé de Cachaça, anunciado na última sexta-feira (22) pela organização do evento (leia mais abaixo), não impediu que milhares de jovens, muitos deles fantasiados, ocupassem neste domingo (24) o Parque Vitória Régia para realizar uma grande festa de Carnaval a céu aberto.
Com toda a infraestrutura garantida pela Prefeitura - que interditou ruas no entorno do parque e instalou banheiros químicos no local - e segurança reforçada pela Polícia Militar (PM), foliões de Bauru e região se reuniram para festejar e se divertir.
Houve alguns conflitos isolados e, em pelo menos um deles, a PM teve de usar bombas de efeito moral e gás lacrimogênio para conter os ânimos exaltados. Mas não há informações de que alguém tenha se ferido.
O estudante José Roque Silva, de 21 anos, conta que sempre participa das comemorações que marcam a semana anterior ao Carnaval. "Eu já tinha combinado com uns amigos de vir. Aí ficamos na dúvida se iria ter o não, mas decidimos vir", afirma. "Está gostoso. Mas tem muito funk. Carnaval tem que ter música de Carnaval".
| Aurélio Alonso |
| Os amigos Renan Navarro, Erik Belizário, Paulo Ricardo Joanini e Jefferson Ferraz aprovaram a festa |
Os amigos Renan Navarro, 27 anos, Erik Belizário, 20 anos, Paulo Ricardo Joanini, 18 anos, e Jefferson Ferraz, 30 anos, também aproveitaram a tarde de sol e calor para se divertir. "Já virou tradição. A gente participa todo ano. E a Internet é um meio muito forte. As pessoas conseguem se unir muito rápido", ressalta Renan.
Lívia Baoli, 24 anos, e Natália Rios, 26 anos, criaram suas próprias fantasias para participar do bloco. Mesmo com o cancelamento, elas fizeram questão de marcar presença no Vitória Régia. "Todo mundo já tinha se planejado. A animação não acaba", diz Lívia. "Estou curtindo. Manteve a tradição", complementa Natália.
| Aurélio Alonso |
| Lívia Baoli e Natália Rios produziram suas fantasias para fazer bonito no evento |
Juliana Marques, 23 anos, e Gabriel Lambertini, 27 anos, levaram a filha Helena Lambertini, de um ano, para festejar em família. "A gente já tinha comprado a fantasia, se organizado. Nem pensávamos em pagar. A gente pensou em ficar só um pouquinho do lado de fora só para ver porque ela é muito pequena ainda. Tem que ser coisa rápida", revelou a mãe.
Jade Ferraz, de 21 anos, veio de São Manuel com um grupo de amigas para conhecer o bloco e, apesar da mudança de última hora, não se arrependeu. "Já estava combinado. Nós estamos adorando ver essa galera reunida aqui", declara.
| Aurélio Alonso |
| Juliana Marques e Gabriel Lambertini levaram a pequena Helena, de 1 ano, para o Vitória Régia |
CANCELAMENTO
Conforme divulgado pelo JC, na tarde de sexta-feira (22), a organização do Bloco Domingo Pé de Cachaça informou que a 9.ª edição do evento havia sido cancelada. A festa, que reuniria milhares de foliões em trajeto pela avenida Nações Unidas, tinha concentração marcada para 9h deste domingo.
Na atual edição, o evento aberto e gratuito teve uma remodelação em seu formato. O bloco ainda seria realizado até 18h, porém, com a inclusão de uma área fechada, ao custo de R$ 20,00, para que, de acordo com a organização, houvesse efetivo controle relacionado, por exemplo, à venda de bebidas.
| Aurélio Alonso |
| As amigas Thalita Matano, Mariana Silva, Isabelli Antunes, Maiara Silva e Jade Ferraz, de São Manuel, elogiaram a festa |
Em nota oficial, os organizadores informaram que toda a estrutura foi idealizada em conjunto com as autoridades locais, inclusive Prefeitura de Bauru. "Imediatamente após a formatação do evento, a organização do bloco adotou todas as providências legalmente exigidas para a sua realização", completa.
Ainda em nota, a organização afirmou que, após o bloco receber críticas de parte da opinião pública e imprensa, ocorreu a designação de novas reuniões pelas autoridades, que passaram a realizar novas exigências à organização, não apresentadas anteriormente.
| Aurélio Alonso |
| O vendedor de drinks Luciano Alves Dias veio de Marília para tentar faturar uma grana extra |
"Passou a ser atacado por um órgão da imprensa bauruense que, de forma infundada, acusava o evento de ser clandestino e frequentado por vagabundos, arruaceiros e universitários baderneiros", informou a nota, sem citar nomes.
"Diante de todo o prejuízo suportado pela organização, diante das novas exigências realizadas pelas autoridades competentes às vésperas da data prevista, e das infundadas acusações que prejudicam sua tradição, torna-se inviável a realização da edição 2019 do evento".
| Aurélio Alonso |
| José Roque Silva decidiu manter a tradição da festa que antecede o Carnaval |
EXPLICAÇÕES
A prefeitura, por sua vez, também emitiu nota lamentando "a decisão pelo cancelamento do evento" e dizendo que a licença municipal estava autorizada pela Prefeitura, "ficando à disposição dos organizadores desde que atendidas as exigências para emissão do alvará".
"Alvará é uma licença que compreende autorizações e providências que devem ser cumpridas em entes públicos, como a Prefeitura Municipal, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Juizado de Menores, entre outros. Por se tratar de um evento com fins lucrativos, o mesmo não pode fechar espaços públicos para cobrança de ingressos e necessita ainda de providências para disponibilização de policiamento, controle de tráfego, controle de venda de bebidas alcoólicas, disponibilização de banheiros químicos e outras infraestruturas essenciais para garantir condições mínimas de conforto e segurança para a população", ressaltou.