09 de julho de 2026
Geral

Servidores e docentes da Unesp aderem à greve, dizem sindicatos

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Douglas Reis
Coordenador jurídico do Sintunesp, Jorge Cerigatto revela que o estopim da greve foi o atraso do 13.º salário dos autárquicos

Sem o 13.º salário integral desde o final do ano anterior, os funcionários da Unesp, em Bauru, anunciaram greve, deflagrada pelos servidores técnicos no último dia 20. Os docentes, porém, decidiram pela paralisação na última segunda-feira (25), quando houve panfletagem pelo câmpus. A universidade alega que não há paralisação das atividades, incluindo as aulas.

Professor doutor da Unesp, em Bauru, e tesoureiro da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), Nilton Vieira do Prado Júnior explica que a categoria optou pela adesão, porque a reitoria vai pagar o 13.º salário, atrasado desde o final do ano passado, em duas vezes, sendo uma agora e outra só em maio.

O quinto mês do ano, inclusive, é o dissídio do grupo, que teme, também, ficar sem qualquer reajuste salarial. "Estamos há três anos com um reajuste de apenas 1,5%", revela.

Outra preocupação da categoria é de que a instituição tenha problemas para pagar o salário de dezembro de 2019, que foi antecipado para quitar o 13.º.

A PARALISAÇÃO

Coordenador jurídico do Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp), Jorge Guilherme Cerigatto informa que a paralisação teve início no último dia 20 e, atualmente, conta com a adesão de 20% dos servidores do câmpus de Bauru, que abriga aproximadamente 1 mil funcionários.

De acordo com ele, a categoria é contra o sucateamento da universidade; o fechamento do Centro de Convivência Infantil (CCI), destinado aos filhos dos servidores; a Reforma Administrativa Acadêmica, idealizada sem a participação da comunidade; o fim de cursos e campi, afinal, não houve vestibular do meio do ano; e a ideia de cobrar mensalidade dos alunos.

Outra reivindicação diz respeito à falta de cumprimento de acordos passados, como a equiparação salarial com a USP.

Ainda segundo Jorge, os estudantes também ficaram de se reunir hoje, com o propósito de discutir a adesão à greve.

OUTRO LADO

Em nota, a assessoria de comunicação da Unesp esclarece que a greve no câmpus de Bauru não paralisou as atividades das unidades universitárias, incluindo as aulas.

"A Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB) funcionou normalmente. Na Faculdade de Ciências (FC), apenas um servidor parou e, mesmo assim, nenhuma atividade foi interrompida", destaca a universidade, completando que, na Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), o serviço também não foi afetado.

Além disso, a administração superior da Unesp lamenta a posição das entidades sindicais, "fazendo chamamentos à greve, mesmo cientes da situação financeira da instituição".

Estes chamamentos, segundo a Unesp, não têm ganhado eco nas comunidades locais, que demonstram compreensão e total comprometimento com o funcionamento do ensino, da pesquisa e da extensão da universidade.

"É bom ressaltar que a primeira parcela (50%) do 13.º salário de 2018 dos servidores autárquicos foi creditada nesta segunda-feira, conforme havia sido previamente anunciado pela Reitoria à nossa comunidade", finaliza a assessoria, em nota.