10 de julho de 2026
Articulistas

O papel dos pais na educação

Walter Vicioni Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Ressalta-se que pais brasileiros são os que dão mais valor à educação. De acordo com estudo global do banco HSBC, "os pais brasileiros são os que mais apostam no gasto em ensino para garantir o sucesso dos filhos". Nesse sentido, revela que "79% dos entrevistados no Brasil acreditam que pagar pela educação é o melhor investimento que podem fazer para a próxima geração".

Triste conclusão. Na sociedade atual, compra-se a tranquilidade do dever cumprido, como se a educação fosse uma mercadoria à venda para garantir o sucesso de um filho. Paga-se à escola pela terceirização da missão de educar. Também, atribui-se à escola o papel mágico de resolver todos os problemas do cotidiano, desde a violência epidêmica da sociedade brasileira até o acesso do cidadão à melhor qualidade de vida.

E a escola, pressionada a resolver tantos problemas e a dar tantas soluções, perde-se. A partir de então, caçam-se culpados e homenageiam-se unidades que atingem bons resultados em sistemas de avaliação, como se a reprimenda de uns e a bonificação de outros fossem resolver os problemas da educação nacional. Deixa-se de lado a questão central: o que é a educação?

Para começar, ela não pode se resumir à transmissão de conhecimentos acumulados por gerações. Se assim fosse, programas de ensino divulgados pela Internet ou adquiridos em lojas - abarcando temas mais diversos e múltiplas estratégias de solução de problemas - seriam suficientes para revolucionar a educação.

Ainda, não se pode simplesmente usar parâmetros econômicos para medir a qualidade da educação básica. Não se pode limitar o perfil do aluno formado às exigências para o sucesso profissional e para ter uma carreira que assegure altos salários. O aluno não é um produto que precisa estar conforme às exigências do mercado do momento. Também, não se pode limitar educação ao que ocorre dentro dos muros da escola, como se o professor tivesse o monopólio do saber e da capacidade de transformar o aluno.

A educação inclui as dimensões mencionadas - transmissão de conhecimentos, formação para o trabalho, formação escolar - mais vai muito além da soma delas. É o processo de socialização, por meio do qual crianças e jovens transformam-se em pessoas, inseridas em uma cultura e num contexto social. É a consagração do indivíduo como ser humano e ser social.

Nesse processo, o relacionamento social, a troca de ideias e de soluções entre pessoas, a incorporação de valores, da ética e do respeito ao próximo são fundamentais. A capacidade de inovação, renovação e criação social são partes da educação.

No contexto amplo e complexo da educação, o educador é fundamental mas, sozinho, não poderá dar conta de formar as novas gerações. A sociedade deverá participar - meios de comunicação, criadores e divulgadores de atividades culturais, formuladores de políticas públicas, entre outros - para interação e complementação do trabalho dos educadores.

Não é suficiente ressaltar atitudes éticas e de solidariedade na escola se não estiverem presentes no meio frequentado pelos alunos. Nesse sentido, outro ator desempenha ação estratégica e primordial no processo educacional. E esse ator é o responsável pela criança ou pelo jovem. Sem pais, familiares ou outras pessoas que assumam esse papel, é muito difícil completar o processo educacional. Não é com dinheiro que se educa. É com atenção, exemplos no cotidiano, apoio afetivo.

Educadores, familiares, membros da comunidade e do país são os responsáveis por apresentar possíveis caminhos para as novas gerações, formando os cidadãos que assumirão o papel de dar continuidade, transformar e renovar a sociedade em que vivemos.

O autor é especialista em planejamento da educação.