11 de julho de 2026
Geral

Família de Bauru pede ajuda para trazer cinzas de Valdomiro Miashiro do Japão

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Arquivo de família
Valdomiro Miashiro, ao lado da filha, da viúva e da neta Maria Clara

Não bastasse a dor pela morte do ente querido, ocorrida há um mês, na cidade de Kawagoe, em Saitama, no Japão, uma família de Bauru ainda sofre com a dificuldade e a incerteza de trazer as cinzas de Valdomiro Miashiro para casa. De acordo com a família, o trabalhador de 60 anos morreu de infarto, após se sentir mal na indústria alimentícia onde trabalhava para juntar dinheiro e enviar à esposa em Bauru. Valdomiro e Maria eram casados há 38 anos, com residência no Jardim Cruzeiro do Sul.

A viúva, Maria Miashiro, 55 anos, revelou ao JC que existe um imbróglio jurídico com relação ao que ele deveria ter direito, com “shakai hoken”, a previdência do Japão. Para trazer suas cinzas para Bauru, a família cita que precisa bancar todo o translado da urna funerária, documentos e pertences, que seria de R$ 9 mil. Quantia esta que a viúva Maria Miashiro e os filhos Pablo e Paola não têm. A urna só pode vir no avião se estiver com uma pessoa. E até o momento não há ninguém que possa trazer, com dinheiro das passagens e taxas.

Eles iniciaram uma “vaquinha” online, pedindo ajuda para que internautas e amigos contribuíssem, mas o valor alcançado foi de apenas R$ 647,00. Ele retomam esse pedido para que mais pessoas colaborem, e que, enfim, de acordo com Maria Miashiro, o sempre romântico marido, pai carinhoso e avô apaixonado pela netinha Maria Clara, possa descansar em paz e junto da família.

“VAQUINHA”

Os interessados em contribuir com a família Miashiro podem fazer depósito em conta da Caixa Econômica Federal, agência 2989 conta 23704-5, operação 001. O celular e whatsapp da família é (14) 98124-7740. O contato de telefone fixo é (14) 3231-2279.

“Ele amava o Japão. Viajou para lá várias vezes para trabalhar, desde o início da década de 90, atuando sempre em indústria e com carga horária média de 14 a 15 horas por dia, entre expediente e horas extras. Já havia tido um infarto ainda jovem, com 33 anos, devido a estresse, ficou um bom tempo em Bauru, sem voltar para lá, mas depois acabou voltando mais vezes e nós o perdemos recentemente”, revela a viúva.

Maria Miashiro destaca que Valdomiro foi pela primeira vez ao Japão em 1991, numa época onde muitos descendentes de japoneses, como ele, foram para o outro lado do mundo para trabalhar.

Nessa primeira vez, ele ficou três anos lá. A viúva revela ainda que ele voltou por motivo de saúde, em 1993, e assim que chegou a Bauru, teve um infarto, aos 33 anos, tendo duas internações em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Depois que melhorou, segundo Maria Miashiro, ele resolveu ficar por Bauru.

Mas a decisão durou apenas até o dia 17 de janeiro de 1995, quando o Japão foi atingido por um terremoto de 6,9 graus de magnitude, matando mais de 6,4 mil pessoas. A cidade de Kobe, mais próxima do epicentro, foi a mais atingida.

A comoção internacional fez com que Valdomiro Miashiro retomasse o desejo de dar a volta ao mundo e contribuir. Nessa segunda passagem a trabalho por lá, ele ficou até 2012. “Ele foi porque estava bem de saúde e apto para trabalhar. Em 2011, chegou a fazer um cateterismo, mas sempre me falava que só confiava nos médicos brasileiros. Ele voltou para o Brasil para se cuidar e ficar com a família. Mas depois retornou novamente em 2013, onde ficou até 2016. Em junho do ano passado ele voltou para o Japão pela última vez, de onde não retornou mais, morrendo após passar mal durante a madrugada”, comenta a mulher.

A ÚLTIMA LIGAÇÃO

Maria revelou ainda a última conversa do casal, na qual Valdomiro sempre usava ligação de vídeo para falar com ela, os filhos e a neta.

“Nessa última passagem, ele atuava no ramo de alimentos e me disse que tinha muitas dores no quadril. Me disse isso no dia 29 de janeiro, pouco antes de morrer. Depois soube da morte dele. O que fica agora é a saudade. Só queremos trazer suas cinzas para casa”, finaliza.