10 de julho de 2026
Articulistas

Deleta todos, deixa apenas o da cerveja...

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

Dia desses recebi um áudio, via WhatsApp, de um amigo atarantado com a quantidade de grupos na referida rede para gerenciar. Não dou conta, disse ele. É grupo da família, da empresa, do clube, dos jogadores de bocha... grupo de orações, dos amigos da faculdade e dos amigos dos vizinhos. Tem o grupo da cerveja e o dos Revolucionários Sem Sogra... O que eu faço? Como gerenciar tudo isso se o dia só tem 24 horas? Detalhe: se não respondo a todos levo uma bronca: 'não está participando, hein!... Logo vamos tirar você.' O que fazer?

Eu não tive dúvidas. Como um bom "conselheiro", mandei: deleta todos, deixa apenas o da cerveja! O problema é que esse amigo não sabe dizer "Não". Para ele, sair de um grupo é desfazer amizades. Pois bem, o tempo passou e indaguei se havia resolvido o problema. Que nada, respondeu. Estou ainda mais enrolado. Agora tem o grupo dos tocadores de trombone, do Odeio o BBB e dos fanáticos pelo Norusca. Não sei mais o que faço.

Eu prossegui firme em meu conselho: deixa só o da cerveja. Mas eu sabia que ele não me ouviria. Teimoso, certamente aceitaria mais uma infinidade de grupos. Saí de nossa conversa pensando em como as coisas foram mudando no mundo. Década de 80, século passado, e a única coisa que gerenciávamos nesse modelo de "tecnologia" eram as fitas de Atari. Mas o tempo foi mudando, mudando... Veio a Internet, o celular e os grupos de WhatsApp. Claro que conectou muita gente e facilitou um bocado a vida. Em contrapartida abocanhou uma boa fatia de nosso tempo que antes era dedicado para outras coisas, pasmem, inclusive para a família.

Este é um ponto que merece reflexão acurada: qualquer coisa que passe do limite do aceitável e do equilíbrio gera em nós intranquilidade e angústia. Penso que ainda estamos em busca desse tom, desse equilíbrio, eis porque essas "novidades" acabam em algumas situações bagunçando nossa vida. Dosar o uso de qualquer ferramenta nesta escola da tecnologia é uma boa pedida. Mas como saber se estou excedendo?

Simples. Se acordo de madrugada para ir ao zap, se o utilizo no trânsito ou se me acabrunho porque não dou conta dos grupos é sinal de que passei da medida.

O difícil será um viciado reconhecer seu vício. Quanto ao meu amigo, bem... foi internado num hospital que cuida de viciados em grupos de WhatsApp...

Brincadeiras à parte, talvez sejam esses os males a serem tratados no futuro.

O autor é colaborador de Opinião.