10 de julho de 2026
Geral

Entrevista da semana: Flaviana Tenório e Henrique Caumo

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 7 min

Samba de excelência coroa realeza

Apaixonado pelo Carnaval desde a infância, o rei momo Henrique Caumo é coreógrafo; a rainha Flaviana Tenório já atuou como dançarina profissional e, agora, promete voltar à carreira 

Fotos: Renan Casal
A Rainha Flaviana Tenório foi dançarina profissional e chegou a atuar junto ao grupo Sereno, mas estava afastada há 14 anos da dança

Ô abre alas que a realeza do Carnaval 2019 está com tudo e com samba em tom de excelência. É que o rei momo e a rainha do Carnaval, escolhidos em cerimônia no dia 23 de fevereiro, já atuaram como dançarinos profissionais. Bauruense, Henrique Antonio Caumo, além de ser apaixonado pelo Carnaval desde criança, é coreógrafo e professor no Sesi. Desde 2011 trabalha na passarela, tendo transitado também por outras agremiações.

Já a rainha Flaviana Tenório, nascida em Brotas, foi dançarina profissional e chegou a atuar junto ao grupo Sereno, mas estava afastada há 14 anos da dança. Agora, com a coroa, a atual consultora de vendas e moradora do Jardim Bela Vista diz ter se reencontrado e promete até voltar aos palcos.

Integrantes da Tradição da Zona Leste, eles fazem parte da comitiva que abre os festejos no Sambódromo de Bauru.

Jornal da Cidade - Quem são a rainha e o rei momo sem a coroa?

Flaviana Tenório - Sou a caçula de cinco filhos de um bancário, nascida em Brotas e autodidata na dança. Sou extrovertida, amo animais, adoro socializar, mas sou um pouco caseira. Tenho trabalhado 12 horas por dia como consultora, então, não dá tempo de muita coisa.

Henrique Caumo - Sou bauruense, filho único de um caminhoneiro e uma autônoma, que me iniciaram no Carnaval ainda na infância. Me considero uma pessoa acolhedora, resiliente, amigo para todas as horas e um paizão. Sofri bullying até os 14 anos por causa da obesidade. Cheguei aos 140 quilos. Mas procurei uma nutricionista por conta própria e consegui perder 40 quilos. Hoje tenho 116 quilos.

JC- Como foi a entrada profissional de vocês no mundo da dança?

Arquivo pessoal
Flaviana usando fantasia de Carnaval na infância; tinha 8 anos, na época

Flaviana - Desde os 3 anos, eu fazia apresentações para a família, em casa. Aos 5 anos, eu entrei para o grêmio recreativo em São Manuel e dançava muita lambada. Aos 10 anos, nos mudamos para Bauru e comecei o jazz. Foi aí que desenvolvi ritmo e aprimorei minha audição musical. Aos 15 anos, entrei para um grupo de dança e me apresentava em festivais. Dois anos depois já atuava profissionalmente e fiz parte de bandas de baile. Cheguei a dançar samba por um ano com o grupo Sereno. Segui até 2005 na dança, quando casei e parei. Voltei para a dança no ano passado, depois de entrar para um grupo de dança do ventre.

Henrique - Sempre dancei em frente ao espelho, eu era obeso e tinha vergonha. Depois que emagreci, me matriculei em uma academia para fazer capoeira, mas acabei me envolvendo com a dança. Lá, fui convidado a fazer parte do grupo de street dance. Depois, fui para o axé e participei de eventos com bandas baile. Aos 20 anos, criei o DetonAxé e viajávamos pela região de Bauru dançando. Em 2012, me formei em educação física e, anos depois, montei minha academia, a Equilíbrio, que funcionou no Geisel por 3 anos. Mas hoje atuo no Sesi, passei no concurso. 

JC - E no mundo do Carnaval?

Flaviana - Depois que entrei para a dança do ventre, em 2018, fui convidada a fazer parte da comissão de frente da Tradição da Zona Leste. Até então, só via o Carnaval pela TV, nunca havia pisado no Sambódromo. O Henrique foi meu grande incentivador para o concurso de rainha. Depois de 14 anos, voltei para a dança no susto, mas não quero mais sair. Já tenho até projetos em off. Afinal, para a dança não há limite de idade.

Henrique - Meu pai era da bateria da Cartola e minha mãe foi passista. Cresci ouvindo samba e passava madrugadas em claro assistindo e gravando desfiles pela TV. Com 10 anos, mesmo gordinho, eu cheguei a desfilar. Sempre fui fascinado por coreografias. Desde 2011 atuo com o Carnaval.

JC - Qual a história de vocês com a Tradição da Zona Leste?

Flaviana - É recente. Começou depois de eu ser convidada para a comissão de frente da Tradição. Nunca participei de outra escola.

Henrique - Eu morava no Mary Dota na infância e sempre ouvi os ensaios da Tradição. Era um acontecimento no bairro. Comecei a participar dos ensaios ainda na adolescência. E a minha primeira experiência como professor também foi na Tradição.

Renan Casal
Henrique Antonio Caumo, além de ser apaixonado pelo Carnaval desde criança, é coreógrafo e professor no Sesi; desde 2011 trabalha na passarela

JC - O que o Carnaval representa para vocês e o que significa ser rei momo e rainha?

Flaviana - É um momento de expressar a felicidade, de relaxar e desligar do cotidiano. Ser rainha é poder contagiar as pessoas com essa alegria e mostrar para todos que, a qualquer momento da vida, eles podem lutar pelos seus sonhos.

Henrique - O Carnaval representa a união e a força do povo brasileiro. São dezenas de pessoas envolvidas o ano todo para um show de 40 minutos que precisa ser o melhor. Nunca planejei ser rei momo, foi uma surpresa. Dançar sozinho sempre foi um desafio para mim. Mas ninguém é rei sozinho, somos mediadores da alegria. Então procuro dar o meu melhor para deixar as pessoas felizes.

JC - Como se deu a entrada de vocês para a realeza, ensaiaram muito? Algum ritual antes ou depois das apresentações?

Fotos: Facebook/Divulgação
Henrique Antonio Caumo

Flaviana - O convite aconteceu de uma semana para a outra. Então, foi meio no susto e, graças ao acolhimento da agremiação, consegui. É um pouco mágico. Eu me transformo quando subo no palco. Vem da alma. O Edi Santos sempre me dizia "Levante a cabeça e vá".

Foi o que fiz. Sobre o ritual, eu sou católica e rezo um Pai Nosso e o Credo antes da apresentação.

Henrique - Foi um convite feito pela agremiação aos 45 minutos do segundo tempo, por causa de um contratempo e por eles acreditarem no meu potencial. Nem me preparei, entreguei para Deus e dei o meu melhor. Sobre o ritual, sou evangélico e, além de pedir proteção e fazer uma oração antes das apresentações, levo comigo uma espécie de amuleto, uma pulseira que ganhei de uma amiga.

JC - Curtem o samba só nesta época ou ao longo do ano também?

Henrique Caumo segura os filhos gêmeos Lorenzo e Arthur, logo após o nascimento; hoje, os bebês estão com 11 meses

Flaviana - Escuto samba em casa e no carro, mas não frequento rodas de samba. Talvez, agora, com meu retorno à dança, eu me anime. Penso até em ir para São Paulo ou Rio de Janeiro concorrer para rainha no ano que vem...

Henrique - Sempre que posso ouço samba, adoro Diogo Nogueira. Quando reúno os amigos, o samba é certo. 

JC- O que vocês diriam para as pessoas que não gostam do Carnaval no Sambódromo?

Flaviana - Olhem pelo lado bom e observem a felicidade de quem está na passarela. São pessoas que se prepararam e investiram quase um ano todo para apresentar o que há de melhor na nossa cultura para a população. Todo mundo deveria experimentar desfilar pelo menos uma vez na vida.

Renan Casal
A rainha Flaviana Tenório e o rei momo Henrique Caumo foram eleitos no concurso do dia 23 de fevereiro, no Sambódromo

Samantha Ciuffa
Henrique Antonio Caumo e Flaviana Tenório, no aquecimento para os dias de folia no Carnaval

Henrique - Não condenem sem conhecer. É preciso vivenciar o Carnaval para sentir o quanto ele é importante. O trabalho de um bloco ou uma escola é fantástico. Um show de voluntariado. Cada fantasia tem uma história. As pessoas passam madrugadas em claro pensando na composição e costurando tudo.

Perfil do rei

Nome: Henrique Antonio Caumo

Idade: 32 anos

Signo: Áries

Esposa: Valéria Cristina Ruiz Caumo

Filhos: Vitor Henrique, 3 anos, e os gêmeos Lorenzo Henrique e Arthur Henrique, de 11 meses 

Profissão: Coreógrafo e professor de atividades esportivas no Sesi

Hobby: ser pai

Time: Corinthians

Preferência musical: Eclético

Intérprete: Whitney Houston

Ídolo: Edi Santos (em memória)

Cor: Azul

Escola de samba: Tradição da Zona Leste

Bairro: Mary Dota

Escola de samba de fora: Nenê de Vila Matilde

Por quais agremiações já passou: Bloco 100% Ouro Verde, escolas Azulão do Morro, Águia de Ouro e Tradição da Zona Leste

Frase: "Ir além do óbvio"

Para quem dá nota 0: para a falta de respeito

Para quem dá nota 10: aos professores deste País

Contato: (14) 998806-4920 WhatsApp

Perfil da rainha

Nome: Flaviana Tenório

Idade: 36 anos

Signo: Touro

Mãe e pai: Cleudenir Tenório e José Tenório (em memória) 

Filhos: Giovana Tenório, 17 anos

Profissão: Consultora comercial

Hobby: Dançar

Time: Palmeiras

Cor: Branco

Preferência musical: Eclética

Intérprete: Whitney Houston

Ídolo: meu pai José Tenório

Escola de samba: Tradição da Zona Leste

Bairro: Bela Vista

Escola de samba de fora: Beija-Flor

Escolas que já passou: Nenhuma a mais

Frase: "Tudo posso naquele que me fortalece" 

Para quem dá nota 0: para injustiça

Para quem dá nota 10: minha mãe Cleudenir

Contato: (14) 99711-7962 e (14) 99116-1568 WhatsApp