09 de julho de 2026
Geral

'Ouvidos empáticos' para viver melhor

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Carolina Cassiano diz que a Comunicação Não Violenta (CNV) auxilia em situações de conflito

Foi depois de um relacionamento frustrado que a jornalista Carolina Cassiano entendeu que algo precisava mudar no modo que ela se comunicava com as pessoas. Pesquisando sobre o assunto, descobriu o método de Comunicação Não Violenta (CNV), criado pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg, na década de 1960.

Alinhada à filosofia de Mahatma Gandhi, a técnica privilegia o reconhecimento mútuo de necessidades objetivas por meio de "ouvidos empáticos", sem dar espaço a críticas e julgamentos, o que favorece a solução pacífica de conflitos e, por consequência, uma vida melhor. "Não se trata apenas de uma técnica de comunicação, mas de como a linguagem pode te apoiar para você transformar suas relações e viver de outra forma, com mais compreensão mútua e confiança", aponta Carolina.

Facilitadora de CNV e sócia-proprietária da empresa Diálogos Corajosos, ela esteve em Bauru na semana passada para ministrar palestra na FourC Bilingual Academy. Ao JC, a jornalista explicou que a CNV é uma ferramenta eficiente para sustentar, em situações de conflito, a conexão com alguém do seu círculo de convivência, seja dentro do ambiente familiar, entre amigos, na escola ou no trabalho.

"Em um conflito, é muito fácil a gente se afastar e ficar com muita mágoa, raiva e cada um ficar no seu mundo com seus próprios julgamentos. A CNV mostra que este momento é uma oportunidade para aprofundar muito mais as nossas relações", frisa.

Carolina conta que somente com autocompaixão é possível desenvolver uma forma empática de se expressar e de escutar e olhar o outro. Até ser apresentada à CNV, há nove anos, ela conta que não sabia cuidar de sua "comunicação interna", o que a fazia carregar muita culpa, vergonha e medo, além de colocar muita pressão sobre si.

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CNV ajuda a compreender e administrar os próprios sentimentos

"E esta forma de se comunicar consigo mesma também ecoa na forma como você se comunica com os outros, muitas vezes fazendo cobranças e críticas, ou, então, engolindo muito sapo, até não aguentar mais e sair cuspindo fogo. Se eu não tenho compaixão por mim, não terei por mais ninguém", aponta.

EMPATIA

Ela explica, no entanto, que a CNV não é sinônimo de ser passivo ou falar manso, mas sim de compreender e administrar os próprios sentimentos. O grande passo é a pessoa deixar de julgar ou colocar a culpa no outro para entender o que estes sentimentos dizem sobre ela.

"Um exemplo: uma pessoa marca um compromisso com você e chega com duas horas de atraso. Primeiro, você vai se afastar dos seus julgamentos sobre o outro e delimitar qual foi o fato concreto que mexeu com você. Depois, perceber qual sentimento aquela situação provoca em você: no caso, irritação. Em seguida, entender o que você precisa: comprometimento, consideração mútua. Aí sim, já com os julgamentos digeridos, você vai conversar com a outra pessoa, compartilhar qual é a sua necessidade e perguntar o que essa pessoa pode fazer em relação a isso", detalha Carolina.

Da mesma forma, quando é o outro que se sente incomodado, caberá à pessoa exercitar a empatia e permitir, também sem julgamentos, que ele expresse seu desconforto. "Quando a gente se vê nas nossas necessidades, a gente se encontra e se une, porque elas são comuns a todos os seres humanos. A partir daí, a gente começa a lidar com as situações de conflito com muito mais responsabilidade e não culpa", acrescenta.

Para promover esta mudança de vida, a jornalista recomenda que os interessados participem de cursos e grupos de prática de CNV, leiam livros do idealizador Marshall Rosenberg e procurem vídeos sobre o tema na Internet. "É preciso ir a campo. A recomendação é procurar conhecimento e, depois, encontrar pessoas que se interessem pelo assunto para praticar e, assim, formar uma grande rede de empatia", completa.