11 de julho de 2026
Geral

'Não há fraternidade sem ação política', diz bispo dom Rubens Sevilha

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Samantha Ciuffa
Bispo de Bauru, dom Rubens Sevilha, diz que não há como conciliar fraternidade com individualismo 

"Não há fraternidade sem ação política. Não há como estimular a participação popular em políticas públicas, se os cidadãos de bem não atacarem o individualismo que marca a sociedade moderna". Com esta abordagem, o bispo Diocesano de Bauru, dom Rubens Sevilha, lançou, oficialmente, a Campanha da Fraternidade 2019, em audiência pública realizada no plenário da Câmara Municipal de Bauru, na noite de quinta-feira. O encontro contou com a participação de vereadores, grupos temáticos católicos, autoridades e leigos, sendo presidido pelo parlamentar Manoel Losila.

O conteúdo da campanha 2019 traz o tema "Fraternidade e políticas públicas" e o lema "serás libertado pelo direito e pela justiça", uma citação bíblica de Isaías (capítulo 1, versículo 27). Para o movimento católico, o engajamento em políticas públicas não se dá do ponto da legítima participação eleitoral, na escolha dos representantes. Esta etapa de representação, apontam coordenadores da campanha, é apenas uma das essenciais ao fortalecimento da cidadania e democracia. "Os cidadãos precisam estimular e participar de políticas públicas para fortalecer a cidadania e o bem comum à luz da palavra de Deus. E as ações de políticas públicas precisam de estratégia, plano, processos administrativos, orçamentários, legislativo e de gestão e ações para garantir a eficácia, eficiência e participação popular", abordou Gérson Pinheiro, da coordenação. 

Campanha 2019 traz o tema "Fraternidade e políticas públicas"

O bispo pontua a abrangência da temática. "Desde a década de 60, a igreja colocou a Campanha da Fraternidade, de forma geral, para levar o católico no período de quaresma a refletir para o conceito de fraternidade, de amor ao próximo e de solidariedade. E em cada ano a igreja escolhe um tema de reflexão e ação concreta. Neste ano, os bispos rezam e discutem o tema das políticas públicas. Já se falou de ecologia, drogas, fome. Deus é quem inspira. A sociedade e a cultura são muito individualistas. As novas gerações precisam ser chamadas a discutir que não há fraternidade sem ação política. E não há como conciliar fraternidade com individualismo. As pessoas estão muito voltadas para si mesmas e muito pouco solidárias e muito pouco participativas nos desafios da vida em coletivo, da sociedade", comenta.

Assim, a campanha deste ano quer reeducar os cidadãos, em particular o católico, para sua responsabilidade na participação comunitária e das ações e políticas públicas. "Não dá para viver de forma egoísta e querer ser uma ilha. É impossível eu ser feliz, se em volta de mim as pessoas não estão bem. É um conjunto. E a sociedade vive de forma coletiva. Isso é a fraternidade. E a temática envolve o ver, julgar e agir. Observar a cultura do individualismo, julgar a participação coletiva e agir na participação pública para o bem comum. A atividade cristã exige também a participação efetiva na vida pública, nas várias frentes", acrescenta o bispo.

Para dom Rubens Sevilha, são várias as vertentes. Um exemplo é a responsabilidade e a ação de cada um, e das responsabilidades da gestão pública, no combate a epidemias como a dengue. "Ontem de manhã (quarta), cerca de 50 padres se reuniram para abordar temáticas e políticas públicas. E um dos temas foi a dengue aqui na cidade. A Prefeitura pediu espaço em nossa reunião e recebemos integrantes da Secretaria de Saúde para ouvir e refletir sobre ações de conscientização e combate à proliferação da doença. E os padres, as paróquias, vão atuar de forma mais enfática na multiplicação dessa conscientização, agora de maneira mais técnica, para ajudar. Vamos usar a capilaridade da igreja para essa difusão de conscientização", menciona. 

Assim, a Igreja Católica aponta que os cristãos não podem ser omissos às suas responsabilidades. "Se as pessoas não fazem sua parte em casa, na limpeza, se não os vizinhos não se organizam para combater a sujeira nos terrenos, isso não é fraternidade. Outra responsabilidade é o fruto do bem comum pela fraternidade, pela participação de políticas públicas, nos conselhos, nas associações, nas comunidades, nas funções de responsabilidade pública. E essa ação com retidão e ética e responsabilidade coletiva é essencial", finaliza Sevilha.