| Renan Casal |
| Tânia Guerra canta no grupo "Nós Mulheres", que se engajou para ajudar amigas com problemas de saúde |
Ainda desconhecido para muitos, o termo sororidade ganhou popularidade nos últimos anos em razão da luta feminista. Sinônimo de empatia, união e solidariedade entre as mulheres, o conceito da palavra, porém, vem sendo praticado há décadas em Bauru.
São mulheres que, por ofício, vocação e por acreditarem verdadeiramente em sua missão, prestam apoio todos os dias a outras mulheres, estendendo uma mão amiga que traz conforto e melhoria efetiva para a qualidade de vida de todas elas. É o caso de Clara Vasconcelos, 54 anos, presidente do grupo Amigas do Peito, que ampara, há 16 anos, mulheres diagnosticadas com câncer de mama na região.
"As mulheres que fundaram o grupo eram pacientes de um mastologista que se conheceram na sala de espera e começaram a trocar experiências. Do nascimento desta pequena rede de apoio, o grupo foi formalizado e, hoje, realiza uma série de atividades para ajudar mulheres neste momento difícil da vida delas", comenta.
| Malavolta Jr. |
| Clara Vasconcelos, do grupo Amigas do Peito, promove ações para informar e devolver autoestima às mulheres com câncer de mama |
| Malavolta Jr. |
| Maria Nereida Ponichi, coordenadora do Banco de Leite, dá retaguarda para mães com dificuldades para amamentar |
| Aceituno Jr. |
| Laila Yamashita, ginecologista: "Dar amparo no processo de metamorfose das mulheres é encantador" |
Por meio do voluntariado, o grupo Amigas do Peito presta, atualmente, assistência gratuita a cerca de 100 mulheres em tratamento com informações sobre a doença, suporte psicológico e emocional, distribuição de lenços e perucas, oficinas de artesanato e atividades físicas. São ações que contribuem para trazer segurança quanto à recuperação e para devolver autoestima às mulheres que perderam o cabelo em razão da quimioterapia ou que precisaram retirar a mama total ou parcialmente.
REDE DE SOLIDARIEDADE
Formado exclusivamente por artistas do sexo feminino, o grupo musical "Nós Mulheres" promove projetos beneficentes para entidades de Bauru há 23 anos e, recentemente, se engajou para ajudar amigas das integrantes do grupo que enfrentam problemas de saúde. Uma, por exemplo, está com câncer e outra está lutando contra as sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC), conforme conta a jornalista Tânia Guerra, 58 anos, uma das fundadoras do grupo.
"No final do ano, fizemos cinco shows com renda revertida ao tratamento desta amiga que está se recuperando de um AVC e também fazemos 'vaquinhas' mensais com o mesmo objetivo. Nossa intenção é continuar ajudando as mulheres. Com tantos anos de atividade, estamos chegando a uma certa idade que uma precisa apoiar cada vez mais a outra", comenta.
DEDICAÇÃO
A dedicação diária à mulher - em especial, às mães que estão amamentando seus bebês - é a realidade diária da nutricionista Maria Nereida Ponichi, 58 anos, coordenadora do Banco de Leite Humano do município, instituído há 35 anos. Além de coletar e armazenar o leite doado por mulheres e destiná-lo a bebês internados em UTIs e UCIs neonatais, o serviço também presta orientação para as mães que acabaram de dar à luz nas maternidades da cidade
"Quando a mulher não consegue amamentar, fica muito fragilizada, especialmente as mães de primeira viagem. O mamilo pode ficar machucado, o bebê pode não conseguir pegar o peito direito. Para esta mulher, a sensação de impotência e incerteza é imensa. O mesmo vale para as que estão voltando ao trabalho depois da licença-maternidade e precisam aprender a ordenhar o leite ou começar a introduzir outros tipos de alimento. Nosso serviço existe para oferecer toda esta retaguarda e, felizmente, é muito bem aceito", detalha, revelando que a "rede de solidariedade" do Banco de Leite conta, atualmente, com cerca de 50 doadoras.
CONEXÃO DE VIDA
O universo da saúde feminina também é o ofício da ginecologista e obstetra Laila Kimie Yamashita, 36 anos, que se considera privilegiada por poder ajudar mulheres diariamente por meio da sua profissão. Para ela, o fato de serem duas mulheres dialogando no consultório contribui para criar uma conexão diferente, mais íntima e empática, entre médica e paciente, já que ambas vivem experiências semelhantes ao longo da vida, como cólicas menstruais, TPM, parto, amamentação e maternidade.
"Além da experiência profissional, o meu trabalho me dá a oportunidade de fazer a diferença na vida das mulheres, muitas vezes apenas ouvindo as queixas, mesmo que a doença seja emocional. Poder dar amparo no processo de metamorfose destas mulheres ao longo da vida é algo encantador", completa.
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JC discute o feminicídio
Hoje é o dia em que todos parabenizam as mulheres. Contudo, não adianta apenas cumprimentá-las nesta data e esquecê-las durante o restante do ano. Questões como a violência contra a mulher não devem nunca ser deixadas de lado. O JC, por exemplo, trata com frequência o tema do feminicídio, que vitima ao menos uma mulher a cada 36 horas no Estado de São Paulo.
Inclusive, ampla reportagem publicada no dia 24 de fevereiro mergulhou neste assunto. Com vários especialistas entrevistados de diferentes áreas, evidenciou-se que adultos imaturos coisificam a mulher e, quando a "posse" sobre a "amada" lhes escapa, não sabem conviver com a perda e matam.
Os feminicidas, ainda segundo a reportagem, são produtos de uma sociedade machista, em que a figura masculina foi historicamente concebida como de supremacia sobre a mulher.
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Eventos e ações celebram a data?
Com o tema "Protagonismo da Mulher na Sociedade", a Prefeitura de Bauru, através da Sebes, em parceria com o Conselho Municipal de Políticas para Mulheres (CMPM) e apoio da OAB Bauru - Comissão da Mulher Advogada, realiza uma programação especial em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. As atividades se estenderão ao longo de todo o mês de março.
Apesar de já haver eventos desde o primeiro dia do mês, a abertura oficial acontece hoje, às 9h, na OAB/Bauru. A palestra "Protagonismo da Mulher na Sociedade - avanços e desafios", com Marcia Regina Negrisoli F. Polettini, presidente da OAB/Bauru, tem como proposta abrir espaço para debater o papel da mulher enquanto líder na luta por transformações e no combate às desigualdades.
A programação pode ser conferida no https://www.bauru.sp.gov.br.
REDE DE SERVIÇOS DE SAÚDE
Já a Secretaria Municipal de Saúde realiza atividades para apresentar a Rede de Serviços de Saúde oferecida pelo município às mulheres. O evento acontece das 7h às 17h na futura Casa da Mulher (av. Nações Unidas, quadra 27).
Na programação, estão previstos workshops, apresentações culturais, palestras e orientações sobre temas importantes, como o combate à dengue e a violência contra a mulher. O evento é gratuito e aberto a todas as interessadas.
As atividades acontecem em parceria com as equipes de Saúde dos serviços especializados e com a Vigilância Ambiental.
MULHERES EM LUTA
Outro evento para marcar a data é o "Mulheres em Luta". "A programação tem como intuito lembrar que o dia da mulher não é apenas um, e sim todos os dias", destaca a organização.
Hoje, haverá manifestação em frente à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), às 17h, exigindo atendimento 24 horas. Depois, às 19h, será realizada uma oficina de instrumentos.
Amanhã, às 14h, ocorre a Marcha Mulheres em Luta. A concentração está marcada para as 14h na Praça Rui Barbosa. Às 18h do mesmo dia, haverá a Exposição Feminista na Pinacoteca (leia mais no JC Cultura).
Já no domingo, dia 10, ocorre a Barraca da Saúde da Mulher no Acampamento Canaã (MSLT) e Roda de Conversa, às 14h. Por volta das 19h, está marcado o Sarau das Manas na Fumacê.
A organização está sendo feita por mulheres ativistas da cidade que acreditam na necessidade de se manifestar por direitos, cultura, saúde, proteção e educação das mulheres.
Informações: "8M Bauru - Mulheres em Luta!" no Facebook.