| Malavolta Jr. |
| Livro é produto da pesquisa de livre-docência de Lídia Possas, realizada em 2014, em Córdoba |
Qual imagem vem à cabeça quando se fala de uma mulher viúva? Foi com este e diversos outros questionamentos que a historiadora Lidia Possas passou a conviver com a morte do marido, em 2006. O livro "O Enigma das Viúvas" que será lançado no mês das mulheres, em Bauru, despontou desta experiência pessoal e alcançou a vivência de outras viúvas dos anos 60 a 80, não só no Brasil, mas na Argentina.
"O estereótipo da viúva é muito forte na nossa sociedade. É um estereótipo que te exclui, que já tem um papel determinado pelas boas maneiras. Talvez, hoje, exista um rompimento, mas qualquer manual de boas maneiras indica que a viúva deve ser uma mulher reclusa, ligada à filantropia e religiosa", afirma Lidia.
Com seu trabalho enquanto historiadora, com livre-docência em relações de gênero e feminismos na América Latina, Lidia foi estudar como se era vista a viuvez em outras partes do mundo. "Percebi que essa situação sempre foi de conflito por conta das posses, das heranças, das propriedades. África e Índia também têm diversos problemas relacionados à viuvez, tanto que a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia da Viúva, dia 23 de junho", comenta. "A situação da viuvez não é muito simples, por isso eu a coloco como um enigma. As pessoas aceitam, mas não tem uma pesquisa sobre o que é uma viuvez para a sociedade e para as mulheres que enviúvam", completa.
PESQUISA
O livro é produto de uma pesquisa de livre-docência de Lídia, realizada em 2014, em Córdoba. "Eu percebi que há uma viuvez que ninguém toca, que é a das mulheres que perderam seus maridos na ditadura, por tortura ou desaparecimento. A minha pesquisa que está, em parte, presente neste livro mostra o que e como é a viuvez em tempos de chumbo no Brasil, em São Paulo e na Argentina, em Córdoba", explica.
Após entrevistar 14 mulheres, Lidia selecionou algumas vozes para compor o livro. "Escolhi as que relataram com mais detalhes e sensibilidade. Concluí que os conceitos que temos de viuvez são muito rígidos e não dá conta das variações deste estado, principalmente quando se fala das mulheres que perderam seus maridos na ditadura. Em Córdoba, muitas não aceitaram esse estado civil e construíram um ato político, criando um novo estado que é o de mulher de desaparecido", finaliza.
LANÇAMENTO
A obra será lançada no dia 28 de março, às 19h, no Empório Cultural do Boulevard Shopping Bauru, que fica na rua Marcondes Salgado, 11-39.
O livro já está disponível para venda no site da editora CRV, pelo site www.editoracrv.com.br.